O orgulho de ser torcedor da Portuguesa de Desportos

O orgulho de ser torcedor da Portuguesa de Desportos

A coluna desta semana, que me perdoem os torcedores das outras equipes, eu vou dedicar a Portuguesa de Desportos, equipe que todos sabem, é aquela que eu simpatizo, para não dizer que torço mesmo, de forma verdadeira e sincera. E a minha Lusa está de volta a Primeira Divisão do futebol brasileiro, após cinco anos de amargura na Série B.

Antes de qualquer coisa é bom citar que esse calvário na Segundona foi justo e merecido. A Lusa teve administrações pífias, que a fizeram despencar no ranking de tal forma, que muitos em determinados chegaram a questionar sua sobrevivência no futebol.

Mas a Lusa é forte em suas entranhas e tem uma torcida fanática, pequena é verdade, mas apaixonada, que não merecia tal sacrifício a que foi submetida em várias terças e sextas feiras.

Esse martírio me ensinou muito em relação à vida a minha dedicação ao clube. E ficou provado para mim que tem sentido o ensinamento que diz que é nas horas ruins que o verdadeiro amor aparece. Eu posso afirmar sem nenhum medo de estar equivocado que após esses cinco anos eu torço muito mais do que torcia pela Lusa. Mas muito mesmo, a ponto de me pegar sofrendo e comemorando tudo o que envolvia o time com muito mais intensidade.

Senão como explicar eu debaixo de chuva acompanhando jogos no Canindé com mais 300, 400 torcedores no máximo, contra times inexpressivos?E mesmo perdendo, voltando a fazer o mesmo na semana seguinte?Como explicar viagens malucas pelo Brasil e pelo interior do estado de São Paulo, como um torcedor organizado, gastando dinheiro que às vezes não podia gastar para ver uma equipe fraca tecnicamente como várias que passaram pelo Canindé nos últimos anos?

Nesse momento de angustia meu amor cresceu. Talvez por perceber a carência do time eu tentei através deste amor suprir as dificuldades. E não foi só comigo não. Tenho certeza que isso também ocorreu com muitos e muitos torcedores. Aliás, um detalhe a parte, esses 5 anos renovaram a torcida da Lusa. Fico entusiasmado quando vou ao Canindé e vejo gente nova vestindo o manto sagrado com orgulho. A Lusa não é mais um time de velhos portugueses. È uma equipe que vem arrebatando amor de uma geração de descendentes e outros que estão cada vez mais orgulhosos em serem lusitanos.

Este ano de 2007 ficará marcado na história do clube. Foram dois acessos importantes e sim, obrigatórios. Não sei se financeiramente o clube seria viável em mais uma temporada na Série B. Tivemos um técnico que, mesmo sem ser brilhante (longe disso), foi eficaz naquilo que era necessário nesse tipo de disputa: a motivação. Benazzi, que como jogador vestiu a gloriosa camisa do clube, soube dar valor a ela como treinador. Resgatou com seu jeito irreverente o fato de que a Lusa é grande,é gigantesca, mesmo entre os pequenos. Fez com que o clube se impusesse tal qual deveria ser nas duas competições. Merece toda nossa eterna gratidão.

O elenco, se não formado por craques (embora Diego seja um acima da média), teve homens na verdadeira acepção da palavra, que se renderam ao orgulho de poderem um dia ter vestido a camisa rubro-verde com honra. Jogadores que entraram para a história, minha e sua, torcedor da Lusa. Um time que resgatou nossa alegria na arquibancada do Canindé.

A diretoria, a qual tenho e terei sempre restrições, merece aplausos também. Não serei hipócrita em esquecer aquilo que já escrevi aqui nesta tribuna para lamber aqueles que lá estão. Os erros do passado e até do presente ainda são muitos, mas sei que eles também sofreram e vibraram como eu e como aqueles que amam o clube. Mas, num contexto geral, quando um clube consegue dois acessos como fez a Lusa, algum mérito essas pessoas também tiveram.

Agora, um capitulo a parte, talvez um livro a parte, merece aquele que realmente torce pela Portuguesa. Ser torcedor da Lusa cheguei à conclusão é um dádiva de Deus. Que me perdoem os demais torcedores, que podem até estar me ridicularizando, mas esse é um sentimento único. Poucos no Brasil podem ser chamados de fiéis torcedores como os da Portuguesa. Fiéis, apaixonados, fanáticos, entusiastas, loucos, enfim, tudo o que você possa imaginar.

Em 2005 lá estavam 45 desses enfrentando um “Mundão do Arruda” lotado de torcedores do Santa Cruz (PE). Em 2006, um ano depois, 15 colocaram a cara na Ilha do Retiro para ver a Lusa escapar da degola contra o Sport (PE). Neste ano, outros 20 foram a Maceió (AL), ver o time decepcionar contra o CRB há três semanas. E durante os últimos cinco anos foi sempre assim. A Lusa jogando mal, pessimamente, bem, magnificamente, e essa torcida heróica se deslocou por todo esse Brasil.

Eu, graças a Deus, participei, hora como jornalista dentro de campo, hora como torcedor na arquibancada, de boa parte destes momentos. E não me arrependo. Muito pelo contrário. Orgulho-me. Um orgulho que não tem tamanho nesse meu peito de ser Torcedor Da Associação Portuguesa de Desportos.