"Queria encerrar a carreira no clube que me revelou", diz Amoroso

Campinas, SP, 25 (AFI) – O atacante Amoroso, de 35 anos, pretendia retornar ao Guarani após recuperar-se de uma lesão no tornozelo direito. O ídolo bugrino, formado nas categorias de base do clube, no entanto, viu seu desejo impedido pelo presidente Leonel Martins de Oliveira, que em momento algum apresentou uma proposta oficial ao jogador.

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“Queria encerrar a carreira no clube que me revelou. Passei para o presidente que eu voltaria quando estivesse recuperado, e agora estou bem. Como ele é o presidente, estou esperando o contrato até agora”, lamenta Amoroso.

No início do ano, Amoroso acertou o retorno ao Guarani, para festa dos torcedores, que promoveram uma grande recepção ao ídolo e criaram uma enorme expectativa. Uma complicada lesão no tornozelo, no entanto, afastou o atleta dos gramados e permitiu que ele atuasse em somente um jogo no Campeonato Paulista: o dérbi contra a Ponte Preta, quando ele foi titular e teve grande apresentação.

Nesta segunda-feira, no entanto, Leonel surpreendeu a todos e convocou uma coletiva de imprensa no clube para anunciar, entre outras coisas, que Amoroso não seria mais contratado. “Fiquei surpreso, e esse tipo de situação mostra que as pessoas, quando fazem algo errado, precisam dar justificativas. Eu estou bem tranqüilo, já que meu maior desejo era voltar a defender o Guarani”, diz Amoroso.

Falta de acordo
Ele explica melhor a situação. “O contrato estava pronto e com o Leonel. Precisava apenas mudar as datas e o nome da competição. Não pedi nada a mais. O que estava acertado desde o começo era o mesmo salário, de R$ 20 mil. Mas nunca recebi nada oficial, só da boca para fora”, relata Amoroso. “Como nada acontecia, cheguei a propor ao clube que me oferecesse um contrato de produtividade, que me pagassem por partida jogada, mas nunca me deram resposta”, completa.

Amoroso se encontrou algumas vezes com Leonel Martins de Oliveira nos últimos meses, sempre na clínica do fisioterapeuta e representante do jogador, Nivaldo Baldo. Os motivos das visitas, porém, nunca foram conversar com Amoroso. Mas, nos encontros, eles acertaram que quando ele estivesse bem, nada impediria sua volta. “Conversei com o presidente várias vezes. Disse para ele que queria apenas um contrato para me apresentar. Não sou jogador de ficar fazendo teste”, diz.

Em muitas oportunidades, também, o interlocutor de Amoroso foi o vice-presidente de futebol do Guarani, José Vitorino dos Santos, mais conhecido como Zezo. “Falei pela última vez com o Zezo, que é o braço direito do Leonel, no sábado. Passei sobre o contrato de produtividade e disse que era a última vez que entraria em contato. Sugeri também que eu levasse um patrocinador para as mangas, que me pagaria e eu daria um percentual ao clube. E nada”.

Comissão técnica queria
Agora, o desejo do torcedor bugrino era ver mais uma vez Amoroso vestindo a camisa verde e branca do Guarani – ainda mais em um momento que o time carece de um segundo atacante e mais criação nas jogadas. A comissão técnica, inclusive, chefiada pelo técnico Osvaldo Alvarez, queria o retorno do jogador.

“O Vadão foi na minha casa jantar, olhou nos meus olhos e viu que eu estava pronto. Me disse que ia indicar para o presidente minha contratação”, conta Amoroso. “Nesse dia mesmo eu chamei o Leonel para jantar na minha casa, mas ele disse que não podia e não apareceu, foi só o Vadão”, conta. “Tenho certeza que eu seria muito importante para o Guarani nesse segundo turno do Campeonato Brasileiro da Série B. Um jogador com a minha experiência ajudaria muito. Em toda minha carreira, nunca atrapalhei pelos clubes que passei, sempre fui um atleta de grupo e só ajudei. O grupo do Guarani, inclusive, é muito bom, tem comprometimento, e muitos atletas me ligaram pedindo para eu voltar”.

“A verdade é que o Leonel nunca me quis de volta no Guarani. Ele acha que eu sou cria do Beto Zini, ex-presidente, porque fui revelado na gestão dele. Só voltei porque a torcida do Guarani queria muito, e fico triste com toda essa situação, porque foi uma infantilidade da parte do Leonel”, relata o jogador.

Amoroso, agora, pretende dar seqüência à carreira, e interessados para isso não faltam. “As propostas sempre aparecem para mim”, conta. O objetivo de retornar ao Guarani, porém, não foi desfeito. “Meu sonho é ser presidente um dia. Em 2011 terei 37 anos. Quem sabe…”. Leonel, porém, suspendeu a compra de títulos patrimoniais do clube, uma exigência para a candidatura.