Uma voz solitária pregando no Deserto

Uma voz solitária pregando no Deserto

“O futebol mudou muito.” Essa é uma das frases mais escritas e faladas por todos que trabalham no futebol. Ela também está na boca dos torcedores, quando fazem comparações do seu time atual com o de outras épocas. O futebol é negócio como outro qualquer. O objetivo é o lucro, como toda empresa, senão quebra. Não adianta colocar a culpa na Lei Pelé. É lógico que ela precisa de adaptações urgentes, mas não é totalmente culpada. Os dirigentes dos clubes precisam ser criativos, marqueteiros. Se não têm capacidade, que contratem pessoas competentes para funções estratégicas.

Vanderlei Luxemburgo (foto) já mandou um recado para ele, dizendo que aceitasse a situação, porque o futebol funciona dessa forma. Sérgio Guedes não precisa ficar batendo nessa mesma tecla, porque ele poderá ser um técnico vencedor. É jovem, faz um trabalho com competência e honestidade, é ousado, colocando o seu time no ataque. O que ele precisa é cada vez mais expandir os seus conhecimentos, aprimorar os seus métodos e fazer um foco único no seu time. E urgentemente esquecer o que fica fora das quatro linhas entre clubes e empresários porque as suas reclamações não encontram eco e ninguém quer saber delas. Os técnicos também precisam ficar atentos a essas mudanças. Sérgio Guedes (foto) é um deles. Técnico da Ponte Preta, ele foi um bom goleiro jogando pela própria Ponte entre 1984 e 1989. Depois passou pelo Santos, Goiás, Inter e Cruzeiro. Chegou a ser convocado pela Seleção Brasileira e jogou quatro vezes. Eu o vi jogar várias vezes, mas dois jogos ficaram na minha memória: um peru no meio das pernas em uma falta cobrada pelo Neto no derbi campineiro e uma atuação memorável pelo América de São José do Rio Preto, justamente contra o clube que o revelou, a Ponte. Pegou tudo!

Vi também o seu trabalho como técnico na Portuguesa Santista. Assisti a alguns jogos, inclusive um em Ulrico Mursa, contra o Marília, aquele em que o atacante Frontini abraçou o policial depois de marcar um gol. No ano passado, por várias vezes presenciei os seus treinamentos para os juniores da Ponte, em um campo de várzea na cidade de Valinhos, vizinha a Campinas. Dedicado, disciplinador, poderá ser um lançador de talentos. Pelas suas entrevistas, parece ser um homem digno, apesar de não conhecê-lo pessoalmente.

Quando Paulo Comelli foi dispensado e Sérgio ficou interino, eu acreditei que ele deveria ser o técnico do profissional, como foi e continua sendo. Está fazendo um bom trabalho no Paulistão, apesar que dos 11 jogos fez sete em casa. Agora acaba de perder duas consecutivas. O que está desgastante são as suas entrevistas, criticando clubes e empresários que estão assediando os atletas do seu elenco, para serem contratados após o término do Paulistão.Cansei de ouvir as suas reclamações com um discurso igual. Sérgio diz que os atletas precisam ter alguma coisa para contar na vida e isso é o que vai ficar para sempre, e tantas outras coisas que estão fora de moda. Ora, é lógico que o atleta precisa ter o que contar, mas o mais importante é contar o dinheiro que ele ganhou. E a mudança de clube sempre aumenta o saldo bancário.