Falta ação contra a violência

Campinas, SP, 07 (AFI) – Quantas mortes de torcedores mais serão necessárias para que os dirigentes esportivos de nosso país tenham um mínimo de responsabilidade?

O confronto entre as torcidas organizadas do Vasco da Gama e do Corinthians antes e depois do jogo pelas semifinais da Copa do Brasil são, talvez, o último alerta para que tenhamos algum tipo de esperança para modificar uma situação tão caótica quanto trágica e revoltante.

Desta vez, como em outras oportunidades, além dos feridos às dezenas, computou-se a morte de um torcedor, Clayton Pereira de Souza, 27 anos, que não contava com nenhum antecedente criminal em sua ficha.

Onde está o cerne do problema?
Com certeza, no desleixo com que os organizadores dos torneios e campeonatos tratam os torcedores. Inconsequência extensiva também aos homens públicos: Prefeitos, Governadores e Secretários de Estado.

Para começar, é possível uma partida de futebol iniciar-se teoricamente às 21,45 horas? Sim, teoricamente, porque o pontapé inicial do jogo Vasco e Corinthians foi dado exatamente às 22,00 horas!! Não nos esqueçamos de que em São Paulo temos o Hino Nacional Brasileiro antes da partida e de que a novela da Globo não pode ser interrompida.

Ou seja, na hora em que trabalhadores que acordam às seis horas da manhã já devem estar dormindo o jogo está apenas se iniciando. É um absurdo em qualquer lugar do planeta.

A saída de madrugada de uma pequena multidão de um estádio em uma metrópole com todos os problemas de segurança de São Paulo é um convite aos incidentes.

Não é apenas o horário do início dos jogos noturnos o ponto, embora ele em si, já seja um escândalo.

No momento em que se fala tanto em Copa do Mundo de 2014, nos bilhões – você leu certo, bilhões de reais – que se pretende investir em novos estádios faraônicos que se converterão certamente em elefantes brancos depois do torneio, por que não dedicar tempo, dinheiro e planejamento em segurança, policiamento ostensivo e profissional para eventos esportivos?

Por que não tomar medidas simples como marcar partidas para as 20,30 horas, por exemplo? Por que não inverter a grade de programação e passar a novela às 22,30 horas, um só dia por semana?

Qualquer estudo sério de mídia vai indicar que as emissoras nada perderiam com isso. Pelo contrário, é mais criativo e poderia dar melhores resultados financeiros para elas.

Por que não investir pesado junto aos meios de comunicação, aproveitando o talento nato dos jornalistas e radialistas esportivos, em campanhas profissionais de elucidação, educação e serviços para os torcedores?

Por que não criar bolsões de isolamento na frente dos estádios? Por que não suspender definitivamente a venda de bilhetes no dia dos jogos? Por que não criar rotas de saída obrigatórias e policiadas dos estádios?

Por que não proteger, afinal, aquele que é a razão de ser do futebol?

É triste e é burro por parte dos dirigentes e dos políticos deixar como está.

Os bilhões de reais da Copa devem dar mais resultados para os bolsos dos dirigentes esportivos e dos políticos do que medidas técnicas e práticas.

Afinal, são apenas mais mortes o que se estaria evitando, devem pensar as autoridades.

A Lei Pelé nocateou os clubes, deixando-os na lona, ouvindo a contagem progressiva do juiz.

A insegurança dos estádios, a médio prazo, completará o trabalho: aniquilando o que restou do nosso esporte mais popular, que um dia já foi fonte de prazer e recreação dos mais humildes. Ou seja, da maioria.

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