Crônica Fauzi Kanso: Votuporanguense e XV de Piracicaba
Campinas, SP, 17 (AFI) – Outro dia, num estacionamento no centro da cidade, encontrei-me com Peri Chaib, o maior pontepretano que conheço. O Peri que foi fundador do Gazeta, um dos mais antigos e
tradicionais clubes de Campinas, ocupou todos os cargos possíveis na velha “macaca”.
Depois de criticarmos o estado de abandono em que se encontra a cidade de Campinas, com prédios pichados, camelôs por todos os lados e sujidade que não existe em outra cidade, o Peri me perguntou se tenho ido à Votuporanga e se tenho encontrado o SANTANA, nosso glorioso FIFI.
O FIFI, ainda garoto, também jogou pelo Gazeta e o Peri sempre foi seu fã.
“O meu irmão Tufy, grande técnico e conhecedor do futebol, sempre dizia: o Pelé só foi melhor que o FIFI porque era mais inteligente”, disse Peri Chaib, que na última quarta-feira completou mais um aniversário.
Conversa vai, conversa vem, o Peri me disse:
“Fauzi, uma partida que assisti no Pacaembu e que jamais esqueci foi Votuporanguense e XV de Piracicaba, decisão que levou o XV para a divisão especial. Até hoje não consigo entender como a Votuporanguense perdeu aquele jogo”, disse Peri, que continuou falando:
“O primeiro tempo terminou três a um para a Votuporanguense que tinha um timaço com Raimundo, Nelson, Fifi e outros tantos craques que hoje seriam jogadores da Seleção Brasileira. Inexplicavelmente no segundo tempo o XV virou e ganhou por quatro a três.
“Você que morou em Votuporanga e que acompanhou esse jogo, tem alguma explicação sobre o que aconteceu ?” – perguntou Peri.
— Não, não existe explicação. Naquela época se os dois times jogassem dez vezes, a Votuporanguense ganharia as dez, respondi.
À bem da verdade, eu disse ao Pery que na época houve muito bate-boca e acusações. Como a briga era de “cachorro grande”, ninguém da cidade quis questionar ou saber mais detalhes. Nem mesmo a imprensa local que dependia da verba publicitária de alguns diretores.
Parte da torcida ficou mais conformada quando o diretor de futebol, SALIM BONITO, afirmou:
“Não adiantava a Votuporanguense ganhar que não ia subir para a Divisão Especial”. A afirmação era em função do Estádio Plínio Marin não comportar mais que cinco mil pessoas.
Pela movimentação e euforia que tomou conta da cidade, acredito, esse não teria sido o maior entrave. Times da região, sem estádio com maior capacidade, subiram e se mantiveram: Taquaritinga, Catanduvense, Novorizontino, Oeste de Itápolis, entre outros.
Depois que inventaram a arquibancada modulada, hoje muito comum em festas do peão e até mesmo na Fórmula Um, a Votuporanguense tinha, sim, meios de subir e disputar o maior campeonato do Estado, que é o segundo maior do Brasil.
— E você, Fauzi, não tinha um plano para a Votuporanguense ?, perguntou Peri.
–– “Tinha, até já havia recebido apoio do Cilinho, interessado em reviver lá os “Menudos” do São Paulo; do Leonel, presidente do Guarani, cedendo jogadores do amador bugrino; do Ladeira, técnico do juniores do Corinthians; do Havilla que ia nos dar o suporte administrativo e cedendo jogadores do Desportivo Brasil; do Edmar Costa, com sua agencia de publicidade – OAMA – em Manaus, que faria todas as campanhas, e muito mais gente interessada em nos ajudar.
Entretanto, a administração pública da cidade (prefeito e vice), segundo soube pela imprensa, negociou o maior orgulho dos Votuporanguenses com um grupo desconhecido do meio futebolístico brasileiro.
Que pena, respondeu, se despedindo, Pery Chaib.
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