Rivalidade ou hipocrisia? Vitória nega Barradão ao Bahia

Salvador, BA, 2 (AFI) – Para as pessoas de bom senso não passa de Jorginho Sampaio1um exagero na rivalidade clubística ou mesmo se trata de pura ignorância. Mas de forma hipócrita e alegando a rivalidade e eventuais pressões internas, o presidente do Vitória, Jorge Sampaio (foto), negou a cessão do Estádio Manoel Barradas, o Barradão, para o Bahia mandar seus jogos no Campeonato Brasileiro da Série B.

Bahia já esperava “desculpas”

Nota oficial sai nesta quinta-feira
A Fonte Nova continua interditada, oito meses depois da tragédia que provocou a morte de sete torcedores, ano passado pela fase final da Série C no dia 25 de novembro de 2007.

A decisão já foi tomada, mas será transformada numa nota pública, nesta quinta-feira à tarde. Segundo o dirigente a decisão é unânime no clube

“As torcidas organizadas e as entidades ligadas ao Vitória são contrárias a ceder nosso estádio. Tanto é verdade, que todos vão subscrever a nota oficial”, garantiu Sampaio, enterrando o sonho tricolor de mandar seus jogos em Salvador, bem perto de sua torcida.

Até agora o clube só atuou em Feira de Santana, distante 100 quilômetros da capital, e sem o apoio da grande massa torcedora que costumava empurrar o time para cima dos adversários dentro da Fonte Nova. Voltar a jogar em Salvador, mesmo no campo do inimigo, era a esperança dos dirigentes de uma melhora na tabela de classificação e até mesmo para uma arrancada de volta à Série A, em 2009.

Explicações não convincentes
Como se trata de uma decisão passional, não era de se esperar de Sampaio explicações inteligentes e aceitáveis. Mas bem que ele tentou justificar a sua decisão:

”É uma questão numérica, porque nenhuma proposta do Esporte Clube Bahia cobriria o prejuízo que adviria da cessão do estádio”, argumentou o cartola. Ele garante que sofreria um boicote de sua torcida, principalmente ao projeto de fidelização, denominado “Sou Mais Vitória”, que teria interrompida muitas filiações.

O clube arrecada, segundo dados oficiais, R$ 200 mil mensais de receita com o projeto, que só perde mesmo para o valor pago pela FBA – Futebol Brasil Associados – em cima dos diretos de transmissão de televisão, algo em torno de R$ 1,2 na temporada.

Mais desculpinhas esfarrapadas
jorge sampaio2Além da explicação contábil, Sampaio contou ainda outras “estorinhas” para negar o pedido do rival. O presidente disse que o Bahia não fez nenhuma proposta financeira pelo aluguel do Barradão. Na semana passada, a Federação Baiana de Futebol promoveu uma reunião entre os dirigentes, quando ficou oficializado o desejo do Bahia em mandar seus jogos no estádio do Vitória.

“Ficou acordado que, se a consulta com a torcida e os conselheiros fosse favorável, nós teríamos uma segunda rodada de negociação. Somente depois disso, seriam discutidos os valores do aluguel”, desculpou-se Sampaio. Ele ainda não ficou vermelho – que ironia! – ao criticar a direção do rival por não ter pedido emprestado o estádio antes do início do Campeonato Brasileiro.

”O Bahia devia ter feito este pedido no final do ano passado, quando todos nós estávamos comovidos pela tragédia. Na ocasião, o Vitória se dispôs a sentar na mesa de discussão

Nós poderíamos ter encontrado uma solução até para o Campeonato Baiano (O Bahia mandou jogos em várias cidades do interior). Mas, agora, a nossa torcida é radicalmente contra. E ela é soberana”, finalizou.