Opinião Abner Luiz: Bebês e ainda limpinhos...

Belém, PA, 22 (AFI) – O jornalista Abner Luiz, um dos maiores nomes da imprensa paraense, faz uma aborgam especial para o Portal Futebol Interior, envolvendo a atual realidade de clubes tradicionais, como o Paysandu e clubes que estão surgindo agora no cenário nacional.

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Bebês e ainda limpinhos, por Abner Luiz*
Vem sendo comum no Futebol Brasileiro equipes muito pequenas e desconhecidas chegarem a Série B e para isso além de competência é claro, temos o principal: Por serem bebês e sem muitos investimentos pouco ou nada devem bem diferente de muitos que tem um histórico de dívidas trabalhistas e pagam contas ao longo do tempo que comprometem e tiram dos clubes a possibilidade de investimento.

Não vamos longe, aqui no meu Estado do Pará, por exemplo, o Paysandu que figurou faz menos de cinco anos da primeira divisão, Libertadores, Copa dos Campeões e há três anos não consegue sair da terceira divisão que antes era chamada de inferno, porém agora fica um pouco acima do Diabo que é a Série D.

Essas equipes que devem muito pouca credibilidade tem tido no mercado para contratar bons treinadores e atletas pelos calotes e sem o recurso mesmo para pagar uma folha atrativa e de qualidade o que ainda não garante a acesso no final do campeonato.

Enquanto isso equipes mais modestas, de menos tradição e de cidades pequenas no interior apostam em novos treinadores, bem diferente da panelinha e do círculo vicioso que existe nas divisões menores, são sempre as mesmas caras, em jogadores também escolhidos a dedo e financeiramente garantidos pelo planejamento que fizeram ou com o dinheiro do patrão do time, ou com a coleta das empresas, mercadinho, farmácias e se o time for bem ainda ganham com bilheteria e venda de camisas.

Algumas vezes, esse time se classificou na temporada passada e no ano que vai disputar uma competição nacional, foi um dos piores times no Estadual, pois ali estava se preparando para não só disputar como passar de divisão no nacional.

Se por um acaso o time não for bem, todos vão embora e a vida continua já em equipes que tem nome, idade e tradição, junto vem falta de salários, cobrança da torcida e da mídia e, além disso, o Oficial de Justiça na porta do clube.

Esqueci de dizer também que nas equipes que não conseguem retornar as Séries A ou B os dirigentes costumam comer Urubú e querem arrotar Filé! Sendo mais claro, nem pensar em contratar um jogador que não seja conhecido ou um treinador que não faça parte da panelinha do Sul ou do Interior de São Paulo.

Agora uma coisa é certa, quem com pouca estrutura chega a uma série B, não vai esquentar lugar e pode inclusive num prazo bem curto, virar um clube com dívidas e história bem parecida com o que nós contamos aqui.

Para se despedir digo: Nunca foi tão fácil subir da C para a B, e nunca foi tão triste ver camisas de tradição e milhões de torcedores apaixonados pagarem o pato pelo galinheiro que fizeram na administração de clubes inclusive centenários.

* Abner Luiz A. de Araújo, 32 anos, é Jornalista, Radialista, Publicitário e Pós Graduado em MKT na FGV atuando em vários veículos de comunicação de Belém-PA.