Uefa estuda mover processo contra Gianni Infantino, diz jornal
Ao longo das 56 páginas, a Uefa afirma que os crimes podem ser punidos com até três anos de prisão
Outro ponto levantado na denúncia está ligado ao incentivo de US$ 40 milhões (R$ 206 milhões), prometido por Infantino às associações-membros da Fifa em troca do apoio ao plano
São Paulo, SP , 27 (AFI) – A Uefa estuda mover um processo criminal contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, em razão do plano, já abandonado, de criar uma empresa chamada Fifa Forward Enterprises (FFE) para administrar competições, inclusive a Copa do Mundo, e ceder participação a investidores externos.
Em documentos judiciais aos quais o jornal britânico The Times teve acesso, a entidade europeia defende que as ações de Infantino configuram “má gestão criminosa”, de acordo com o Artigo 158 do Código Penal Suíço.
56 PÁGINAS
Ao longo das 56 páginas, a Uefa afirma que os crimes podem ser punidos com até três anos de prisão. Solicita também uma ordem judicial para que Joshua Kushner, dono do fundo Thrive Capital, ligado a Donald Trump e escolhido como principal investidor da malograda FFE, divulgue documentos relacionados ao plano e seja intimado a prestar depoimento.
Outro ponto levantado na denúncia está ligado ao incentivo de US$ 40 milhões (R$ 206 milhões), prometido por Infantino às associações-membros da Fifa em troca do apoio ao plano.
“Infantino tentou forçar os membros a considerarem esse incentivo em um prazo muito curto. O prazo de resposta estabelecido por Infantino e seus comparsas era 19 de setembro de 2026 – um período de aproximadamente 53 dias a partir do anúncio de 28 de julho de 2026 para considerar uma grande reorganização dos ativos comerciais da Fifa, arquitetada em segredo por mais de um ano”, diz um trecho do documento, divulgado pelo Times.
ARGUMENTAÇÃO
A Uefa argumenta que o valor de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,71 bilhões) estabelecido para vender 20% das ações da futura companhia era “absurdamente baixo” e que a concepção da FFE “não foi produto de um leilão aberto e competitivo, nem testado por qualquer avaliador independente”.
O plano foi anunciado no final de julho deste ano e caiu como uma bomba entre parte das federações, que reagiram dizendo que o “futebol não está à venda”. A Uefa chegou a ameaçar boicotar torneios organizados pela Fifa e liderou a revolta contra Infantino.
ALIADOS
No momento, aliada à Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e à Confederação Asiática de Futebol (AFC), a entidade europeia tenta emplacar um candidato para impedir a reeleição do atual presidente em 27 março de 2027.
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, descartou a candidatura. O canadense Victor Montagliani, presidente da Concacaf, é uma das opções para representar a oposição.
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