Crônica Especial: Dérbi, Guarani e minhas almôndegas...
Tenho lido com interesse as colunas do Fauzi Kanso. Porque é uma das figuras do Futebol Interior que conta boas histórias. E porque é bugrino. Compartilhamos a mesma sina. E há, é claro, o fato de termos compartilhado também um período de militância na crônica esportiva.
Mas, assim como ele, estou preocupado, deveras. Depois do jogo contra o São Paulo que assisti até que tomamos o primeiro gol, o Fauzi manifestava franca oposição às táticas do técnico Luciano Dias, com a justificativa de que o Guarani se defende muito antes de atacar.
Naquela partida me pareceu que, pelo contrário, foi o Bugre que teve as chances mais vísiveis, a despeito de uma bola na trave chutada pelo Tricolor. Porém, eu tinha sempre a impressão de já ter visto aquele filme: de uma hora para outra o Morumbi mostraria que é maior que o Brinco. Mais que um pressentimento, todo mundo já conhece essa história: fomos engolidos pela frieza do adversário.
Em seguida ao dérbi, que assisti até aquele pênalti mandrake transformado em gol da Ponte, o Fauzi repetiu a temática, desta vez com o título – “continuo muito preocupado … ” – ou coisa que o valha. E acho que é uma preocupação boa, um alerta para o técnico Luciano e sua equipe. Ao conjunto parece estar sobrando disposição. Falta maturidade.
Não sei avaliar se Amoroso será capaz de oferecer esse suporte. Parece que sim. De viril finalizador mostrou-se um humilde batedor de escanteios no dérbi. Mas segundo lí no próprio F.I., vários jogadores se referiram a ele como um apoio, uma luz, a própria voz da experiência.
Para lembrar o velho amigo Valdemir Gomes, quero dizer que hoje em dia sei o que é bola porque um dia comi almôndegas. Acompanho tudo muito superficialmente e só agora conheço os nomes de alguns jogadores do Guarani. Dos outros times só conheço os mais badalados. Escalação de cór só a do Santos de Cejas a Edu, do Bugre de Neneca a Bozó, da Ponte de Carlos a Tuta e da Seleção de Félix a Rivelino. No mais, para mim, é só resultado que vale.
Entretanto, eu e minhas almôndegas bem sabemos que cautela e um bom caldo só fazem bem. O que se aplica a esse time do Guarani que tem momentos extremamente agudos no ataque, apesar da finalização deficiente. Mas que promove rombos de tal porte em sua própria defesa, que podem acabar em gol-contra de centroavante. Coisa que não me recordo ter visto nos tempos de antanho.
Chega de sufoco. Não é demais esperar um campeonato pelo menos sem atropelos. Isso pra que o Fauzi deixe de se preocupar e para que eu não seja obrigado a mudar de canal toda vez que o adversário faz um gol.
De fecho, informo que há mais um bugrino no mundo. Ele se chama Vittorio, tem só sete anos, ainda não sabe bem como se tempera uma almôndega, mas torce bravamente quando eu deixo (a TV ligada). Espero que possa ter a ventura do pai, campeão brasileiro aos 20 anos !
Mas acho que já é pedir demais …
Jânio Valim é editor do jornalístico Fala Brasil, da TV Record
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