Escândalo na CBF ressuscita fantasmas de Del Nero e BWA

Acusado de tráfico de influência, dirigente já defendeu empresa em processo judicial

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São Paulo, SP, 25 (AFI) – O vídeo (assista abaixo) em que o presidente da CBF, José Maria Marin, aparece dando bronca em duas pessoas – supostamente os empresários Bruno e Walter Balsimelli, donos da BWA – ressuscitou alguns fantasmas do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero. Não é de hoje que o cartola e a BWA “vestem a camisa” do mesmo time, mesmo diante de várias acusações que atingem a empresa.

0002048051678 imgFantasmas assombram Del Nero

Em 2012, o escritório de advocacia moveu uma ação contra a Galvão Engenharia, curiosamente, em defesa da mesma BWA. Na oportunidade, o caso foi relatado em reportagem feita pelo jornal Folha de S. Paulo e trouxe o trabalho em conjunto de Del Nero e da empresa dos irmãos Balsimelli, que questionavam a ausência de seu grupo no processo de licitação para a gestão da Arena Castelão.

Após a ação cautelar, BWA e Galvão Engenharia entraram em um acordo e o processo não evoluiu. O fato curioso é que, coincidentemente (ou não), hoje as duas empresas fazem parte do consórcio que administra o Castelão. Fato que só aumenta as suspeitas sobre o dedo de Del Nero na escolha.

Vale lembrar que, além de presidente da FPF, Del Nero também é vice-presidente da CBF e membro do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 (COL). Ou seja, o dirigente tem influência direta em escolhas relacionadas ao Mundial que será disputado no Brasil.

A participação do escritório de advocacia do cartola na disputa entre BWA e Galvão Engenharia fere, inclusive, o Código de Ética da própria Fifa. O artigo 5º prevê que dirigentes devam evitar conflitos de interesses entre suas funções na entidade e seus negócios privados.

0002048051680 imgEle usaria influência a seu favor

Tráfico de influência
Esta não é a primeira vez que Del Nero vira alvo de suspeitas por tráfico de influência. Em novembro do ano passado, o dirigente foi acusado de estar usando sua influência na FPF para benefício próprio, colocando cargos à disposição para membros ou pessoas ligadas ao seu escritório de advocacia e delegados da Polícia Civil.

O mandatário do futebol paulista foi incluso, na época, numa operação da Polícia Federal que investigava tráfico de influência e suspeita de venda de informações da Polícia Civil a advogados e escritório de advocacia. As suspeitas apontavam que Del Nero estaria usando a FPF para facilitar o esquema.

Isto porque o cartola usaria a Federação como cabide de empregos para delegados pela Polícia Civil e para funcionários de seu escritório de advocacia. Um dos sócios de Marco Polo Del Nero é o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), que acumula os cargos de vice-presidente da entidade e diretor jurídico.

Curiosamente, o mesmo Vicente Cândido é citado por Marin no vídeo, que ganhou repercussão, na semana passada (Confira matéria completa aqui). Ele e Del Nero seriam sócios nos esquemas da BWA, que controla as bilheterias dos principais estádios brasileiros.

Enquanto isso…
Ao mesmo tempo que o presidente da FPF se afunda em um lamaçal de acusações, suspeitas e conspirações, o clubes do interior paulistam minguam sem o apoio da entidade. Desde Eduardo José Farah deixou a presidência da entidade nas mãos de Del Nero, os clubes viram o cartola virar as costas para um dos maiores celeiros de craque do futebol brasileiro.

Enquanto o “bambambam” do futebol paulista embolsa a bagatela de R$ 130 mensais para ser vice da CBF, clubes da Série A2, por exemplo, tiveram que se contentar com uma cota irrisória de R$ 112 pelos quase cinco meses de competição. O que Del Nero embolsar em um ano, daria para sustentar praticamente os 20 clubes da divisão de acesso estadual. Na Série A3, o estado de penúria é ainda maior.

O resultado disso, são clubes tradicionais do futebol paulista, como Portuguesa Santista, Juventus, América, Inter de Limeira, Marília, São Bento, Ferroviária, Noroeste e Guarani, por exemplo, vivendo em completo estado de insolvência e degradação. Na FPF e na CBF, pelo visto, a “farra do boi” continua. Até quando?

Assista abaixo o polêmico vídeo de Marin: