Silas, exemplo como jogador; boa perspectiva como treinador

Mais um campineiro no comando do futebol da Ponte Preta

A Ponte Preta retoma a sina de prestigiar profissionais campineiros para comandar o futebol do clube. Se no passado Cilinho, Zé Duarte (falecido), Robertinho Moreno (falecido), Celsinho Teixeira e Pardal passaram pelo Estádio Moisés Lucarelli, agora o bastão é passado para Paulo Silas, que chega nesta terça-feira com a missão de reverter o alto índice de rejeição, brotada porque o associam como torcedor do Guarani na infância, só porque o irmão dele, Eli Carlos, jogou no time bugrino.

Provavelmente Silas fale, também, que o rótulo de ‘Atleta de Cristo’ se deu por ter vindo de berço evangélico e que conhece os caminhos do Senhor desde que se entende por gente.

Numa coluna que publiquei em junho de 2006, dois anos após o encerramento da vitoriosa carreira de atleta, quando Silas havia se transformado num bem sucedido empresário de rede de pastelaria em Campinas, pincei trecho de entrevista em que ele revelou o seu lado espiritual.

“Em primeiro lugar sou cristão, em segundo lugar atleta. E ser um atleta de Cristo é não ter vida dupla. É entender que pecado é sempre igual. Não tem essa de pecadinho e pecadão”.

VILA TEIXEIRA

Por sorte, Silas não foi membro de denominação pentecostal extremamente doutrinária na infância, daquelas que proibiam o homem de jogar futebol, julgando ser ato pecaminoso. Assim, pôde desenvolver sua habilidade naturalmente nos campinhos da Vila Teixeira, bairro de Campinas onde morava na infância, até ser levado às categorias de base do São Paulo em meados da década de 80.

Silas teve a sorte de trabalhar com o técnico Otacílio Pires de Camargo, o Cilinho, paciencioso para lapidar jovens talentosos. Ele integrou, no Tricolor, um grupo renovado e competente de jogadores, como os atacantes Muller e Sidnei, que se juntaram aos experientes Pita e Careca e Oscar, meia, atacante e zagueiro, respectivamente.

Até 1989, Silas foi um ponta-de-lança de respeito no São Paulo. Fazia a bola girar, dava ritmo ao time e chegava à área adversária para completar jogadas. Claro que não era um goleador, mas pegava bem na bola de média distância.

COPAS

Essas virtudes os levaram às Copas de 1986 no México e 1990 na Itália, sempre como reserva. Na primeira convocação, registrou o histórico de ter entrado em campo apenas aos 41 minutos do segundo tempo na partida contra a Costa Rica. Na segunda vez entrou nas partidas contra Suécia, Costa Rica e Argentina. O time base do Brasil, comandado por Sebastião Lazaroni, foi de Taffarel; Ricardo Gomes, Mozer e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo e Branco; Müller e Careca. Romário jogou apenas na partida contra a Escócia.

Na época, Silas jogava no Sporting de Portugal, e transferiu-se no ano seguinte para o Ceseno e depois na Sampdoria da Itália. No retorno ao Brasil, em 1992, passou por Inter (RS) e Vasco, antes de jogar no argentino San Lorenzo. A última experiência no exterior foi no Kyoto Purple Sanga, do Japão. Em 2000 esteve no Atlético Paranaense e depois, já na estrada da volta, atuou no Rio Branco de Americana (SP) e América de Minas.

Em 2007, Silas abriu nova página no futebol, desta vez como comandante, após breve experiência como auxiliar-técnico de Zetti.

E os frutos foram colhidos no biênio 2008-2009 naquela aplaudida fase do Avaí (SC), com desdobramento no Grêmio portoalengrense.

De lá pra cá as palmas não foram as mesmas. E a Ponte é mais um desafio para que possa escalar degrau acima dos treinadores emergentes.