Opinião Fauzi Kanso: Federação precisa rever sua posição
O fato da Federação Paulista de Futebol (FPF) cobrar 506 mil reais para registro de uma nova agremiação para torná-la federada, embora entenda que o valor esteja acima das posses de muitos clubes interioranos, entendo também que é uma taxa têm que ser cobrada, sim.
O problema é que quando nada se cobrava, os novos empresários, com apenas um nome, rg, e um endereço, conseguiam registrar uma inexistente agremiação junto à Federação. Daí pra frente muitos deles saiam aliciando pais e garotos ingênuos, com promessas mirabolantes de grandes clubes, inclusive na Europa.
Clubes tradicionais são penalizados
Só que, cobrando a tal taxa, a Federação Paulista acabou penalizando clubes tradicionais que já participaram em mais de 40 campeonatos, como foi o caso da Votuporanguense, de grandes glorias e contribuições para o futebol brasileiro.
Aliás, diga-se, a Votuporanguense foi penalizada duas vezes: porque pediu licença (mal feita pelos antigos dirigentes) e pelo fato de ter feito um contrato, igualmente mal feito, com a Sociedade Esportiva Votuporanga que depois virou Sociedade Esportiva Vitória, em Hortolândia.
Os dois erros
No primeiro erro, o pedido de licença foi tão grosseiramente elaborado que você não sabe se a Votuporanguense estava pedindo licença ou o cancelamento do registro. No entendimento da Federação prevaleceu o pedido de cancelamento.
E o segundo erro, foi quando cedeu seu direito de participação no campeonato para o SEV que, posteriormente, visando um bom lucro (e é disso que os empresários vivem) fechou negócio com a cidade de Hortolândia que passou a ocupar o lugar que era da Votuporanguense.
Muita gente revoltada
Nagib Miguel, jornalista e radialista na cidade de Ituverava, última cidade do estado de São Paulo para quem vai para Minas Gerais pela Rodovia Anhanguera, escreve dizendo que a Ituveravense está sofrendo do mesmo mal. Trata-se de um antigo clube, que já disputou várias competições e, entretanto, está impossibilitada de voltar.
Bruno Bisse, nosso leitor, também está entristecido com a situação de vários clubes interioranos que, impossibilitados de pagar quantia tão alta, continuam na marginalidade, perdendo espaços para clubes montados por ganhadores de dinheiro, que nem sede possuem.
Um famoso advogado do meio esportivo, meu amigo, diz que clubes na situação da Votuporanguense e Ituveravense, se procurarem reaver seus direitos através da Justiça, têm grandes possibilidades de êxito. Porém, o melhor caminho é do diálogo e entendimento para, depois, não sofrerem nas mãos dos próprios mandatários do futebol paulista.
Goleada e troco
Falando da Ituveravense, no Campeonato da 1ª. Divisão de 1.967, no primeiro turno, em Ituverava, ela meteu três a zero na Votuporanguense. No returno, em Votuporanga, a Votuporanguense deu o troco e enfiou-lhe 4 a zero. Você sabia disso, “brimo” Nagib ?
Naturalmente o raro leitor esteja se perguntando: por que 1ª. Divisão ? É que nos anos 60 e 70, os campeonatos mantidos pela Federação Paulista de Futebol tinham as seguintes divisões:
Divisão Especial, disputado pelos maiores clubes;
1ª. Divisão, os que disputavam o acesso à Divisão Especial;
2ª. Divisão, os que disputavam acesso à 1ª. Divisão, e assim por diante.





































































































































