Opinião Alberto César - A final que ninguém vê

Esperei a poeira baixar para não escrever sob a raiva de domingo à noite, após transmitir o jogo da final do Paulistão, entre Ponte e Palmeiras. Claro que a derrota da Macaca, e de goleada, me deixou mais chateado ainda, afinal se a rádio Central, na qual trabalho, é a rádio do futebol de Campinas, então, sou um narrador que torce pelo futebol de Campinas. Costumo dizer que torço, mas não distorço. Primeiro falo do jogo e depois da vergonha que foi o tratamento da direção do Palmeiras e da Aceesp às emissoras de rádio do Brasil, exceção feita às de São Paulo.

O Palmeiras sobrou em campo. Mereceu, não só pelo último jogo, mas também por toda a campanha de recuperação no campeonato. O começo foi ruim, mas depois cresceu de tal forma que seria impossível não apontá-lo como favorito ao título. Este ano seria muito difícil tirar a taça do Palestra. Não só pelos investimentos que permitem trazer os melhores jogadores, mas também pelo trabalho e determinação que sempre caracterizaram o treinador Vanderlei Luxemburgo. Cheguei a dizer na rádio em que trabalho, que nenhum time tiraria do Palmeiras o titulo de campeão da temporada. E mais uma vez a Ponte se viu diante de um adversário muito forte.
Como em 77 tenho pra mim que nas finais ninguém venceria o Corinthians.

Mas sobre o jogo da bola o Brasil e o mundo viram. O que quase ninguém viu foi o ridículo espaço reservado às rádios de Campinas e de todo o Brasil. Cerca de 20 metros quadrados, quase na linha de frente da área do gol das piscinas, que nós narradores chamamos de “puleiro”. Nesses quase 20 metros quadrados com 6 metros lineares apenas de visibilidade, estavam amontoadas as emissoras que se aventuraram a transmitir o jogo.

Nem as rádios de Campinas que durante todo o campeonato foram em todos os jogos dos times da cidades, tiveram qualquer deferência, como aliás, acontecia no passado. Muitas rádios de cidades que nem tem times profissionais estavam ali, talvez até fazendo a única transmissão externa, tirando espaço de emissoras que estão em todos os jogos. E o que a Aceesp faz pelos seus associados? Nada. E nem pode dizer que todos são sócios, porque não são. Aliás, ela nem exige que assim seja, porque basta pagar a carteirinha que tudo está resolvido. E o preço que se cobra pela credencial não é barato. Eu narrei o jogo num espaço de 60 centímetros, no máximo. E o meu comentarista, por sugestão do operador de som, nem viajou.

Comentou, segundo o que viu pela televisão. Vergonha. Nem água serviram. Por falar em água, os banheiros também não tinham. O mau cheiro era insuportável. Em contra posição a Federação Paulista montou, com dinheiro não sei de onde, um sofisticado camarote vip com massagens e todas as guloseimas possíveis. Como eu gostaria que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, tivesse dado uma passadinha pelo “puleiro” das rádios onde estavam as de Campinas e tivesse também vontade de usar o banheiro. Ele começaria a ficar preocupado com a Copa de 2014. Inocência minha! Ele também estaria no camarote vip da Federação. Ou os clubes modernizam seus estádios para grandes eventos ou não tem conversa. Em São Paulo final tem que ser no Morumbi!

Um abraço e boa sorte!