Terceiro técnico no ano: troca constante ameaça projeto de acesso do Guarani

Umberto Louzer assume o Bugre às vésperas da partida decisiva contra o Brusque e terá poucos dias para tentar interromper a queda de rendimento

O Guarani chega ao momento mais importante da Série C sob o comando do terceiro treinador da temporada.

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Umberto Louzer, técnico do Guarani

Campinas, SP, 25 (AFI) – O Guarani colocou o futuro de seu projeto de acesso nas mãos do terceiro treinador da temporada. Contratado para substituir Elio Sizenando, Umberto Louzer terá poucos dias de trabalho antes da partida contra o Brusque, marcada para sábado (29), às 17h, no Brinco de Ouro, pela última rodada da primeira fase da Série C.

O Bugre ocupa a sétima colocação, com 27 pontos, e depende apenas de si para avançar ao quadrangular decisivo. Uma vitória diante do líder garante a classificação. Em caso de empate ou derrota, a equipe precisará acompanhar os resultados de outros concorrentes.

A troca no comando aconteceu justamente quando a margem para ajustes chegou ao fim. Depois de liderar a competição e abrir vantagem dentro do G-8, o Guarani perdeu rendimento na reta final e venceu apenas uma das últimas oito partidas.

A derrota de virada por 3 a 1 para o Botafogo-PB, na penúltima rodada, foi a gota d’água. Além da sequência negativa, o desgaste de Elio com parte do elenco também pesou na decisão da diretoria.

O treinador deixou o clube com sete vitórias, seis empates e cinco derrotas em 18 jogos. Sob seu comando, o Guarani viveu momentos distintos: chegou ao topo da tabela, mas desperdiçou oportunidades de encaminhar antecipadamente a classificação.

A TERCEIRA VEZ É A DA SORTE?

Louzer será o terceiro técnico do Bugre em 2026, mas apenas o segundo durante a Série C. Matheus Costa iniciou a temporada e deixou o cargo após a eliminação na Copa do Brasil. Elio chegou em março para comandar o time no campeonato nacional e permaneceu até a penúltima rodada da primeira fase.

A mudança reforça uma marca incômoda no Brinco de Ouro. O Guarani não atravessa uma temporada inteira com o mesmo treinador há 45 anos. O último a começar e terminar o ano no comando foi Zé Duarte, em 1981.

Desta vez, a troca carrega um risco ainda maior por ocorrer antes de uma única partida capaz de definir todo o planejamento esportivo e financeiro do clube. Sem tempo para implantar grandes mudanças táticas, Louzer precisará agir principalmente na recuperação emocional do elenco e na escolha da equipe titular.

O novo treinador, ao menos, conhece profundamente o ambiente. Aos 46 anos, ele inicia sua terceira passagem pelo Guarani. Nas duas anteriores, acumulou 86 partidas, com 37 vitórias, 22 empates e 27 derrotas.

Louzer é o segundo técnico com mais jogos pelo Bugre neste século, atrás apenas de Vadão. Em 2018, participou da campanha que levou o clube de volta à elite do Campeonato Paulista. Na passagem mais recente, dirigiu a equipe durante a Série B de 2023 e o início da temporada seguinte.

A identificação com o Guarani ajuda a diminuir o período de adaptação, mas não reduz o tamanho do desafio. Louzer assumirá um time pressionado, em queda de rendimento e que terá pela frente o líder Brusque, já classificado para a próxima fase.

Além do peso esportivo, uma eventual eliminação aumentaria a cobrança sobre a diretoria. O Guarani iniciou a Série C como um dos candidatos ao acesso, montou uma das folhas salariais mais altas da competição e chegou a liderar a primeira fase.

Se avançar, o Bugre terá mais seis partidas no quadrangular para tentar retornar à Série B. Se ficar pelo caminho, encerrará precocemente sua participação nacional e passará a concentrar as atenções na discussão sobre a SAF e no planejamento para 2027.