90 anos de clássico - Relembre a conquista do Timão em 95

São Paulo, SP, 26 (AFI) – A torcida do Corinthians não agüentava mais sair na rua e ser sacaneada pelos rivais palmeirenses. O Corinthians vinha de derrotas para o arquiinimigo em Paulistas e Brasileiros de 1993 e 1994. Perder é ruim, mas perder e ainda por cima título para os rivais verdes é ainda muito pior para os corintianos. Mesmo assim a torcida sempre comparecia aos estádios e nunca deixou de apoiar o Timão.

O Sport Club Corinthians Paulista não ganhava um Campeonato Paulista desde 1988, quando a equipe bateu o Guarani com um gol de carrinho do ainda desconhecido Viola. Era ano de 1995, há sete sem levantar a taça Estadual que a Fiel tanto conhecia.

A torcida alvinegra estava ansiosa e exigia uma conquista corintiana. Com o time base composto por: Ronaldo; André Santos, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Zé Elias, Bernardo, Souza e Marcelinho; Viola e Marques. E com os reservas-titulares Tupãzinho, o homem do gol no primeiro Nacional do Timão, Elivélton e Vítor entrando, respectivamente, nos lugares de Souza, Viola e Marques.

Em 95 o campeonato Paulista ainda era disputado com finais e muito mais emocionante. Com times do interior forte e com os grandes de São Paulo ainda mais. Para chegar a final, o Timão teve que encarar um quadrangular composto por União São João, Santos e Portuguesa de Desportos.

O primeiro duelo, em 18/06/1995, foi com o União, em Araras. Vitória fácil de 3 a 1 com gols de Sousa, Henrique e Tupãzinho. Uma semana depois era o clássico diante do Santos. Empate em 2 a 2 com gols de Viola e Marcelinho. E para fechar o primeiro turno, a partida contra a Lusa em 1º de julho. Vitória apertada do Timão por 1 a 0 com gol do lateral Vítor.

Nos jogos de volta três vitórias. Contra o União São João 2 a 0, gols de Marcelinho e Tupãzinho. Diante da Portuguesa vitória suada de 1 a 0 com gol do volantão Bernardo. No clássico dos alvinegros, vitória grandiosa do Timão por 4 a 2 com dois gols de Marques, um de Marcelinho e outro de Tupãzinho.

Invencibilidade no quadrangular: cinco vitórias e um empate. A Fiel torcida acreditava no título e estava confiante. A final seria contra o rival Palmeiras. Era o que os corintianos queriam. Era a hora da revanche e o momento da taça Estadual voltar ao Parque São Jorge.

A grande final seria decidida em dois jogos. O primeiro aconteceu em 30 de julho no Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. Nilson, que teve uma passagem pelo Corinthians, e Marcelinho Carioca fizeram para o Palmeiras e Timão respectivamente. A primeira final acabou 1 a 1.

Uma semana de muita concentração e provocação. Assim foi o clima antes da grande e decisiva final do Campeonato Paulista de 1995. Em 06 de agosto de 1995, no mesmo palco da primeira partida, às 16h entravam em campo Palmeiras e Corinthians. Estádio abarrotado e muita rivalidade.

Como de costume, o clássico dos dois maiores rivais de São Paulo, começou truncado e nervoso. A torcida palmeirense comemorou primeiro com Nilson. Mais a alegria da Fiel veio com um dos maiores ídolos do Corinthians, Marcelinho Carioca.

A partida foi para a prorrogação e o Timão jogava por outro empate. Já era noite. Todos acompanhavam a grande final. Corintianos e palmeirense nervosos, ansiosos e nervosos. A prorrogação começou nervosa. O Verdão quase abriu o placar, mas a zaga tirou a bola na risca do gol.

Os corintianos se assustaram. Mas logo depois veio o alívio, a alegria, o grito entalado na garganta. Elivelton recebe a bola, domina e manda, de perna esquerda, um foguete para o gol. A bola faz diversas curvas e entra no ângulo de Veloso. Era gol do Corinthians. Era o gol do título.

Agora sim a Fiel gritava e comemorava mais um título na história vitoriosa do Corinthians. O Timão era campeão do Campeonato Paulista de 1995 e acabava com o tabu do rival. A Fiel voltava a sorrir e a rir da desgraça do grande rival.

Confira a ficha técnica do jogo decisivo:

Palmeiras 1 x 2 Corinthians

Estádio: Santa Cruz (Ribeirão Preto)
Árbitro: Remy Harrel(França)
Gols: Nilson (Palmeiras); Marcelinho e Elivelton (prorrogação) (Corinthians)

Palmeiras
Veloso; Índio, Antonio Carlos, Cléber e Roberto Carlos (Flávio Conceição); Mancuso, Amaral, Rivaldo e Edílson (Válber); Müller e Alex Alves (Nílson).
Técnico: Carlos Alberto Silva.

Corinthians
Ronaldo; André Santos (Vitor), Célio Silva, Henrique e Silvinho (Ezequiel); Bernardo, Zé Elias, Marcelinho e Souza (Tupãzinho); Viola e Marques (Elivélton).
Técnico: Eduardo Amorim