Ditão, o zagueiro limpa-área do Corinthians nos anos 60
Ele foi um dos primeiros jogadores de zaga a tentar gol de cabeça em cobranças de escantei
Em continuidade à proposta de pelo menos uma postagem diariamente sobre assuntos ligados ao Corinthians, o foco é zagueiro Ditão, símbolo da raça corintiana nos anos 60.
Recapitulo abaixo a coluna publicada aqui mesmo no portal Futebol Interior em 2005.
Zagueiro sem velocidade perdeu espaço no futebol moderno, contrastando com “beques” lentos do passado, cuja condição essencial era a boa compleição física. Nos treinos-peneiras de outras décadas, a “treinadorzada” priorizava zagueiros com caixa torácica avantajada, porque o uso do corpo no contato físico era tido como imprescindível na tentativa de evitar o drible.
Nesse contexto estava Ditão (já falecido), que marcou época na Portuguesa e Corinthians, na década de 60. Geraldo de Freitas Nascimento, cujo nome nada tinha a ver com o apelido, nascido em 10 de março de 1938, integrava uma família de atletas. Seu irmão Gilberto de Freitas Nascimento, também apelidado de Ditão, igualmente jogou na zaga central, no Flamengo. Outro boleiro da família foi Flávio, zagueiro de poucos recursos e por isso não prosperou na carreira jogando pelo Bragantino (SP), enquanto Adílson foi o único dos irmãos a enveredar para o basquete, e fez sucesso no Corinthians e Seleção Brasileira.
Ditão foi o típico zagueiro limpa área. Não tinha técnica para sair jogando e por isso simplificava. Era um brutamonte de tronco largo e pernas finas que ganhava a maioria das jogadas com o uso do corpo, sem que isso implicasse em violência.
BOA ESTATURA
A rigor, jamais foi expulso de campo ao longo da carreira, iniciada na Portuguesa, quando jogou ao lado de Félix, Jair da Costa e Servilio, em 1962. Também valia-se da boa estatura, bom posicionamento e do tempo de bola.
Ditão transferiu-se ao Corinthians, juntamente com o meia Nair, em 1966, e formou dupla de zaga com Luís Carlos durante quatro anos. No primeiro ano de Timão, Ditão jogou com Heitor, Jair Marinho, Dino Sani, Édson Cegonha, Mané Garrincha, Nair, Flávio e Gilson Porto, entre outros.
Em 1969, no jogo em que o Corinthians venceu o Cruzeiro por 2 a 0, Ditão foi despachar a bola que, involuntariamente, atingiu o rosto de Tostão. Houve deslocamento da retina do olho do cruzeirense, que, anos depois, teve de abandonar o futebol.
Ditão era um jogador mudo. Só soltava o vozeirão na roda de amigos, tomando cerveja. Era mulherengo, porém tímido. Por isso, certa ocasião, após jogo do combinado paulista de veteranos, um amigo o sacaneou numa bem arquitetada brincadeira, ao combinar com uma colega para que flertasse o zagueiro.
SUSTO
E quando ela avançou na investida e Ditão projetou que pudesse conquistá-la, aí ela sacou o revólver e mirou na direção dele. Ditão tremeu na base. Levou um tremendo susto, enquanto os amigos se divertiram com gargalhadas.
Pode-se dizer que Ditão foi um dos primeiros zagueiros a se projetar na área adversária em cobranças de escanteios, a partir dos 35 minutos do segundo tempo, para tentar gols de cabeça, numa época em que raras vezes um zagueiro ultrapassava o meio de campo.
E, de vez em quando, decidia partidas, como em 1968, na virada do Corinthians sobre o Palmeiras por 2 a 1, quando fez um gol de cabeça.
O final da bonita história de Ditão no futebol deu-se com a chegada de Baldocchi no Corinthians em 1971. Na reserva e desanimado, deixou a bola. E em 1994, divorciado e vivendo sozinho, morreu vítima de ataque cardíaco quando estava no banheiro da onde morava na Vila Gustavo, em Guarulhos.





































































































































