Com as mãos na cabeça: o futebol do desespero
Campeonato Brasileiro é sofrível, com times mal montados e jogadores abaixo da média
Os que não devem inventar (zagueiros e volantes), vivem inventando. E os que devem inventar – nossos meias e atacantes- estão sem inspiração.
Quase ninguém viu o detalhe do lance.
O zagueiro Alemão, do Vitória, corre para a bola seguido por Ganso. Tenta virar o corpo para chutar a bola para frente, se desequilibra e Ganso ganha a bola de graça e deixa Pato na cara do gol. Isso todo mundo viu. Poucos atentaram para o técnico Jorginho, na lateral, com as mãos na cabeça depois da bobeada de Alemão. O zagueiro poderia ter feito o simples e mandado a bola para a lateral, para que a zaga se ajeitasse. Mas quis inventar (logo na frente do Ganso!) e deu o gol ao São Paulo. Apenas para registrar, mais um passe cirúrgico do meia do São Paulo.
O futebol brasileiro está assim: de deixar todos nós de mãos na cabeça de desespero.
Os que não devem inventar (zagueiros e volantes), vivem inventando e dando gols aos adversários. Foi assim também com o volante Josimar do Palmeiras, que quis sair driblando no meio de campo e deu o contra-ataque ao adversário. E os que devem inventar – nossos meias e atacantes – andam completamente sem inspiração.

É por isso que quando voltam ao Brasil os velhos craques ainda fazem sucesso. Kaká já é o melhor do São Paulo e Robinho foi o melhor em campo no clássico que reuniu Santos e Corinthians. Ressalva também a Gil (que voltou recentemente) e tem jogado um belo futebol com a camisa alvinegra.
Mas é assim.
Quem tem um mínimo de ousadia e boa técnica está se destacando num campeonato sofrível. E ainda assim parece faltar alguma regularidade aos bons jogadores. Mas na ruindade, a regularidade é garantida. Jogadores errando passes de três metros é muito comum. No jogo entre Palmeiras e Atlético Mineiro foram contabilizados mais de 90 passes errados entre os dois times. Isso e mais o jogo truncado por faltas, faz com que a bola role (mal e porcamente!) menos de um terço dos 90 minutos. A isso estamos chamando de futebol brasileiro.
Lástima.
Muricy Ramalho disse em entrevista coletiva, após a boa vitória de seu time sobre o Vitória, que o São Paulo não está pronto para disputar o título. Acho que Muricy está enganado. Não é que o são Paulo esteja jogando o fino. Mas é que ninguém está jogando para ser campeão no certame nacional. Um campeonato nivelado por baixo.
Mesmo o Cruzeiro, que sem dúvida é o time melhor armado e com um elenco muito bom no papel, tem derrapado onde não poderia. O Fluminense, do bom técnico Cristóvão Borges, também está na lista dos que podem se salvar da peladeira nacional. Conca comanda com habilidade um time bem montado por Cristóvão. Vamos ver.
O fato é que está muito difícil de assistir um jogo inteiro do Campeonato Brasileiro sem ceder à tentação de mudar de canal.
Os torcedores voltam ao estádio para ver Kaká, Robinho, Gil. Porque se fosse apenas para ver o desempenho de seus times, não sei se valeria o preço do ingresso (caro!) neste momento. E nós, torcedores de poltrona (registre-se que já fui torcedor de estádio, mas enquanto houver torcidas organizadas, jurei nunca mais passar perto de um campo de futebol em dia de jogo), vamos nos acostumando com espetáculos ruins.
Por vezes ouvimos um gemido que ecoa de um passado não muito distante…
É o nosso triste futebol agonizando.





































































































































