Votuporanguense que orgulha a cidade

Votuporanguense que orgulha a cidade

Edmar 001 180Em 1967, na gari da estação, numa das mais comoventes festas de despedidas, estávamos lá, quase que a totalidade dos jovens Votuporanguenses, para nos despedirmos de mais um amigo que deixava a cidade em busca de novos horizontes, fato que ainda a cidade não podia nos oferecer. Entre sorrisos, lágrimas e abraços, todos cantavam “ai, ai, ai, ai… tá á chegando à hora..”. A alegre e triste festa de despedida era para Edmar Costa, um dos melhores locutores que a Rádio Piratininga revelou em Votuporanga. Edmar é filho de Edward Coruripe Costa, nosso saudoso Costinha, que tanto fez pela nossa cultura e que, merecidamente, tem seu nome perpetuado em nossa melhor biblioteca.

Edmar partia para São Carlos, onde faria preparatório para brigar por uma vaga na faculdade de engenharia em Ribeirão Preto.

“Torçam por mim. Dando tudo certo, volto como engenheiro para esta santa terra”, disse entre lágrimas o nosso homenageado.

Tudo deu certo até demais!
Tudo deu certo. Certo até demais e muito mais que os sonhos do Edmar puderam sonhar. Apesar de ter que trabalhar em rádio, na cidade de São Carlos, para poder se manter naquela cidade e também pagar os estudos, Edmar foi confiante para Ribeirão Preto, submeter-se ao mais difícil de todos os vestibulares, perdendo apenas para a medicina.

Para gáudio de todos os Votuporanguenses e principalmente, para orgulho de seus pais, Edmar é aprovado e matricula-se na POLI, a mais tradicional e respeitada Faculdade de Engenharia de todo o Brasil. Mas, para garantir sua sobrevivência na cidade tinha que trabalhar. Ai começa outra vez o esforço, do nosso, agora herói. Na Rádio Brasiliense, da Rede Piratininga, apresentava um programa que varava a madrugada. Direto para o apartamento, dormia muito pouco, visto que suas aulas na USP começavam de manhã. A única diversão se dava aos domingos, quando curtia a noite dançante do centro acadêmico de medicina.

“Fauzi, nunca vi tanta mulher bonita na vida”, confidenciou-me o Edmar.

Aventura muda a vida
Em janeiro de 69, convidado para um passeio ou aventura, pega uma carona num avião do Correio Aéreo Brasileiro e desce em Manaus, numa tarde quentíssima. A Capital do Amazonas nessa época, tinha pouco mais de duzentos mil habitantes, esgoto a céu aberto, água que vinha direto do Rio Negro para as torneiras, sem nenhum tratamento. Calor maior que o de Votuporanga, uma universidade ensaiando seus primeiros passos, e apenas dois restaurantes. A vida era caríssima: aluguel caro, comida cara, bebida cara. A lavadeira era coisa de luxo, só para milionários. Mesmo assim o nosso herói resolveu esquecer Ribeirão Preto e assumir Manaus como um desafio.

Depois de se alojar precariamente e cuidando da própria roupa, foi à luta. Confiando no seu taco, participou de uma disputa, com mais dois paulistas, para ser o diretor artístico da Rádio Tropical, a primeira emissora FM da América Latina, que estava iniciando suas atividades. Venceu e foi contratado. Com o que ganhava já deu para comprar uma moto velha. Meses depois melhorou as cilindradas com uma outra e finalmente a compra da qual não se esquece: uma Honda 750. Ah, sim, suas roupas já eram cuidadas por uma lavadeira.

Com o sucesso obtido na Tropical, foi convencido, por um salário muito melhor, e principalmente, por poder morar em um quarto na própria emissora, mudou-se para a Rádio Difusora. Com as economias, montou uma agência de publicidade e matriculou-se na universidade local para concluir os estudos iniciados em Ribeirão Preto. A vida do Edmar ficou assim: no período da manhã fazia faculdade, a tarde cuidava da agência, que em fase de implantação só dava prejuízos, à noite, das 18 às 23 horas, dava aulas em diversos cursinhos pré-vestibulares e das 24 até as 4 da manhã, fazia o Corujão da Madrugada, dormindo apenas três horas. Esta vida do nosso herói durou dois anos.

Frutos do trabalho
Dai em diante o Edmar começou a contabilizar as contas bancárias e o resultado do seu trabalho convertido nos maiores prêmios da propaganda brasileira e mundial. Desde 79 mantém uma filial em Porto Velho, Rondônia. Ali, fez a campanha de transformação do Território à Estado. Criou, entre outras coisas, a Bandeira, o Hino e o Brasão do novo Estado Brasileiro, ajudou a fundar o Banco do Estado de Rondônia e sua caderneta de Poupança. O Edmar Costa é o maior acionista privado do Banco. É verdade, nosso herói Votuporanguense virou banqueiro. Além disso, comprou quatro emissoras de rádio e dois jornais diários, e também montou uma Clínica de Neurologia em Manaus para sua esposa, médica carioca, pós-graduada na Escola Paulista de Medicina.

Como não se contenta com pouco, Edmar montou uma fábrica de lingeries e começou a vender calcinhas e sutiãs para todas as aeromoças da VASP (eram milhares). Em São Paulo teve como distribuidor o Votuporanguense Antonio Carlos Gunther Schamall, o Cacaio, filho de uma das primeiras professoras de Votuporanga, Dona Olga Basílio.

Montou também uma produtora e passou a produzir e exibir um jornal de cinema chamado TELAMAZÔNICA. O circuito de exibição normal era nos cinemas da região Norte, mas, também vazavam para São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e, até Votuporanga, em certa ocasião. Para a efetivação e total funcionamento da produtora, manteve escritório no Rio de Janeiro, onde eram feitas as finalizações e distribuições.

Desbravador do Norte
Em Rondônia, a pedido do Governador Jorge Teixeira, lançou diversos empreendimentos imobiliários, ajudando a comercializá-los. Gostou tanto da área que acabou fazendo algumas obras em Manaus, dentre elas, o primeiro prédio de apartamentos de um por andar. Para provar que o prédio era firme e que não cairia, morou por dez anos na cobertura.

Investiu no filho mais novo dando-lhe uma lancha de competição. Em pouco tempo o garoto já era Campeão Brasileiro de Wake Board, e também campeão Sul-americano. Por causa das fatalidades do esporte, o menino deixou de ser competidor por ter tido um rompimento no joelho. “Coisas do esporte”, falou o Edmar com muita tristeza.

O Edmar, não deixando de lado o seu jeito empreendedor, comprou uma linda fazenda com dois lagos maravilhosos, onde cria tartarugas e no outro, tambaquis. Nesta propriedade o Edmar tem dois sócios, seu irmão Edson e o Filassi, de tradicional família de Votuporanga. Esta fazenda está tão bem localizada que fica apenas sete minutos do Hotel Tropical, um dos melhores do Brasil.

Outra coisa que o Edmar Costa não deixa de fazer é viajar. Fez isso durante bom tempo com o piloto Antônio Pizzonia.

“Comecei sua carreira no kart e fomos até a Formula 1, depois de passar por várias fórmulas. Fui seu empresário e manager”, confessou Edmar. Para não perder o hábito, Edmar e o renomado cardiologista Dr. João Bosco de Oliveira, amigo de infância, juventude e velhice, como gosta de dizer, vão fazer uma temporada em Toscana, Itália, no próximo mês de dezembro. Como também conheço o Dr. João, que me operou duas vezes o coração, sei que não faltarão vinhos das melhores qualidades em suas mesas.

Agência e negócios
A agência do Edmar chama-se OANA. Tem cerca de cem funcionários gabaritados. Quando fez vinte e cinco anos, foi feita uma festa para mil e duzentos convidados no Tropical Hotel. A festa dos quarenta anos já está sendo preparada e o Edmar promete: “será ainda maior que a dos vinte e cinco”.

Como ninguém é de ferro, Edmar comprou um verdadeiro “navio”. Trata-se de um barco confeccionado em aço naval, com três motores de propulsão e com setenta pés de comprimento, que ele usa para suas pescarias esportivas e para navegar pelos lugares mais incríveis da Amazônia, ao lado de sua companheira Eliana Schumann, que é de São José do Rio Preto e que ele conheceu durante um vôo. “Nesse barco já fiz passeios notáveis com grandes amigos de Votuporanga quando aqui estiveram”, disse Edmar.

A Família de Edmar é linda. A filha mais velha é arquiteta e está terminando curso de Direito, já lhe deu um neto. Seu genro, como nada é perfeito, é torcedor doente do Boca Juniors. A outra filha, Fabiana, é formada em publicidade, mas, como o pai, é grande empreendedora: está investindo em delivery de comida japonesa numa das avenidas mais movimentadas de Manaus. Por fim, o Caio, também formado em publicidade e é o chefe de atendimento da agência OANA.

Esta é a vida (parcial) do nosso amigo e conterrâneo Votuporanguense, Edmar Costa. É desta forma que, recebendo as bênçãos do Danilo Camargo, pretendo mostrar onde estão e o que estão fazendo outros Votuporanguenses que tanto nos orgulha, além de elevar cada vez mais alto o nome da nossa querida e adorada Votuporanga, a “Cidade Vida e Esperança”.

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