Morreu Osvaldo ‘Ponte Aérea’, que brilhou no Guarani nos anos 60

Ponteiro-esquerdo jogou no Flamengo em 1963

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O engenheiro Raul Celestino Soares, ex-presidente do Conselho Deliberativo do Guarani, me avisa sobre a morte do ex-ponteiro-esquerdo Osvaldo Catingá ou Osvaldo Ponte Aérea, como queiram, aos 74 anos de idade.

Se por aí a morte de Osvaldo será ou foi refletida em mera nota de seção de necrologia, aqui você vai saber muito mais sobre aquilo que ele representou para o Guarani e Flamengo.

Osvaldo Taurisano morreu na segunda-feira vítima de insuficiência respiratória, em São Paulo. Ele jogou no Guarani de 1960 a 1965, com passagem pelo Flamengo em 1963.

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Osvaldo, Ilton, Amauri e Tião Macalé – todos jogadores bugrinos da época – integraram a Seleção Brasileira na disputa da Taça América de 1963.

Como também escrevo e gravo quadro de áudio na casa sobre a ‘velharada’ do futebol, para resgatar histórias daqueles que brilharam nos gramados, presto a última homenagem a Osvaldo Taurisano recapitulando trecho de coluna já publicada.

Nos anos 60, quando o boleiro tinha fama de desregrado, Osvaldo Taurisano, conhecido no mundo da bola como Osvaldo “Ponte Aérea”, era uma das exceções.

E sabem por que? Porque gastava boa parte do dinheiro de seu salário do Flamengo em viagens aéreas do Rio de Janeiro a São Paulo, e depois complementava o percurso até Campinas de ônibus, para encontrar a namorada Marilena, a Neca. Isso aconteceu na década de 60, após se transferir do Guarani para o Flamengo.

Além de bom caráter, o ex-ponteiro-esquerdo foi ovacionado quando jogava em Campinas por marcar gol olímpico, numa época em que raríssimos boleiros conseguiam tal façanha.

A facilidade para bater na bola transformou Osvaldo em cobrador oficial de faltas e ele correspondia plenamente com um índice de aproveitamento acima da média. Também sabia fechar em diagonal para completar as jogadas. Assim, chegou à Seleção Brasileira na década de 60, e fez gol na inauguração dos refletores do Estádio Brinco de Ouro em 1963, em jogo do Guarani contra o Flamengo.

Na época, o time bugrino contava, entre outros, com o goleiro Dimas Monteiro (já falecido), Osvaldo Cunha, Eraldo, Diogo, Amauri e Berico.

No Flamengo, Osvaldo jogou ao lado do goleiro Maciel, Carlinhos, Murilo e Paulo Henrique. Daquela leva, quem mais se destacou foi o volante Carlinhos, que até hoje não engole ter sido relegado do grupo de jogadores brasileiros que disputou a Copa do Mundo de 1962 no Chile, ocasião em que os comandados do técnico Aimoré Moreira conquistaram o bicampeonato mundial. Carlinhos se considerava um volante com mais potencial que Zequinha, relacionado como reserva de Zito.

Quanto a Raul Celestino Soares, justiça seja feita: conseguiu persuadir o então presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, que o melhor horário para jogos noturnos, durante a semana, era às 19h30. Depois de Farah, o resto do país copiou a sugestão.