Pesquisa é coisa séria?

WANDERLEY CÂNDIDO DE OLIVEIRA, destacado funcionário da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP -, leitor de nossa coluna, escreve perguntando se as pesquisas de emissoras de rádio são sérias. A pergunta, segundo ele, é em função de duas rádios de Campinas ficar alardeando o “primeiro lugar no ibope”.

Olha, Wanderley, no meu entendimento, não. No meu tempo de rádio, e isso já faz décadas, qualquer emissora podia contratar o Ibope para uma pesquisa desde que tivesse muito dinheiro para o pagamento. O fato de envolver muitas pessoas e outros trabalhos científicos o custo do Ibope era – como é até hoje – muito alto.

Assim, até para economizar e ter a pesquisa a seu favor, a emissora interessada contratava o Ibope apenas para os horários onde ela tinha certeza que ganharia em audiência das concorrentes. Com o resultado favorável em mãos, fazia sua publicação, em papel oficial do Ibope, nas primeiras páginas dos principais jornais.

Bordões no Interior
Hoje, em quase todas as rádios do interior, o que mais se ouve é o famoso bordão: “Rádio de Tupã, primeiro lugar no Ibope”, “Rádio Santa Cruz dos Perdões, primeiro lugar no Ibope”, e a mentira por ai vai. Creio que os diretores sicofantas dessas rádios só vão parar com tais bobagens quando o próprio Ibope intervir.

Wanderley, o pior que isso são as eleições muito comuns, até de quem a credibilidade é questionada, que elegem os “MELHORES DO ANO”. A Rede Globo, todos sabem, só elege seus funcionários ou contratados como os “melhores do ano”,e, claro, sempre há muita controvérsia. “Faustão, Fantástico, Angélica, Xuxa…” podem até serem os mais assistidos, jamais os melhores.

O Silvio Santos para mim é o mais honesto. Embora eleja seus principais pupilos, elege também os muito bons de outros canais. É questão de inteligência.

Roquete Pinto: os melhores
Para falar a verdade, Wanderley, só conheci, ainda criança, um programa na TV Record – ou seria a Tupi ? – que realmente elegia os melhores do ano. Ali sim, não havia marmelada, dinheiro, politicagem ou qualquer outra malandragem. Estou falando do TROFÉU ROQUETE PINTO, o mais respeitado e cobiçado prêmio anual brasileiro.

O Troféu Roquete Pinto era entregue sempre ao melhor. Melhor, para os organizadores, não representava quantidade de discos vendidos, beleza do artista ou da artista, apadrinhamento e nem mesmo “jabá” das gravadoras. Só valia do TALENDO e nada mais.

Foi assim, com talento, talento puro, que Pedro Luiz, Haroldo Fernandez, Mário Moraes, Milton Camargo, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Mazaroppi, Anselmo Duarte, Tião Carreiro e Pardinho, Torres e Florêncio, entre outras pérolas, que o Troféu Roquete Pinto premiava os melhores. Veja bem, o troféu não era entregue a fulano. Era um prêmio ao melhor de cada gênero.

Premiações nojentas
Wanderley, se você quer saber, hoje existem premiações consideradas nojentas tamanhas as politicagens que existem por trás. São prêmios que ao invés de elevar o premiado, acabam por sujar-lhe as mãos. São os chamados prêmios direcionados que, um ano antes, todos já sabem quais serão os vencedores.

A picaretagem de premiação existe há muitos anos. Eu me lembro que no interior de São Paulo existiam empresas “fantasmas” que vendiam aos comerciantes o DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO. Também tinha o de MELHOR EMPRESA, que os comerciantes, coitados, exibiam numa bela moldura numa de suas paredes.

Medalhas políticas…
A picaretagem, Wanderley, se estende também nas Câmaras Municipais, onde se distribuem, aleatoriamente, todos os tipos de homenagens e mimos possíveis. São “Medalhas de Louvor”, “Medalhas de Honra ao Mérito”, “Título de Cidadão Honorário” e todos os tipos de outras graças que vierem na cabeça do ilustríssimo vereador.

O pior de tudo é que os realmente merecedores não são lembrados. Por exemplo: os primeiros ou os ótimos professores, as grandes cabeças da medicina, da engenharia, dos que realmente lutam pela qualidade da vida humana, do direito, ou, as classes menos valorizadas como enfermeiros, garis, recolhedores do lixo que colocamos na calçada, entre tantas outras profissões dignas e honestas.

Não. Não são sempre os melhores ou os que ajudam de alguma forma à sociedade, o município ou ao País que recebem homenagens. Basta você fazer uma “ajuda de campanha política” ou contribuir com alguma escola de samba que, certamente, será reconhecido pelos magnânimos serviços prestados.

Assim, meu caro Wanderley, encerro fazendo apenas uma pergunta a você e a todos os nossos raros leitores:

“Existe em Campinas alguma avenida com o nome de CESAR LATTES ? E de políticos safados que nunca moraram na cidade e que foram solenemente agraciados com seus nomes em ruas, praças, avenidas e outros logradouros públicos ?

Olha, é melhor parar por aqui porque o assunto neste portal é FUTEBOL e, por falar em nosso PORTAL FUTEBOL INTERIOR quero dizer que aqui sim você pode acreditar nos números da pesquisa: são UM MILHÃO (1.000.000) de acessos/dia, ou TRINTA MILHÕES (30.000.000) DE ACESSOS/MÊS, devidamente comprovados e auditados pela GOOGLE ANALYCTICS.

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