"A mão que afaga é a mesma que apedreja"
"A mão que afaga é a mesma que apedreja"
“A MÃO QUE AFAGA É A MESMA QUE APEDREJA”
Augusto dos Anjos
Tenho uma fita VHS
O vestiário era o da equipe do Guará,
No Guará jogavam Triguinho, o lateral-esquerdo, ex-Figueirense, ex-São Caetano, ex-futebol da Bélgica, hoje no Botafogo do Rio; e o meio-campo, na época meia esquerda, Marcinho Guerreiro, ex-Figueirense, ex-Palmeiras, agora no Santos. O técnico do Guará era Gilmar da Costa, aquele ex-goleiro do Palmeiras, Juventus e Ponte Preta.
Meu filho era o Presidente do Corinthians Vale e tínhamos metido
Luciano e o Presidente festejavam juntamente com todos os outros jogadores e Comissão Técnica. E faziam pose para o cinegrafista. Houve churrasco e pagode até tarde na concentração do Corinthians Vale, em Tremembé, naquele sábado.
Era pedreira jogar em Guará, a pressão enorme. Mas, no final, a própria torcida de Guará aplaudiu o time sensação do campeonato. Um Campeonato disputadíssimo, rentável para os clubes, dos tempos em que a Federação Paulista de Futebol dava importância ao interior.
Henrique Alves, que foi diretor de futebol do Corinthians, campeão paulista em 1988 e é conselheiro no Parque São Jorge, era o diretor contratado do Guará, que tinha muito dinheiro à época.
Luciano, com a camisa 7, tinha jogado demais naquela tarde. E olhe que quem o marcou foi o esperto e eficiente Triguinho. Luciano e Rildo, nosso centro-avante, fizeram os gols do Corinthians Vale.
Meu filho mais novo, Rafael, então com apenas 16 anos, também participou como jogador da partida, verdadeiro clássico do Vale do Paraíba.
Foi uma temporada linda para o Corinthians Vale. Inesquecível. O time vencia e jogava com classe. Sobrava na divisão. Luciano foi o artilheiro do campeonato da Série B, ano 2000.
Fez nada menos que 38 gols em 25 jogos!! Com a inacreditável média de 1,4 por partida!!!!
Jogando contra times fortes, além do Guará: Campinas Futebol Clube, de Careca e Edmar, Primavera de Indaiatuba, Flamengo de Guarulhos. Ao enfrentar outro adversário poderoso, o Palmeiras B,
Luciano Henrique fez nada menos que 4 gols!! O presidente Mustafá Contursi, que assistia a partida das numeradas, veio me cumprimentar e perguntar quem era aquele jogador rápido e driblador que tinha acabado com a sua defesa.
Luciano tinha futebol para jogar em qualquer time, isso logo ficou evidente. A Série B do Campeonato Paulista era pequena para ele.
Mas foi uma dura tarefa o ter transformado em um atleta na acepção da palavra. Por demais tímido, ele se abatia facilmente. Bastava uma dura do treinador e ele se apagava
Quando fui Presidente do Esporte Clube Taubaté, Luciano era um garoto que costumava faltar aos treinos e todos diziam que ele não iria virar. Discordei.
Promovi-o das equipes de base e dei-lhe chance na equipe titular. Ele foi bem, mas quando terminou meu mandato no Taubaté e fundei o Corinthians Vale, ele veio até minha casa em Tremembé, município grudado em Taubaté e pediu a meu filho, empossado Presidente do clube recém-fundado, que o trouxesse junto.
Ninguém em Taubaté acreditava que ele, Luciano, daria certo e cresceria na carreira de jogador.
Mas quando terminou o Campeonato da Série B, de
Meu filho, como Presidente do Corinthians Vale, concordou, liberou-o e abrimos mão de qualquer direito sobre ele.
Luciano Henrique sempre foi corinthiano e dos mais apaixonados. Sofria quando tinha que enfrentar o Corinthians. Na partida de estréia do Campeonato Paulista da Série A1 2004, em Sorocaba, ele fez dois gols contra o Corinthians. Sei que, no fundo, ficava incomodado, seu pai continuava corinthiano apaixonado. Mas Luciano havia se transformado num profissional.
Luciano foi artilheiro do Campeonato Paulista daquele ano (2004) durante muitas rodadas. E depois foi para a Coréia, para o Santos, para o Inter de Porto Alegre e agora para o Sport.
Sempre foi grato pela chance e apoio que eu, menos, e mais meu filho, que na verdade o revelou, lhe demos. Esteve em meu programa da Rede Vida de Televisão por várias vezes e sempre fazia questão de dizer que se não fosse meu filho, ele teria largado o futebol.
Tudo bem que Luciano é bom menino e reconhecido.
Mas, porra, precisava fazer o que fez na final da Copa do Brasil? Dar um passe açucarado para Carlinhos Bala fazer o primeiro e depois ainda fazer o segundo gol contra o Timão?
Vai se catar, Luciano.





































































































































