Santos comemora 97 anos tentando acabar com complexo
Santos, SP, 14 (AFI) – O dia 14 de abril marca a data de aniversário de um dos clubes mais tradicionais do Brasil e do Mundo. Clube do coração do maior jogador de todos os tempos, o Rei Pelé, o Santos completa, nesta terça-feira, 97 anos de história. E haja tempo e espaço para contar tudo do clube brasileiro que, talvez, tenha mais histórias para se contar.
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Na semana em que festeja seu aniversário, o Peixe tenta provar que está no mesmo patamar dos arquirrivais Corinthians, Palmeiras e São Paulo. O clube disputou todo o Campeonato Paulista sob a desconfiança dos mais céticos e com um “complexo de inferioridade”. Todos o consideravam o azarão nas semifinais. Mas bastou o primeiro jogo contra o líder Palmeiras (2 x 1) para todos serem lembrados de que um time grande é sempre grande.
Se conquistar o título paulista deste ano, a equipe alvinegra chegaria a marca de três taças estaduais nos últimos quatro anos – já conquistara o título em 2006 e 2007. Além disso, encerraria o jejum que já perdura dois anos. A última conquista santista foi justamente o título paulista de 2007.
Este é um dos principais desafios do atual técnico Vágner Mancini. Com um elenco modesto, se for comparado ao Timão, Verdão e Sampa, o Santos tenta se superar para voltar a levantar o troféu. Serão três campeonatos que o clube disputará em 2009 para encerrar o curto jejum: Paulistão, Copa do Brasil e Brasileirão. Mas uma vaga na Libertadores do próximo ano já seria vista com bons olhos pela diretoria.
Um pouco mais da história
É impossível dissociar a história do Santos e a historia de Pelé. Uma coisa está ligada a outra. Mas muito antes de surgir o melhor de todos os tempos, o Peixe já despontava no cenário estadual. Após pouco mais de 20 anos, que o jovem Charles Miller, precursor do futebol no Brasil, havia aportado em Santos com as duas primeiras bolas de futebol utilizadas no país, três esportistas de Santos decidiram que a cidade merecia um clube.
No dia 14 de abril de 1912, Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior convocaram uma assembléia, na sede do Clube Concórdia, para a criação de um time de futebol. Na reunião, foram definidos o nome da nova agremiação (Santos Foot-ball Clube) e o uniforme oficial, constituído por uma camisa com listras verticais azuis e brancas, separadas por um fio dourado, em homenagem ao Clube Concórdia. O primeiro presidente foi Sizino Patuska.
O primeiro jogo oficial veio apenas no dia 15 de setembro daquele ano, quando o Santos venceu na estreia o Santos Athletic Club por 3 a 2. O primeiro gol oficial da história do clube foi marcado por Arnaldo Silveira. O primeiro grande clube, entretanto, sugiu somente mais uma década depois. O famoso ataque dos 100 gols.
A equipe de jovens garotos que formaria o ataque dos 100 gols, consagrando o Santos no cenário nacional, começou a ser gerada em 1923 com a chegada do jovem Araken Patuska, então com 16 anos, entre outros garotos.
Quatro anos após a chegada desses jovens, e com a inclusão de alguns nomes como o do extraordinário artilheiro Feitiço, o Santos estreava no Campeonato Paulista aplicando uma goleada, o que se repetiria por diversas vezes na competição. A vítima foi a equipe do Ypiranga, o jogo ficou em 12 a 1, com sete gols de Araken. Foi o recorde de gols em uma única partida, só sendo superado 37 anos depois por Pelé.
Durante toda a disputa estadual o clube venceu por placares elásticos, o que resultou em 100 gols pró, média de 6,25 gols por partida. Mas a excelente campanha não foi coroada. O primeiro título importante chegou apenas em 1935. Em 17 de novembro daquele ano, no Parque São Jorge, o Peixe bateu o Corinthians, por 2 a 0, com gols marcados por Raul Cabral Guedes e Araken Patusca. Assim, o Santos FC conquistava seu primeiro título paulista.
Era Pelé
Apesar de já ser reconhecidamente um grande clube em âmbito estadual, o Santos só se tornou no que é hoje, após a aparição de um certo Pelé. Trazido pelas mãos de Waldemar de Brito, em 1956, o jovem Edson Arantes do Nascimento, então com 15 anos, colocou o nome do clube da Vila Belmiro na história. Ao lado de craques como Pepe, Zito, Coutinho, entre outros, o Peixe se tornou em um dos maiores clubes da história.
Nos quase 20 anos no Alvinegro, Pelé participou da conquista de dez títulos paulistas, quatro do Torneio Rio-São Paulo, um do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, cinco da Taça Brasil, dois da Libertadores, dois mundiais, uma Recopa sul-americana e uma Recopa Intercontinental. Foram 1116 partidas e 1091 gols, média de quase um por jogo.
Garotos da Vila e declínio
Depois de comemorarem muito com a era Pelé, os santistas sofreram muito nos anos seguintes. O clube ainda chegou a ter uma grande geração, denominada “Meninos da Vila”, formada por Juary, Nílton Batata, Pita, Aílton Lira… Eles levantaram a taça de campeões paulistas de 1978. Seis anos depois, Serginho Chulapa levou o Peixe a conquistar o título também em 1984.
Foi a partir deste ano que começou declínio alvinegro. Foram 13 anos sem conquista alguma. Jejum quebrado apenas com o extinto Torneio Rio-São Paulo de 1997. Um ano depois, o time voltou a levantar um troféu internacional com a conquista da também extinta Copa Conmebol.
Mas para recuperar o prestígio em cenário nacional, ainda faltava ao clube da Vila Belmiro um título de expressão. Isso, porém, só foi acontecer em 2002, ano em que o clube completou 90 anos. O Santos conquistou, pela primeira vez, o principal torneio nacional, o Campeonato Brasileiro.
O time que conseguiu a conquista foi, basicamente, formado na Vila Belmiro. Os novos “Meninos da Vila” viraram febre no Brasil inteiro e a dupla Diego e Robinho se tornou símbolo de um futebol vistoso e alegre, junto de Renato, Elano, Alex e Léo. Ainda com Robinho, desta vez sob o comando de Vanderley Luxemburgo, o clube voltou a ser campeão nacional em 2004.
Nos últimos anos, apesar de ter recebido grandes investimentos do atual presidente Marcelo Teixeira, o Santos se limitou a vencer apenas dois campeonatos paulistas (2006 e 2007). A meta deste ano é surpreender e quem sabe voltar conquistar um título nacional. O que, por enquanto, parece um pouco distante.





































































































































