Adeus do jornalista Wagner Bellini emociona Araraquara
Araraquara, SP, 27 (AFI) – O jornalismo esportivo perdeu nesta quarta-feira um dos nomes mais expressivos de sua história. Wagner Bellini, de 64 anos, editor de esportes da Tribuna Impressa por mais de uma década, não resistiu e morreu de insuficiência respiratória em virtude de um câncer na garganta, por volta das 6h30 da manhã, na Santa Casa de Misericórdia, em Araraquara.
Confira:
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Inúmeros atletas e ex-atletas, fãs, ouvintes, autoridades e pessoas ligadas ao esporte e principalmente à Ferroviária, além de familiares e amigos, deram o último adeus ao jornalista que ficou marcado pela impressionante e marcante voz, inconfundível, em todas as transmissões da equipe de esportes “Os Campeões da Bola”, no ar há 23 anos pela Rádio Cultura AM de Araraquara.
A carreira de Wagner Bellini começou aos 19 anos, com um teste para locutor na então Rádio Voz da Araraquarense, hoje Rádio Morada do Sol. O jovem jornalista foi aprovado e logo indicado para fazer o que sempre sonhou: ser repórter esportivo. Na mesma época já se dividia na redação do Jornal Diário da Araraquarense. Dentro de campo, consagrou o bordão “legal” com que encerrava e iniciava todos os seus comentários e participações. Há cerca de dez anos, passou ao posto do “plantão” esportivo, onde ficou até este ano.
Tribuna Impressa
Na Tribuna Impressa, além de coordenar todo o departamento de esportes, também editou a histórica e polêmica coluna “Olho Vivo”, em que alfinetava atletas, treinadores e pessoas ligadas ao esporte, além de ter participação fundamental nas outras editorias.
Há um mês, Waguininho precisou ser afastado das atividades profissionais. Por quase 50 anos sua voz envolveu o imaginário de quem acompanhava as emoções da bola dentro das quatro linhas do campo pelas ondas do rádio. Wagner Bellini, o nosso Bilú, ou Tico-Tico, como sempre foi carinhosamente chamado nas redações, contraria a tola tese de que ninguém é insubstituível.
Seu nome, sua ética, sua forma de trabalhar, seu carisma, seu talento e sua voz inesquecível serão lembrados para sempre. Todos os dias. Em cada matéria publicada no Caderno de Esportes da Tribuna Impressa sempre terá a presença de Wagner Bellini, que trocou a camisa grená da Ferroviária para brilhar com a camisa azul-celeste do céu. Obrigado, Mestre!
Amigos dão o último adeus
Assim que a primeira notícia sobre a morte de Wagner Bellini foi veiculada no Portal Tribuna, quarta-feira de manhã, centenas de mensagens encheram a caixa de emails do Jornal. Resultado do imenso carisma conquistado pelo jornalista durante toda a sua carreira.
“Foi uma amizade sincera de muitos e muitos anos. O Wagner [Bellini] foi a pessoa mais competente que eu tive a honra e a felicidade de trabalhar. Quando eu dizia nas transmissões “legal, Wagner Bellini, o melhor plantão esportivo do interior”, não era uma fantasia. Ele realmente era o melhor”, relembrou José Roberto Fernandes, da Rádio Cultura.
Para Roberto Schiavon, filho do jornalista Sidney Schiavon e torcedor fanático da Ferroviária, Wagner Bellini foi e será sempre uma referência. Por isso, trabalhar com ele foi a realização de um sonho de infância. “Eu cresci ouvindo sua voz nas transmissões dos jogos da Ferroviária e convivi com ele há muitos anos, quando trabalhou com meu pai na Rádio Cultura. Sua imagem sempre foi ligada a um tempo bom de minha infância”, afirmou.
“Aqui em Araraquara não teve melhor”, contou Douglas Neves, atual coordenador das categorias de base da Ferroviária e que já comandou por muito tempo o time profissional. “Ele [Wagner Bellini] acompanhou toda minha carreira e sempre foi acima de tudo um amigo de todos nós”, completou Narciso Marsilli, um dos maiores goleiros da história da Ferroviária e atualmente preparador de goleiros da equipe grená.
“Nosso professor”
José Roberto Fernandes, companheiro dentro e fora das transmissões esportivas, também falou do legado deixado pelo amigo. “O Vagner sempre foi um exemplo de dedicação e profissionalismo para os que se aventuram nesta profissão tão difícil do rádio esportivo. O legado dele é grande, muito importante não apenas para os jovens, mas para mim e para todos nós que estamos aprendendo no dia a dia. Aprendemos muito com ele e com certeza sua lembrança vai nos orientar por muito tempo”, completou.
O repórter fotográfico, Mastrângelo Reino, que trabalhou na Tribuna Impressa e está na Folha de S. Paulo, também lembrou do mestre. “A seleção do jornalismo esportivo perdeu um grande mestre. Eu, desde pequeno, ouvia os jogos da Ferrinha e adorava quando ele dizia “legal”, sua marca registrada. Fico muito feliz por ter trabalhado ao lado deste grande jornalista, que com seu “vozeirão” eu sempre achava que tinha uns dois metros de altura. Quando o conheci aprendi que um grande homem não precisa ser alto. É isso aí, grande Bilú. Vai com Deus e lá de cima vamos torcendo para nossa gloriosa Ferrinha”, escreveu.
“A imprensa esportiva de Araraquara foi amputada de um membro que não terá reposição. A alma do mestre descansará em paz, enquanto que os gols que saírem nas rodadas serão mais feios sem serem anunciados pela voz do “Legal””, escreveu Paulo Roberto Braga Vidal.
Uma referência
“O Wagner Bellini aqui em Araraquara se tornou uma referência. O radialista e o jornalista quando ficam muitos anos nisso, eles entram na casa das pessoas e travam uma convivência com o fã de esporte e o torcedor. O Wagner chegou num ponto que o que ele falava ganhava importância, mesmo que alguém discordasse. Ele virou a voz do futebol em Araraquara”, disse José Eduardo de Carvalho, editor da Tribuna Impressa.
O jornalista fez história. E os alunos agradecem. “Senhor Waguininho, nosso grande professor… Muitas histórias para contar. Na imprensa local, com certeza fica uma lacuna. As notícias de esporte nunca mais serão as mesmas. Senhor Bilú, muito obrigada! Fique com Deus!”, também escreveu a repórter Fernanda Manécolo, da Tribuna.
O ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, também manifestou pesar pela morte do jornalista. “Araraquara perdeu um grande profissional da comunicação e do esporte, mas, sobretudo, um grande cidadão. Um homem que deixará marcas na história do rádio araraquarense pelo seu forte comprometimento”, disse Edinho.
“Aprendi muito com ele nesta redação e muitas de suas palavras guiam meu crescimento profissional…que siga em paz…”, também escreveu a editora Fernanda Miranda, da Tribuna Impressa e do Portal Tribuna.
O Portal Tribuna fez um vídeo em homenagem ao mestre Wagner Bellini. Nele, incluiu a última entrevista dada por ele ao próprio Portal em setembro de 2008. Para assistir é só clicar no link abaixo.
http://www.tribunaimpressa.com.br/Multimidia/Videos/ExibirVideos.aspx?id=1161





































































































































