Escrever no Futebol Interior, não tem preço!
Escrever no Futebol Interior, não tem preço!
Jaércio Barbosa, antigo, (risca, risca o antigo,) leia, por favor, radialista da melhor qualidade, algum tempo atrás me manda um e-mail e lasca a pergunta:
“Fauzi, quanto você ganha para escrever no Futebol Interior ?”
A pergunta me pegou de surpresa e eu fiquei a imaginar, quanto eu ganho para contar causos. Às vezes, mergulhado no túnel do tempo, revivendo áureos tempos do verdadeiro futebol apaixonante; do verdadeiro rádio e seus locutores que nos brindavam com ótimos programas e transmissões esportivas da mais alta qualidade; das competições esportivas (futebol de salão, handebol, basquete, vôlei, tênis de mesa, tênis de quadra, xadrês, damas, boxe…) que existiam nas cidades, colégios contra colégios, as rivalidades entre as cidades circunvizinhas…
Outra época…
Eu vivi esta época, como o Jaércio, e convivi com os “atletas- estudantes” que defendiam com uma garra enorme não só o nome da escola como da propria cidade.
Arquibancadas lotadas de torcedores, muitos dos quais namorados, pais, mães e irmãos. Lá estavam também as autoridades como prefeito, juiz, promotor, padres… todos alegres, festivos, se cumprimentando, se abraçando e aplaudindo os jogadores…
Muitos desses estudantes-atletas-amigos sumiram, outros morreram mas a grande maioria ainda está ai esparramada por esse Brasilzão enorme. Antes do convite que tive para escrever a coluna “Causos do Interior”, em algum momento de ócio, ficava a vagar no tempo buscando através da lembrança imagens fantasticamente bonitas da época.
Verdade bonita
Não, não se trata de saudosismo, não. Foi uma verdade muito bonita que vivemos na década de 60 e parte da década de 70. Época em que professores eram tidos como “mestres” e tinham reconhecimento dos pais, alunos e governo. Das praças limpas e bem cuidadas. Do povo andando sem estresse. Da alegria de se assistir Mazaroppi, ouvir a Jovem Guarda, Élvis, Beatles, Ray Conniff, Billy Vaughan.
Época de Santos, São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Ferroviária, América, Guarani, Ponte Preta, Portuguesa, Prudentina, XV de Piracicaba… Dos grandes clássicos do cinema, dos bailes comemorativos: debutantes, formatura, aniversário da cidade, passagem de ano…missa do galo, horário que a cidade parava para ouvir, contrita, o sermão do pároco.
O milagre da internet
Depois que começei a escrever o “Causos”, sem saber quem ia ler, se ia ter leitor, se ia agradar ou não, começo a receber mensagens de antigos amigos de infância e de ginásio, de companheiros de rádio, dos atletas estudantes, de pessoas das quais já nem mais me lembrava. É o milagre da internet.
José Pinheiro, hoje destacado advogado da área tributária, em Bauru; Osmair Lamana, cartorário; Nelson Eugênio Lauer, químico da Sanasa; João Carlos Galerani Jr., cujo grande pai Brasil Galerani, trabalhou comigo na Brasil; Rodrigo Marciano; Celso Caldas, de Goiânia; Celso Franco, Ribeirão Prêto; Edson Cury, baita narrador de futebol, um dos melhores do Brasil, em Ribeirão Preto; Manoel Antônio Rodrigues, de Taguatinga, Distrito Federal… e tantos outros que, prometo, vou citar em outras colunas.
Dinheiro não paga tanto prazer
Então, meus amigos e Jaércio Barbosa, eu não sei se existe dinheiro que pague este prazer que o Futebol Interior está me dando. Qual é melhor, receber o salário, ou a recompensa de uma mensagem carinhosa de uma pessoa que não é vista há mais de 40 anos ? O prazer de voltar a ser mocinho.
De relembrar momentos que ficaram marcados de forma indelével no coração. Da primeira namorada. Do primeiro beijo, primeiro amasso… primeira viagem para conhecer o mar… primeira amargura, primeiro choro de despedida da cidade amada em busca do destino desconhecido. É como diz aquela propaganda de cartão de crédito: “Não tem preço”
Por tudo isso, repito, às vezes, o dinheiro não é tão importante. A cada vez que viajo até Votuporanga, que revejo amigos, companheiros de rádio e jornal, do bairro de Santa Luzia, irmão, sobrinho e, meu querido sobrinho-neto, Artur, que está chegando aos 9 anos e o vejo saindo com seu violão para cantarolar com amiguinhos… ai meu amigo, Jaércio Barbosa, é hora de “ pedir mais uma”.
Tudo foi melhor nos anos 60
Prá terminar, no começo da coluna eu pedi para riscar o “antigo”, sabem por quê ? Porque, me desculpem os atuais, mas tudo o que existiu nos anos 60 foi melhor: Pedro Luiz, Edson Leite, Mário Moraes, Luiz Aguiar, Haroldo Fernandes, Milton Camargo, Zé Paulo de Andrade, Salomão Esper, Chico Anísio, Golias, Hélio Ribeiro, Pelé, Garrincha, Tom Jobim, Elis Regina, Altemar Dutra, Tião Carreiro, Raul Torres, Escolas, Professores, e os governantes.
Os ditos “antigos” estão sendo sempre lembrados como referências. Jaércio, por exemplo, trabalhou no rádio de Campinas nas décadas de 60/70, lá se vão quase 40 anos e, até hoje, ele é lembrado pelos ouvintes de rádio da cidade de Campinas. O mesmo se dá com Zaiman de Brito, José Sidney, Pereira Esmeriz, Sérgio Salvucci, Ali Kanso, José Lamana, Cláudio Grilo, Pereira Neto e tantos outros.





































































































































