Tifanny promete não desistir do vôlei: 'Coragem de resistir'

Atleta voltou a se manifestar pouco mais de uma semana depois de o Tribunal de Justiça do Rio derrubar uma liminar que a permitia atuar

Caso que impediu Tiffany Abreu de atuar na Superliga feminina de vôlei ainda passará por análise definitiva na Justiça comum

Tiffany Abreu durante treino (Foto: Divulgação)

Campinas, SP, 02 – Impedida de jogar a Superliga feminina por causa da nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Tifany Abreu voltou a se manifestar sobre o caso, pouco mais de uma semana depois de o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) derrubar uma liminar que a permitia atuar.

Em publicação no Instagram, disse que não vai desistir do vôlei.

Futebol Interior está nos Canais do WhatsApp. Participe agora!

FALA, TIFFANY

“Pelos caminhos do mundo, nenhum destino se perde. E mesmo quando os caminhos se tornam difíceis, quando tentam silenciar minha voz ou limitar os meus passos, sigo acreditando que nenhuma luta é em vão.

Em novembro, carregarei comigo a coragem de resistir, a dignidade de existir e o amor por uma profissão que escolhi exercer com verdade, respeito e carinho”, escreveu a jogadora do Osasco.

“Nem sempre é fácil permanecer de pé diante de tantas adversidades, mas aprendi que resistir também é uma forma de amar aquilo em que acreditamos. Porque eu continuo aqui. Existindo, resistindo e acreditando.

E enquanto houver amor pelo que faço, coragem para lutar e esperança no coração, nenhum obstáculo será maior do que a minha vontade de continuar. Podem tentar mudar os meus caminhos, mas jamais apagar a minha existência, a minha essência e o meu direito de seguir”, concluiu.

REPERCUSSÃO

Nos comentários da publicação, a oposta de 41 anos listou perfis de políticos e pediu que seus seguidores também os marcassem para chamar atenção ao caso.

Entre os nomes marcados, estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os deputados federais André Janones (REDE), Sâmia Bonfim (PSOL), Gleisi Hoffmann (PT) e Erika Hilton (PSOL), além de Alexandre Padilha (PT), ministro da Saúde, e Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento.

ENTENDA

No dia 24 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu manter a decisão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de impedir a participação de Tifanny Abreu em competições nesta temporada, o que acarretou na derrubada da liminar.

O caso, contudo, não teve sua conclusão, pois ainda passará por análise definitiva na Justiça comum. No momento, os representantes da Tifanny buscam uma reconsideração.

A CBV determinou, em agosto deste ano, que a prática dos torneios da categoria feminina seja exclusiva para as atletas que possuem o sexo biológico feminino, regra adotada em consonância com as atuais políticas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

DETALHES

Embora as entidades nacionais não sejam obrigadas a seguir os parâmetros do COI em suas competições, a confederação brasileira decidiu “atuar em conformidade com as diretrizes técnicas do Movimento Olímpico”, como argumentou ao divulgar as novas diretrizes.

No dia 16 de outubro, a jogadora conseguiu a liminar, agora derrubada, no TJ-RJ para jogar competições da CBV, após ter sido excluída da lista de atletas do clube com inscrição deferida.

A decisão na Justiça comum permitiu que a ponteira atuasse na partida pela Supercopa, contra o Praia Clube, na qual iniciou o jogo em quadra. Tifanny também participou da estreia do Osasco na Superliga, contra a equipe de Brasília.

Adicione o FI nas suas fontes favoritas do Google!

SAIBA MAIS

Tifanny conquistou o Campeonato Paulista com o Osasco, única competição que teve liberação para jogar depois da implementação da nova regra pela CBV. Na última temporada, ela foi a única atleta transexual a participar da Superliga Feminina.

A atleta concluiu a transição de gênero e estreou na categoria em 2017, após receber permissão da Federação Internacional de Vôlei.

Depois de passar pelo vôlei italiano, a oposta de 41 anos voltou ao Brasil e iniciou sua trajetória no Sesi-Bauru. Ela joga pelo Osasco desde 2021 e tem um título da Superliga e quatro Campeonatos Paulistas, além de um vice-campeonato no Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.