Universidade do Futebol propõe Fair Play Social à CBF

A proposta de criação do Fair Play Social, sistema de governança e proteção dos direitos de crianças e adolescentes no futebol de base

O mesmo padrão de organização, acompanhamento e responsabilidade já utilizado na governança financeira dos clubes

CBF
Foto: (Divulgação - CBF)

SÃO PAULO, SP , 04 (AFI) – A Universidade do Futebol entrega nesta quinta-feira (3) ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, a proposta de criação do Fair Play Social, sistema de governança e proteção dos direitos de crianças e adolescentes no futebol de base.

O documento foi apresentado na terça-feira (1º) ao GT da Base, grupo de trabalho criado pela CBF que convidou a instituição a participar, e elaborado pela Frente Progresso Futebol de Base, comunidade idealizada pela Universidade que reúne mais de 500 profissionais de clubes e organizações.

A proposta sugere que o futebol brasileiro adote, para a proteção e o desenvolvimento de crianças e adolescentes, o mesmo padrão de organização, acompanhamento e responsabilidade já utilizado na governança financeira dos clubes. A ideia prevê critérios claros, verificação independente, transparência e mecanismos de apoio.

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Segundo a Frente, o Brasil acumulou, ao longo de quase quatro décadas, referências para assegurar os direitos de crianças e adolescentes, desde a Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente até a Lei Geral do Esporte, de 2023, e a Lei nº 15.387, sancionada em 2026.

O sistema organiza em obrigações mensuráveis os 11 direitos previstos no artigo 227, que envolvem vida, saúde, alimentação, educação, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito, liberdade e convivência familiar e comunitária, além de um eixo transversal de proteção integral.

Para cada obrigação, o Fair Play Social estabelece o que o clube deve assegurar, qual evidência comprova a prática, quem fará a verificação independente, com que frequência e quais mecanismos de apoio serão acionados quando houver necessidade de evolução.

“Se o futebol brasileiro já desenvolveu indicadores, processos de acompanhamento e mecanismos de governança para fortalecer sua sustentabilidade financeira, podemos dar um passo semelhante para fortalecer a proteção e o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes que representam o futuro do nosso futebol”, diz Heloísa Rios, CEO da Universidade do Futebol e coidealizadora da Frente Progresso Futebol de Base.

A proposta também contempla o desenvolvimento esportivo, defendendo a integração entre futebol, educação, desenvolvimento humano e preparação para a vida. Para a Frente, os clubes assumem papel central na formação dos jovens, enquanto ambientes como rua, escola e espaços de convivência também precisam fazer parte de uma estratégia ampla de desenvolvimento do futebol.

Clube que protege, educa, acompanha e desenvolve seus atletas cria melhores condições para formar jogadores mais preparados, cidadãos mais autônomos e profissionais mais completos. E um país que fortalece sua base cria as condições para voltar a ocupar o topo do futebol mundial”, explica Heloísa.

O roteiro para a implantação do Fair Play Social é gradual. Nos primeiros 90 dias, uma coalizão fundadora definiria o pacto de governança, a matriz jurídica e os indicadores iniciais. Entre o quarto e o nono mês, um piloto independente seria realizado em três a cinco clubes, permitindo ajustes nos instrumentos.

Do décimo ao décimo oitavo mês, o sistema seria ampliado, com protocolo público e integração à governança esportiva. O modelo envolve clubes e SAFs, CBF e federações, Conselhos de Direitos e Tutelares, Ministério Público, Ministério Público do Trabalho, patrocinadores, famílias e verificadores independentes, sem criar novas estruturas burocráticas ou substituir competências existentes.

O Fair Play Social precisa ser mais do que um sistema de verificação. Ele deve ser uma rede de proteção, aprendizagem e evolução para todo o futebol de base”, afirma Heloísa.

Para ela, clubes que protegem, educam e governam melhor criam ambientes mais seguros para os atletas, reduzem riscos, fortalecem a confiança das famílias e ampliam a responsabilidade dos investimentos.

Queremos um futebol cada vez mais pujante, competitivo e sustentável. E isso passa por uma construção coletiva: cuidar das finanças, cuidar da governança e, sobretudo, cuidar das crianças e dos adolescentes que representam o futuro desse esporte. O próximo craque precisa de campo. E de direitos.