Torcedor comum da Ponte corre o risco de ficar sem ingresso

Campinas, SP, 29 (AFI) – Os 2.600 ingressos que a torcida da Ponte Preta tem direito para a partida final do Campeonato Paulista, no próximo domingo, no Palestra Itália, ainda não estão em posse da diretoria alvinegra, mas já dão pano para manga. O administrador do Estádio Moisés Lucarelli, Odair Marcucci, revelou que existe a possibilidade de toda a carga ser destinada para três setores: diretoria, torcidas organizadas e torcedor Camisa 10.

“Vamos tentar fugir ao máximo dos cambistas. O que existe de concreto é que cerca de 900 ingressos vão ser destinados às torcidas organizadas e diretoria. Com os demais, que devem girar em torno de 1.500, estamos estudando a possibilidade de fazer um cadastro de torcedores Camisa 10, para que estes também sejam privilegiados. Mas ainda não tenho esses números definidos”, afirmou Odair, que explicou o motivo por privilegiar as torcidas organizadas Torcida Jovem e SerPonte.

“Achamos que é uma obrigação da Ponte Preta reservar um espaço para esses torcedores que sempre acompanham a equipe. É uma forma de presentear esse amor incondicional deles pelo clube. Nada mais justo”, comentou o administrador do Majestoso à Rádio Bandeirantes, negando, porém, que os ingressos serão doados.

“Não existe a chance de darmos os ingressos, até porque a renda vai ser toda do Palmeiras. Então, se doarmos os ingressos, vamos arcar com a despesa, pois o dinheiro tem que ser depositado na conta do Palmeiras de alguma maneira”, disse.

Repeteco
A provável atitude da diretoria Ponte em beneficiar as organizadas não é novidade nenhuma no meio do futebol. A grande maioria dos clubes brasileiros faz o mesmo procedimento. Tanto que o Palmeiras, para o primeiro jogo da final, no último domingo, em Campinas, destinou toda a carga – 2.600, assim como a Ponte terá direito na capital – para as torcidas Mancha Verde e Torcida Uniformizada Palmeiras (TUP).

Mas como ninguém se dá por satisfeito, a torcida organizada Mancha Verde colocou os ingressos ganhos da diretoria à venda para os torcedores normal a um preço ainda maior do que o determinado pela Federação Paulista de Futebol (FPF): R$ 40. Em seu site oficial, a uniformizada cobrava R$ 50 por um lugar no Moisés Lucarelli – R$ 40 pelo ingresso e R$ 10 pelo ônibus. O valor da caravana, no entanto, era cobrado até mesmo para torcedores palmeirenses de Campinas.

Patrocínio
Para aliviar a barra da torcida e diminuir o preço dos ingressos, a diretoria da Ponte Preta busca um patrocínio. Algo semelhante ao que aconteceu para a partida de volta da semifinal contra o Guaratinguetá, quando um empresário desconhecido subsidiou as vendas, proporcionado à diretoria da Macaca o direito de colocar todos os ingressos a R$ 20.

Na espera
Segundo informações do Ingresso Fácil, empresa que produz os ingressos, a Ponte Preta deve receber sua carga de bilhetes até a noite desta terça-feira.

Multidão
Odair Marcucci tenta organizar a melhor maneira de, caso os ingressos sejam colocados à venda, não ocorrer tumulto. “Se vendemos mais de 15 mil ingressos em menos de sete horas, imagina somente cerca de 1.500. Acho que vamos fazer um cadastramento, que vai levar tempo, mas, no final, vai ser melhor para todo mundo”, finalizou.

Dos 2.600 disponibilizados à torcida da Macaca, 900 devem ser destinados às uniformizadas e diretoria, deixando o restante – cerca de 1.500 – para ser divido entre os mais de quatro mil torcedores Camisa 10 do clube.