Opinião FI: O perfil dos times novatos da Série A2
A definição dos quatro times que conseguiram o acesso dentro do campeonato Paulista da Série A3, domingo, confirmou uma tendência do Interior com a formação de um novo perfil para os clubes de sucesso. Garantiram o acesso, dentro de campo, basicamente clubes-empresas: Pão de Açúcar, Votoraty, Grêmio Osasco e Osvaldo Cruz.
Estes novatos vão ocupar as vagas de quatro clubes tradicionais, que num passado, mais distante ou até mesmo recente, estiveram lado a lado com as grandes forças do futebol paulista. São eles: Ferroviária, Comercial, Portuguesa Santista e Juventus. Estes dois últimos, inclusive, há poucos anos estavam na Série A1.
Como explicar este fenômeno? É fácil para quem conhece de perto a realidade dos clubes do interior. Acontece que estes clubes tradicionais foram abandonados, forçosamente, pela criação da Lei Pelé, que puniu severamente os clubes formadores de craques. Um castigo para o interior paulista, sempre o maior celeiro de craques do Brasil.
Soma-se a isso a falta de interesse da Federação Paulista de Futebol (FPF) no crescimento destes clubes. A filosofia da FPF é madrasta: os clubes pequenos devem sempre ser cada vez menores. Afinal de contas, eles não recebem quase nenhuma ajuda financeira da entidade, a qual cobra taxas altíssimas para que os clubes apenas participem de suas competições. Um absurdo! Falta estímulo, sobra descaso.
Outro ponto é culpa dos próprios clubes, desorganizados e amargando dívidas trabalhistas impagáveis. São clubes sem perspectiva. Ao contrário são os novatos, que chegam à Série A2 com formato diferente, baseados na estrutura clube-empresa.
Pão de Açúcar em alta
Chega à Série A2 com segundo acesso seguido. Conta com a experiência de José Carlos Brunoro e auxiliares dedicados, como Thiago Scuro e Vincenzo Roma (foto). Com alguns retoques, o time pode estrear no Paulistão em 2011. Seu CT na capital é ajeitadinho e o clube já planeja a construção de um estádio próprio. Por enquanto manda os jogos na confortável Rua Javari, na Mooca.
Votoraty com força política
O time de Votorantim foi comprado nesta temporada pelo Grupo Leão, que teria muitas ligações com o ex-ministro Antônio Palloci, também ex-prefeito de Ribeirão Preto. Ou seja, além de ter uma administração profissional, conta fora de campo com muita força política. Mas vai ter que correr atrás do prejuízo, porque seu estádio é incapaz de atender as exigências da divisão.
Osvaldo Cruz foi a zebra
A campanha vitoriosa deste clube aconteceu graças à união de toda a cidade, de 30 mil habitantes. E porque teve bons técnicos como Candinho Farias, que montou a base antes de ir para o Guaratinguetá, e depois João Martins (foto), atualmente um “midas” no interior. Antes de subir o Osvaldo Cruz ele salvou o Gremio Catanduvense do rebaixamento na Série A2.
Osasco defende cidade
O Grêmio Osasco também é novato, mas tem o apoio da prefeitura. Aliás, há muito a prefeitura queria investir pesado no futebol, mas a cidade contava com dirigentes viciados e com reputação duvidosa. Resultado: a prefeitura formou um novo time, sem os antigos cartolas. E se deu bem. Os maus dirigentes, muitos deles corruptos, devem ser abolidos do futebol.





































































































































