Árbitro pode falar, mas não sobre lances do jogo

Árbitro pode falar, mas não sobre lances do jogo

Devido à equivocada interpretação por parte de alguns de uma de minhas recentes determinações, esclareço que:

1 – Em nenhum momento os árbitros que atuam nas séries A, B e C do Campeonato Brasileiro foram proibidos de conceder entrevistas, fato este que, por si só, já derruba a denominação de “Lei da Mordaça”, adotada de forma maldosa e irresponsável por alguns órgãos de Imprensa.

2 – A determinação é que nenhum integrante do quadro nacional de arbitragem conceda declarações sobre lances de interpretação técnica e disciplinar do jogo. A decisão tomada por um árbitro dentro de campo é soberana e, portanto, nada acrescentará a ele explicar por que anotou ou não anotou determinada infração, por que advertiu ou não advertiu determinado atleta e/ou treinador, etc.

3 – Assim como alguns se autoqualificam adeptos da transparência, também esta presidência interina da CA-CBF assim opta. Porém, não foge ao seu dever de preservar a imagem e a independência de cada árbitro, seguindo as orientações da Fifa.

4 – Por falar no órgão máximo do futebol mundial, vale lembrar que as diretrizes para os oficiais de arbitragem da FIFA, em seu item 9.4, página 18, que trata das Entrevistas, define: “Está estritamente proibido que os árbitros e os árbitros assistentes concedam entrevistas sobre o desenvolvimento da partida. O comissário se assegurará de que a imprensa não se dirija aos árbitros e árbitros assistentes. O comissário agirá com discrição para com a imprensa e não comentará decisão tomada pelo árbitro ou árbitros-assistentes, muito menos fará comentários sobre possíveis decisões dos tribunais com relação aos incidentes que tenham ocorrido na partida”.

5 – Relembro que, desde janeiro de 2005, disponibilizei aos árbitros, via SAFESP, uma empresa responsável pela Assessoria de Imprensa não só da entidade, mas também de cada um de seus árbitros filiados – a Golaço! Comunicação Ltda. Foi graças a esta atitude, por sinal, que muitos integrantes do quadro paulista já participaram de inúmeros programas de TV, principalmente um apresentado por certo jornalista que, em 29 de agosto passado, classificou-me como “burro” em entrevista que concedeu ao Jornal da Tarde. Apesar de respeitá-lo, coloco à sua disposição minha formação acadêmica e os 26 anos de trabalho no mundo da arbitragem, fatos que fazem cair por terra o adjetivo com o qual me qualificou.

Agradeço as mensagens recebidas de todo o País referente à Circular 42, que reavivou várias situações já previstas nas regras e que são de conhecimento dos oficiais de arbitragem. Ocorre, porém, que observamos a falta deste atributo de maneira geral, o que tornou sua divulgação de suma importância para os árbitros.

Projetos para a Arbitragem Brasileira
Nesta coluna divulgo também parte do projeto para que todos possam debater e participar das alterações que serão sugeridas à arbitragem nacional.

Ranking da Arbitragem Brasileira
No âmbito profissional, estamos realizando um levantamento das notas atribuídas pelos Observadores de Arbitragens aos Oficiais de Arbitragens em 1.116 jogos (2006) que, somadas ao mesmo número do ano em curso, darão um total de 6.696 notas atribuídas aos árbitros e árbitros-assistentes que atuaram nas séries A, B e C.

Além das notas pelo desempenho técnico, que têm peso 3, utilizaremos os resultados das avaliações físicas e teóricas de 2006 (evidentemente já realizadas) e de 2007 (falta apenas a física, agendada para setembro próximo).

Estas avaliações terão, respectivamente, pesos 2 e 1 para, desta forma, fecharmos o ranking da arbitragem nacional. São dados objetivos, que irão definir a posição dos árbitros, com acesso e descenso no início e no meio das temporadas. Estas medidas serão definidas em regulamento específico.

Permito-me destacar que, desde 2000, apresento este o projeto, mas somente obtive sucesso em 2006, quando o Cel. Marinho, presidente da CEAF-SP, criou o ranking da arbitragem paulista.

Após um ano da inusitada experiência, recebi a incumbência de presidir a comissão responsável pela atualização do regulamento de arbitragem, o que foi feito com vários companheiros. Nasceu assim um novo documento, que está próximo dos anseios dos árbitros.

Além desta novidade, outros órgãos serão criados: Conselho Técnico de Análise (Ouvidoria), Conselho de Orientação Teórica e Prática, Comissão de Avaliação Física e Corregedoria. Estes assuntos ficam para a próxima coluna.

Dentre todos, o que nos dará maior prazer será o Conselho de Orientação Teórica e Prática, que contará com a indicação de orientadores estaduais com elevado conhecimento para este trabalho. Estes orientadores serão avaliados pela subcomissão de ensino e serão os responsáveis pela melhoria da arbitragem nacional.

Curtíssimo prazo: Futuras Promessas
Levantaremos os árbitros e árbitros-assistentes que, nos últimos dois anos, demonstraram boa performance, relacionando-os até o final da competição faremos, também, o mesmo trabalho com uma segunda lista, relacionando-os para as Séries B e C, dando um tratamento de qualidade a estas divisões.

Utilizaremos as futuras promessas nas séries B e C (até a terceira fase). Os destaques poderão ser utilizados na quarta fase.

Curto prazo: Currículo Mínimo
A CA-CBF está elaborando um currículo mínimo nacional contemplando todas as disciplinas necessárias, de forma que tenhamos uma formação próxima da uniformidade em níveis de conhecimento, aplicação e domínio pleno. Esta formação estará vinculada à EBF (Escola Brasileira de Futebol), composta por sete instrutores da Subcomissão de Ensino, sendo que teremos um de cada região coordenando, de forma regionalizada, a formação.

Teremos, ainda, um acompanhamento através dos instrutores supracitados também nas regiões das revelações que surgirem, acompanhando-as e as auxiliando na progressão de suas carreiras.

Médio Prazo: Aprimoramento
Por intermédio de um acompanhamento constante da Subcomissão de Ensino juntamente com a Comissão de Árbitros da CBF, estaremos fazendo um programa de verificação, reciclagem e, posteriormente, o aprimoramento necessário para então termos uma qualidade verdadeira em nível estadual na formação, e utilização nas competições regionais, para o emprego destes profissionais nas escalas nacionais. O árbitro confederado não pode ser preparado nas competições nacionais, mas nas estaduais.

Outras mudanças serão preparadas para implementação em 2008 ou, se for o caso, deixadas para análise dos sucessores.

Observadores de Arbitragens
Pretendemos alterar a forma de escolha dos Observadores. Se possível, faremos um vestibular de acesso, com ex-árbitros, ex-assistentes e pessoas com notório saber (não existindo a necessidade de ter sido árbitro) para compor este novo quadro. Solicitamos sugestões. A decisão final sempre será da Comissão.

Presidência Interina da CA-CBF
Apenas para restabelecimento da verdade: não deixei funções. Apenas diminui um pouco o ritmo. Mas, mesmo assim, continuo recebendo pedidos para colaborar em várias entidades e, mesmo licenciado das funções na secretaria-geral da EAFI, estarei colaborando com a Direção da Escola, com a CEAF e com os Árbitros.

Aproveito para agradecer ao Cel. Marinho a oportunidade de ter presidido a comissão que alterou o regulamento geral da arbitragem que, hoje, está próximo daquilo que tanto sonhamos.

Agradeço, ainda, ao Dr. Marco Polo Del Nero, pelas oportunidades e pelas referências positivas que têm feito sobre a nossa contribuição à arbitragem paulista e, neste momento, brasileira. Como disse ao ilustre presidente, estou há 26 anos dedicando-me apenas à categoria e os frutos obtidos não se deveram à cor dos meus olhos, mas ao trabalho incansável em projetos que têm colaborado para a melhoria da arbitragem.

Uma única tristeza é que o ranking e o regulamento da arbitragem já poderiam ter completado oito anos, pois dirigentes de outrora receberam o projeto e o engavetaram. Quando o Cel. Marinho colocou o assunto em pauta, além de ficar feliz, tive o prazer de poder colaborar um pouco.

Assuntos Institucionais

Federação Brasileira dos Árbitros de Futebol
Em 28 de julho o Sindicato participou da Assembléia Geral e na oportunidade foi eleito o Árbitro Internacional, Carlos Eugênio Simon (RS) para continuar o legado de Márcio Rezende Freitas. Esta instituição foi fundada pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol, em 15 de novembro de 2002, em Cuiabá – Mato Grosso. A FEBAF, assim que conseguir o registro sindical, no Ministério do Trabalho deverá assumir a direção da arbitragem brasileira. No momento e como previsto na fundação da entidade de segundo grau, a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol continua suas atividades.

Campeonato Feminino 2005/2006
Relembro aos árbitros que o documento protocolado na FPF e destinado ao Dr. Marco Polo Del Nero, com cópia à Comissão de Árbitros, está fixado na sede da entidade. No referido documento informamos a resposta da Secretaria, que nos enviou um documento comunicando ter pago as taxas à Federação Amadora.

Cooperativa dos Árbitros
Muitos árbitros entraram em contato para demonstrar preocupação com a fundação da Cooperativa dos Árbitros do Estado de São Paulo. Aproveito a oportunidade para dizer que este assunto foi sugerido há um ano e está em processo de formação, com as reuniões sendo coordenadas por Silas Santana, Ouvidor da Arbitragem.

Auxílio a Associados
Graças a uma sugestão desta presidência, conseguimos o auxílio para os árbitros que – em atividade no futebol profissional – sofram algum tipo de lesão. A FPF fechou um contrato com a Metlife, todavia o elevado número de lesionados inviabilizou o benefício por culpa da seguradora, que encerrou o contrato. Levamos o assunto à presidência e sugerimos a destinação de um salário mínimo para fazer face às despesas iniciais de tratamento. Tal benefício tem sido pago aos que comprovaram a lesão.

Seguro de Vida
Dentro do assunto benefício, lembro que 40% dos valores recebidos pelos 5% (cinco por cento) são destinados ao seguro de vida em grupo que, nos últimos quatro anos, minimizou a dor de seis famílias de companheiros nossos.

Psicóloga e Dentista
Dentro do assunto benefício, o Sindicato disponibilizou o serviço de atendimento de uma psicóloga na sede da entidade dos árbitros, e duas dezenas de árbitros estão recebendo tratamento odontológico.

Livro de Regras
Mais uma vez o SAFESP sai na frente e disponibiliza GRACIOSAMENTE aos associados o Livro de Regras 2007/2008, bastando apenas procurar a secretaria para retirar seu exemplar.

Instruções Adicionais para Árbitros
Uma novidade editorial será o livro “Instruções Adicionais para Árbitros” que, a partir do dia 28/08, estará disponível, sem ônus, aos associados.

Jogos da Cidade 2007
Em que pese a Secretaria não ter efetuado o repasse das taxas de arbitragens dos Jogos da Cidade 2007, o SAFESP os tem efetuado normalmente.

Carteira Social 2007 e 2008
O associado não federado, jubilado ou temporário que esteja em dia com suas contribuições poderá retirar sua carteira social, levando apenas uma foto 3×4. É necessário, pelo menos, quitar a primeira parcela da anuidade.

Aproveito para conclamar os associados a iniciar a entrega das fotos 3×4 para prepararmos a confecção das carteiras 2008.

Lista Telefônica
Em 2008 disponibilizaremos a Lista Telefônica para os Árbitros, mas para tanto já expedimos três comunicados a fim de que os companheiros informem se desejam ou não ter os números de seus telefones divulgados. Faremos isto até dezembro.

Aproveitando o ensejo, solicitamos que os associados informem alterações cadastrais, principalmente os telefones para contato. Isto pode ser feito por carta simples, telefone, e-mail ([email protected]) ou pelo site www.safesp.org

DVD – Treinamento Prático
Aproveitamos o ensejo para parabenizar a FPF que, por intermédio da CEAF-SP e da EAFI, disponibilizou um DVD e o Regulamento Geral da Arbitragem, trabalhos para os quais me orgulho de ter contribuído. Este trabalho foi distribuído aos presidentes de comissões estaduais de arbitragens.