Elogios para garra e disciplina tática da Ponte; tecnicamente não houve evolução
Vem aí a vitória da Ponte Preta
Elogios para garra e disciplina tática da Ponte; tecnicamente não houve evolução
Contrariando todas as expectativas, a Ponte Preta estreou no Campeonato Paulista-2018 surpreendendo o favorito Corinthians, ao vencê-lo por 1 a 0, gol do atacante Felipe Saraiva, na noite desta quarta-feira, no Estádio do Pacaembu.
A rigor, o planejamento claro da Ponte, logo de início, foi se atirar ao ataque, na tentativa de surpreender o Corinthians nos primeiros dez minutos.
Isso só fez despertar a boleirada corintiana que imaginou vencer a partida quando bem entendesse. A partir de então o time se soltou em campo.
Assim, já poderia estar em vantagem no placar se Kazim não desperdiçasse chance clara de gol, e na batida do meia Jadson a bola não explodisse no travessão.
É natural que após a valorização do resultado em si, o torcedor pontepretano exploda de alegria, e até coloque em dúvida aquela suspeita inicial de que esse Paulistão seria de sofrimento.
ISENÇÃO
Entretanto, quem observa futebol com isenção sabe perfeitamente que um time bombardeado, como ocorreu com a Ponte desde o primeiro tempo, na maioria das vezes não vai obter êxito, independe da aplicação tática dos jogadores, da maneira como se entregarem em campo.
Está claro que o projeto do treinador pontepretano Eduardo Baptista é incorporar a qualquer custo o conteúdo da música do saudoso Noite Ilustrada, de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
E essa proposta de volta por cima fez lembrar os tempos de várzea em que a treinadorzada, na preleção pré-jogo, mandava matar jogadas a qualquer custo.
Só que em campo, contagiada pela mensagem, a boleirada extrapolou. Trocou o futebol duro por entradas violentas, coisa que não é do feitio do zagueiro Luan Peres, ao provocar cartão amarelo desnecessariamente.
Logo em seguida, isso se repetiu com Fellipe Cardoso, igualmente ‘amarelado’, assim como havia ficado barato para lances de virilidade dos laterais Emerson e Jefferson.
Aí, quando Fellipe Cardoso confundiu futebol com MMA, dando voadora no goleiro Cássio, o árbitro Raphael Claus não teve dúvida em mostrar-lhe o segundo amarelo e, incontinenti, o vermelho, aos 42 minutos do primeiro tempo.
HOMEM A MENOS
Pronto. Se a vitalidade física da Ponte havia sido preponderante para que sustentasse o empate sem gols durante o primeiro tempo, era natural se esperar que fosse sofrer pressão durante toda segunda fase, ocasião em que o seu mérito foi não dar brechas para que o Corinthians penetrasse.
Foi um período de ataque contra defesa, prevalecendo o espírito guerreiro dos pontepretanos, que, na única jogada de contra-ataque, puxada por Felipe Saraiva, premiou a equipe com o gol da vitória aos 22 minutos.
A rigor, bela jogada pessoal em que Saraiva cortou por dentro e chutou de perna esquerda, sem chances de defesa ao goleiro Cássio.
Antes mesmo da vantagem, o treinador Eduardo Baptista havia elevado a estatura de sua defesa com a entrada do zagueiro Reynaldo no lugar do meio-campista Léo Artur, já prevendo que o Corinthians insistiria em alçar bola.
PÊNALTI
Todavia, foi em penetração de Jadson, derrubado na área pelo zagueiro Luan Peres, que o Corinthians teve a chance do empate, mas displicentemente Jadson telegrafou a cobrança, chutou fraco e o goleiro Ivan praticou a defesa.
Não endeusem Ivan pela defesa. Na prática, ao longo da partida, repetiu o defeito de juniores de espalmar a bola para o seu campo de jogo, quando o prudente seria expulsá-la para escanteio.
Já fiz essa observação aqui e o leitor atento aos detalhes da partida de certo conferiu isso.
Portanto, do ponto de vista técnico apenas Saraiva mostrou futebol condizente com o cobrado pelo torcedor racional.
No aspecto tático e garra, inegavelmente a Ponte se superou e obrigatoriamente tem que ser elogiada por isso.
Não nos esqueçamos, contudo, que esse jogo não serve de parâmetro pra se mensurar a capacidade da equipe.
Ofensivamente, exceto lampejos de Saraiva, o time inexistiu. E cobrança ofensiva do time vai se acentuar contra adversários retrancados em Campinas.
Aí, o fato de o time pontepretano se expor, nessa circunstância, também servirá para se avaliar a confiabilidade na defesa que foi parcialmente remontada.





































































































































