Opinião Carlos Biagini - Que delícia torcer pelo Fenerbahçe
A partida entre Fenerbahçe e Chelsea pelas quartas-de-final da Copa dos Campões foi especial. Foi uma delícia. Nem tanto pelo futebol em si, que as duas deveram. Mas, porque parecia uma partida do Brasil contra qualquer outra seleção. Não a seleção da Inglaterra, pois o Chelsea enfileira um leque de jogadores de outras nacionalidades.
O respeito, medo, inicial do time do Zico foi nítido. A torcida local sentiu o peso também. Nem por isso, deixou de incentivar o momento histórico daquela partida. A torcida não se calou. Na verdade, ela “chiou” o tempo todo. Um barulho chato demais para quem estava assistindo no conforto do sofá da sala, pela TV. Imagina para os jogadores do Chelsea. Cada toque na bola era um “uivo” de cerca de 50 mil vozes. Foi o maior coral do mundo contra 22 ouvidos. Haja paciência.
Ou melhor, no meio desta confusão sonora, não é que a sorte apareceu. Deivid fez contra. Parecia que seria ainda pior. Mas, no segundo tempo, Zico mexeu com a alma de seus jogadores e conseguiu retirar do fundo dela, o poder do futebol. Repito, os times não desfilaram pérolas, mas a garra, turca, foi de se levantar do sofá. A garra sul-americana estava lá presente, não só pelos brasileiros, mas por Lugano, Uruguai, e Maldonado, Chile.
Mas, não quero analisar o jogo em si. Mesmo que valha a pena tentar ir atrás do chute do Deivid, na virada do placar e remissão do atacante, assim como o goleiro do Chelsea. Veio fácil na memória a busca eterna pela bola no corte que o Kleber, Palmeiras, deu no Juninho, São Paulo, no último clássico. O Zagueiro parecia que ia continuar a deslizar por São Paulo, Rio, Argentina…
Lembrei de outros tantos cortes, como os de Pelé, Garrincha, Canhoteiro e Romário, Marcelinho Carioca, Raí, Denílson, para citar os mais novos.
Sem dúvida, o melhor da partida foi ter sentido um amor diferente. Cada um podia escolher à vontade razões para torcer pelo Fenerbahçe. Pelo jogador brasileiro que atuou em seu time, pela simpatia aos mais fracos, por torcer contra o Chelsea, pelo Zico. Eu coloco todas essas nas minhas intenções.
É lógico que seria demais dizer que parecia a Copa. A torcida pelo Brasil. Mas, isso não é de todo insano. O amor do futebol muitas vezes passa longe do fanatismo. O amor sincero, que só uma bola, duas traves e vinte e duas chuteiras significam ao coração.
Foi um amor sincero que senti ao torcer pelo Fenerbahçe. Talvez, eu possa ser mais claro: quem tem ascendência estrangeira e na época da Copa torce pela seleção do país da avó ou do pai, sente a mesma coisa.
É um amor diferente, não é o fanatismo do futebol. Mas, ele é delicioso também de se sentir.





































































































































