65 anos da Copa Rio de 1951: lembre 14 fatos e curiosidades do Mundial do Palmeiras
Competição ficou ofuscada por um debate sem fim, mas o importante é que ela tem boas histórias e relevância inquestionável
Em 22 de julho de 1951, há praticamente 65 anos, o Palmeiras conquistou um dos maiores títulos de sua história, a Copa Rio.
São Paulo, SP, 22 (AFI) – Em 22 de julho de 1951, há 65 anos, o Palmeiras conquistou um dos maiores títulos de sua história, a Copa Rio. Foi uma vitória muito celebrada na época, mas com o passar do tempo ela virou apenas um debate entre rivais para definir se era um Mundial de Clubes ou não. Porém, mais importante do que isso, é valorizar a conquista e relembrar fatos e curiosidades daquela época.
CAMPEÃO DAS CINCO COROAS
Foi assim que ficou conhecido aquele time do Palmeiras, que conquistou cinco títulos importantes consecutivos naquela época: Taça Cidade de São Paulo (1950), Campeonato Paulista (1950), Torneio Rio-São Paulo (1951), Taça Cidade de São Paulo (1951) e Copa Rio (1951). Nunca é demais destacar que naquela época não havia torneios nacionais, então os estaduais eram bem mais valorizados do que hoje em dia.
CRAQUE DO “JOGO DA LAMA”
Jair da Rosa Pinto era um dos principais destaques daquele time do Palmeiras de 1951 e virou ídolo do clube um ano antes, principalmente pelo que aconteceu na final do Paulistão. O Verdão perdia por 1 a 0 para o rival São Paulo e precisava só de um empate em uma partida muito chuvosa no Pacaembu. O time conseguiu fazer um gol na raça, liderado por Jair, e fez aquela conquistar ser marcante por ter sido um jogo muito atípico, praticamente disputado em uma lama.
TÉCNICO QUASE BRASILEIRO
Ventura Cambón era uruguaio e foi o técnico do Palmeiras na Copa Rio. Ele tinha encerrado a carreira de jogador no Verdão e se tornado membro da comissão técnica do clube, então era praticamente um brasileiro. Ele comandou o time em 248 jogos e teve ótimo aproveitamento: 60,2%, com 133 vitórias, 49 empates e 66 derrotas.
NAZISMO
Em 1939, Ottorino Barassi já tinha conversado com Jules Rimet, presidente da Fifa, sobre a possibilidade de organizar uma competição nos moldes da Copa. Mas a matança de Adolf Hitler na Europa praticamente paralisou o mundo do futebol. Então Barassi só conseguiu ver seu plano em prática em 12 anos depois, ainda que ele não tenha sido o principal organizador. A CBD (embrião da CBF) foi quem assumiu a competição.
PAREM TUDO!
A Copa Rio fez com que os maiores estaduais da época, Campeonatos Paulista e Carioca, fossem paralisados para os times brasileiros se concentrarem apenas nessa competição.
COMO ERA PARA SER
O planejamento inicial da Copa Rio era grandioso: a CBD queria uma competição com 16 clubes, dos quais apenas um seria brasileiro. Haveria uma competição nacional para decidir esta vaga. Mas houve desorganização e falta de tempo para que tudo isso fosse realizado.
MAIOR POLÊMICA
Essa desorganização se estendeu por toda competição, pois a definição dos países participantes teve poucos critérios, o que é bastante questionado até hoje. Países que tinham boas seleções, como Suécia, Espanha, Hungria e Alemanha, não tiveram clubes representados. Mas existem algumas justificativas plausíveis para isso: a Hungria, por exemplo, estava exilada pela União Soviética do futebol internacional; e a Alemanha Ocidental estava banida pela FIFA em 1950, quando a Copa Rio foi planejada.
Mas ainda assim é preciso reconhecer que a situação ficou estranha, pois apenas metade dos participantes do que era pra ser um “torneio mundial de campeões” havia vencido a última liga nacional dos seus países: Nacional-URU, Sporting, Nice e Estrela Vermelha. Já Palmeiras e Vasco não tiveram liga nacional para disputar.
SEM TOQUE ROSSONERO
Em vez da Juventus, que chegou na final contra o Palmeiras, o time italiano que deveria ter disputado a Copa Rio era o Milan. Até houve interesse do clube, mas ele disputou a Copa Latina e depois teve que dar férias para seus jogadores estrangeiros. Sem os suecos Gunnar Gren, Nils Liedholm e Gunnar Nordahl, o clube entendeu que ficaria muito fraco e não valeria a pena viajar até a América para perder.
COM SHOW BIANCONERI
Sem o Milan, a Itália mandou como representante a Juventus, que deu um baile no Palmeiras na fase de grupos: com uma atuação excelente de Giampiero Boniperti, o time de Turim venceu por 4 a 0 e deu a entender que seria campeão com facilidade.
CONSEQUÊNCIA
A goleada da Juventus causou uma injustiça histórica: Oberdan Cattani, histórico jogador palmeirense daquela época, foi considerado culpado e saiu do time titular. Fábio Crippa assumiu a vaga até o fim da competição e deu conta do recado.
MÁRTIR
Depois de ter feito gols decisivos na fase de grupos, Aquiles quebrou a perna no primeiro jogo da semifinal contra o Vasco. Foi um momento muito triste, mas os palmeirenses transformaram isso em inspiração para conquistar o título.
MARACANÃ INVADIDO
A final da Copa Rio foi disputada em dois jogos. A primeira, no dia 18 de julho, teve vitória do Palmeiras contra a Juventus por 1 a 0. Depois, no jogo de volta, o time brasileiro passou muito sufoco, pois a equipe de Turim esteve na frente duas vezes. Porém, Liminha marcou um golaço e fez a festa em um Maracanã lotado – de acordo com o Jornal dos Sports, havia 100.093 pessoas no estádio, sendo 82.892 pagantes.
DUAS FESTAS
A comemoração do Palmeiras começou no Rio de Janeiro. Hoje em dia é difícil imaginar um time paulista fazendo a festa na capital carioca, mas foi o que aconteceu, pois o Verdão até desfilou em carro aberto. É claro que a comemoração em São Paulo foi ainda maior.
De acordo com o jornal Gazeta Esportiva, mais de um milhão de pessoas foram para as ruas e até torcedores de outros clubes festejaram. Isso porque o título foi considerado um alívio para todos brasileiros, que tinham perdido a Copa do Mundo um ano antes e assim sentiram-se vingados e conquistados pelo futebol novamente.
LEGADO
A principal lição que a Copa Rio deixou é que era possível fazer grandes competições internacionais entre clubes, inclusive com jogadores de primeiro nível do mundo todo. As ideias dos torneios continentais, Liga dos Campeões e Copa Libertadores, ganharam forças com a realização da Copa Rio. No Brasil isso ajudou a inspirar a criar competições maiores e nacionais, como a Taça Brasil e mais tarde o Torneio Roberto Gomes Pedrosa.





































































































































