Opinião Edmar Ferreira: Ufa! Acabou o sofrimento

Melhor não ter jogo da Internacional do que ter, e sofrer

Graças a Deus terminou para Internacional a Série A-2 do Campeonato Paulista. Eu confesso a você internauta, que não estava aguentando mais essas partidas apenas para cumprimento de tabela, principalmente pelas gozações que o Leão sofria nos gramados deste interior paulista, como em São José dos Campos, onde os torcedores passaram do limite.

Um time de tanta tradição como a Inter não pode ficar a mercê de uma campanha tão desastrosa como essa, talvez a pior de sua história com uma única vitória. Os dirigentes precisam acordar, pois ainda vivem o conto de fadas da conquista de 1986.

Amor
Todos sabem o amor que eu tenho pela Internacional e não é de hoje. Acompanho o Leão desde 1982, quando meu pai Edmundo Silva me levava para o Limeirão. Eu era fã de carteirinha do Carlos Silva, do saudoso Pecos, do categórico Manguinha e da patada atômica Gilberto Costa, entre outros.

Na época eu frequentava os vestiários e me deram até o título de mascotinho oficial do time. Desde aquele tempo eu guardo todas as fichas técnicas da Internacional e colecionava meiões usados pelos jogadores. Todo jogo eu ganhava um. Tenho saudade daqueles tempos de glória.

Tempo
O tempo passou, mas algumas pessoas continuam se achando donas da Internacional e olha que não estou falando do Richard Drago, pois esse tem crédito de sobra, já dedicou quase a vida toda ao Leão. É por isso que eu acredito plenamente que existe um planejamento para a volta da Internacional na elite paulista em seu centenário em 2013. Não é possível deixarem um clube tão conhecido nacionalmente a “Deus dará”.

Dá tristeza você entrar no Limeirão e ver tudo abandonado do jeito que está. Caramba, a Inter recebeu os melhores times do Brasil nos anos 90 e agora enfrentará os piores do Estado de São Paulo. Com todo respeito aos integrantes da A-3 de 2009, mas todos sabem que é uma “baba de quiabo”.

Balanço
Como prometi na coluna passada, fiz um balanço completo da Internacional no Campeonato Paulista da Série A-2. Deu tristeza de
acompanhar esses números. Foram 19 jogos, com 1 vitória (1 x 0 no Rio Branco em Americana), 6 empates e 12 derrotas, tendo marcado 21 gols e sofrido 38, saldo negativo de 17 gols. Dos 57 pontos em disputa, o Leão conquistou apenas 9 (nem dois dígitos alcançou).

Por esse retrospecto, dá para se afirmar que a lanterna, infelizmente, foi merecida.

Em casa
A Internacional jogou 9 vezes no Limeirão e não venceu nenhuma vez. Foram 3 empates e 6 derrotas, tendo marcado 11 gols e sofrido 22, saldo negativo de 11 gols. Dos 27 pontos em disputa no Major Levy, a dona da casa ficou com somente 3, uma barbaridade. Foram de casa foram 10 jogos, com 1 vitória, 3 empates e 6 derrotas, tendo marcado 10 gols e sofrido 16, saldo negativo de 6 gols. Dos 30 pontos possíveis, a equipe limeirense faturou 6.

Gols
A Internacional marcou 21 gols na Série A-2. Foram 9 com os pés, 11 de cabeça e apenas 1 de pênalti, sendo 10 no primeiro tempo e 11 na etapa complementar. Vale lembrar que o Leão desperdiçou três penalidades máximas: uma com Vinícius contra o Monte Azul, outra com Emerson em Americana e por último outra com Emerson contra o América, em casa.

O artilheiro foi Emerson com 6 gols, seguido por Maranhão (3), Perez (2), Vinícius (2), William (2), Domingos (1), Léo Rachid (1), Billy
(1), Gabriel (1), Fernando – goleiro (1) e Paulinho (1). Por outro lado, a Internacional sofreu 38 gols, sendo 18 com os pés, 13 de
cabeça e 7 de pênalti. Foram 15 gols no primeiro tempo e mais 23 no segundo tempo.

Técnicos
Talvez esse seja um dos motivos pelo doído descenso. Foram quatro treinadores, todos com desempenhos sofríveis. Carlos Alberto Seixas foi o primeiro a rodar, também pudera, conseguiu perder os três jogos à frente da Inter: 3 x 4 Oeste (C), 1 x 2 Botafogo (F) e 0 x 1 Portuguesa Santista (F). Veio Michael Robin e com ele mais três resultados negativos: 2 x 2 Santo André (C), 0 x 1 Bandeirante (F) e 0 x 2 Monte Azul (C).

O uruguaio Jorge Martinez não fugiu a regra e também ficou apenas três jogos: 2 x 2 Catanduvense (F), 1 x 2 Taquaritinga (F) e 0 x 2 Atlético de Sorocaba (C).

Valdir Perez
O último dos moicanos foi o heróico Valdir Perez, que não se importou com o pé quase na lama e foi à luta. Eu até acreditei que a Internacional fosse conseguir escapar, mas minha calculadora pegou fogo de tantas contas. Depois do empate por 2 a 2 contra o São Bento e a vitória sobre o Rio Branco, o Leão finalmente tinha deixado a última posição. Mas a goleada em casa para o América por 4 a 1 colocou tudo a perder.

Foi a “facada final”, o “nocaute anunciado”. Depois vieram as derrotas para Mogi Mirim (2 x 1), três empates seguidos contra
Comercial (2 x 2), Ferroviária (1 x 1) e São José (1 x 1) e as três últimas derrotas para Olímpia (1 x 0), XV de Jaú (4 x 2) e União São
João (3 x 1).

Aliás
Pela primeira vez eu não fiquei triste com uma derrota da Internacional e explico porque. Estava mesmo torcendo pelo União São João se classificar para as finais e acho que até os leoninos estavam com o mesmo pensamento.

O Leão foi hostilizado demais no Vale do Paraíba no empate por 1 a 1, mas o São José não esperava que fosse depender justamente da Inter na última rodada. Bem feito. O mundo dá volta meu amigo e os 3 a 1 levaram a Ararinha para a segunda fase.

E olha que a Inter deu um “sustinho” fazendo 1 a 0, mas depois a casa caiu, como de costume nessa A-2.

Favoritos
Analisando friamente os dois grupos da fase final da Série A-2, escolhi os meus favoritos à subir: Santo André e União São João no
Grupo 1 e Mogi Mirim e Atlético de Sorocaba ou São Bento (vai depender de quem vencer o primeiro derby) no Grupo 2.

Participações
A Internacional utilizou 36 jogadores na Série A-2. Os que mais atuaram foram o goleiro Fernando (18 jogos), Wellington (17), Vinícius (16) e Emerson (15).

Independente
Um Galo perfeito na defesa e eficiente no ataque. Esses foram os principais fatores da importante vitória contra a Francana,
sexta-feira à noite no Estádio Comendador Agostinho Prada, por 2 a 0, pela 14ª rodada da fase de classificação do Campeonato Paulista da Série A-3. Um Independente com garra, determinação e vibrando em todas as jogadas. O torcedor sentiu esse clima positivo e passou a jogar ao lado do Galo, que precisava da vitória para continuar a sua luta pela sobrevivência na divisão. Assim o Galo jogasse dessa forma em todas as partidas. Era líder.

Festa
Com o apito final do árbitro Douglas Marcucci, os jogadores galistas foram até o alambrado retribuir o carinho do torcedor. O próximo
compromisso será na quarta-feira, às 15h, contra o Flamengo em Guarulhos.

Definido
Para encarar o Mengão, revivendo a final da Copa Energil C, o técnico Cândido Farias perdeu o zagueiro e capitão Rafael Braga, que recebeu o terceiro cartão amarelo. Além dele, Borges, Albéris, Leandrinho e Mineiro seguem entregues ao Departamento Médico.

Por outro lado, o treinador galista terá de volta o volante Raniéri e o meia Everson, que suspensos, não jogaram contra a Francana. O Galo vai de: Fernando; Vinícius, Raniéri, Sandro e Augusto; Bruno Marinho, Milá, Leandro e Du Garcia (Rodrigo Lopes); Everson e Roni.

Agora estou torcendo por seu retorno. Quero ver o circo pegar fogo de novo, mas desta vez vou assistir de camarote…