Opinião Silvio Gumiero: O Atleta Funcional

Existem várias histórias no futebol. Existem também muitas estórias. Como aquela do técnico Lula do Santos, na época de Pelé, que só escalava o time e não falava nada da parte técnica. Ou aquela outra do técnico Vicente Feola, da Seleção Brasileira, também na época de Pelé, que dormia no banco de reservas durante os jogos. Eram dois técnicos distribuidores de camisas.

Com a qualidade dos atletas daquela época e com um espaço enorme para jogar, era só escalar o time e voltar para casa, porque a vitória aconteceria com toda certeza. No futebol de hoje, o espaço diminuiu muito e a parte física evoluiu de tal maneira, que às vezes supera a parte técnica.

Aí entra o técnico com a sua estratégia e consequentemente com a tática para explorar as virtudes do seu time e os defeitos do adversário. No mercado atual não tem mais lugar para os técnicos que ficam gritando “pega, pega, pega”, “vai, vai, vai” “fica, fica, fica” ou “marca, marca, marca”.

O técnico precisa que cada atleta tenha uma função específica para que o conjunto funcione. Aí é que entra o atleta funcional, sabendo de todos os detalhes que lhe são atribuídos para se encaixar naquilo que foi planejado pelo técnico. Não importa o tempo de jogo para uma atleta ser substituído. Se ele não cumprir a sua função é trocado por outro.

Tem técnico que está fazendo com que vários atletas, ao se tornarem funcionais, cresçam de produção e ficam titulares absolutos de suas equipes. Cito como exemplo Rodrigo Souto do Santos, chegando para arrematar como elemento surpresa. Outros exemplos são Léo Lima e Valdívia, ambos do Palmeiras. O primeiro como volante, saindo bem para o jogo e chutando de média distância. O segundo jogando mais perto do gol e até tomando gosto pela artilharia.

Esses atletas se tornaram funcionais sob o comando de Luxemburgo. Isso mostra que a credibilidade do técnico junto ao atleta, facilita muito para que ele se torne funcional.