Ah, meu Guarani!
Ah, meu Guarani!
Campinas, SP, (AFI) -Depois da minha última coluna falando do Guarani e do Godê, fui interpelado pelo Eduardo Lopes, excelso homem da Unicamp que, embora nos conhecendo a tão pouco tempo, dá a impressão aos que estão do lado, que nossa amizade transcende há décadas.
O Eduardo, por ser ainda muito jovem, e pouco atento às coisas do Guarani, ficou surpreso em saber que Godê, técnico de tantas revelações e de muito lucro dado ao clube, tivesse sido dispensado sem a mínima consideração pela diretoria Alviverde.
“Espera ai, como um homem que revelou Nelsinho, Babá, Ferrari, Flamarion, Alfredo, Alberto, Washington, entre tantos outros, pode ter sido dispensado sem ao menos ter um substituto? ”, indagou Eduardo Lopes.
Cena se repetiu recentemente
Pois é meu caro, respondi. Ainda agora a cena se repetiu. O Luciano Dias, embora não tenha como ser comparado à Godê de tão ineficiente que é, foi dispensado nos vestiários sem que o Guarani tivesse quem colocar em seu lugar.
Aliás, nessa época em que demitiram Clarindo Constantino, o nosso Godê, também receberam agradecimentos pelo que fizeram ao Clube e colocados para fora: Anselmo Zini, cuja função era receber e conferir a arrecadação; Hermínio Garbelini, o homem que fazia tudo, até descascar laranjas para os atletas; o massagista Hélio Santos, que foi para a Ponte e de lá para o São Paulo…
Também houve a dispensa daquele que, ao lado de Garbelini e Anselmo Zini, foi um dos diretores que maior contribuição deu ao Guarani: Emilio Porto, diretor de obras. Na sua gestão de muitos anos, nunca faltou um saco de cimento ou um tijolo sequer.
Tempos de admiração
O Guarani, nesse tempo, era admirado e respeitado por todos. Até mesmo pontepretanos eram sócios do Clube para usufruirem das suas piscinas, saunas, lanchonetes, salão social e do ginásio de esportes. As freqüências e confraternizações de sábados à tarde e durante os domingos inteiros, eram lindas.
“Como, não havia rivalidade entre Guarani e Ponte ?”, argüiu o Eduardo Lopes.
Claro que havia rivalidade e muita rivalidade. Só que, como a Ponte só veio a ter o Clube das Paineiras muito tempo depois, os pontepretanos ficavam sócios do Guarani para levar os filhos e lá, principalmente no Parque Aquático, não se falava de futebol e quando havia alguma manifestação, era manifestação de gozações sem maiores desrespeitos e ofensas.
É, como se nota, estamos falando com saudades do “velho” Guarani. Guarani que tinha respeito, credibilidade, crédito na praça e nos bancos. Guarani que por tudo isso foi convidado a participar do Clube dos Treze.
Sofrendo e acefalia
Hoje, o Guarani, que já possuiu homens extraordinários e fantasticamente bons, está sofrendo de acefalia. Dá-se a impressão que o autoritarismo e a ditadura instalou-se no Brinco de Ouro. Cadê Michel Abib, Miguel Moreno, Manoel Paiva, Hermógenes Freitas Leitão, Roberto Schimidt, Ricardo Chuffi, Carlito Milanês, Zito Meloni, Eduardo Farah, Toninho Cúrcio, Antônio Tavares, Antônio Carlos Bastos, e tantas outras feras do passado bugrino?
Eu sei que muitos deles já faleceram, mas, eu pergunto, e seus descendentes, por que não estão no Guarani? Será que não foram convidados, ou quanto mais distantes, melhor? É uma pena !





































































































































