Série B promove 17 trocas de técnicos em 29 rodadas

Dos 20 participantes, 12 mudaram de comando desde o início da competição; América-MG e Sport já passaram por quatro treinadores

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ALEX
Alex é um dos treinadores mantidos no cargo

Campinas, SP, 23 (AFI) – A Série B do Campeonato Brasileiro chegou à 29ª rodada com uma marca que expõe a impaciência dos clubes: foram 17 mudanças de treinador desde o início da competição. Dos 20 participantes, somente oito continuam com o mesmo comandante que estava à frente da equipe na rodada inaugural.

O levantamento considera exclusivamente as alterações realizadas durante a Série B. Demissões e contratações ocorridas nos estaduais ficaram fora da conta. Interinos utilizados apenas durante a procura por um substituto também não foram contabilizados como uma troca adicional, embora apareçam na cronologia dos clubes.

Os únicos resistentes são Alex, no Athletic; Cláudio Tencati, no Botafogo-SP; Eduardo Baptista, no Criciúma; Eduardo Barros, no Cuiabá; Maurício Barbieri, no Juventude; Hélio dos Anjos, no Náutico; Enderson Moreira, no Novorizontino; e Luizinho Lopes, no Operário-PR.

A estabilidade não ficou restrita aos times que brigam pelo acesso. O grupo reúne equipes do pelotão de cima, como Novorizontino, Juventude e Criciúma, mas também clubes pressionados na parte inferior da classificação, caso do Botafogo-SP. Mesmo em uma sequência negativa, Cláudio Tencati foi mantido pela diretoria e chegou à 29ª rodada como um dos oito sobreviventes.

América-MG e Sport lideram a dança das cadeiras

Nenhum clube movimentou tanto o mercado de treinadores quanto América-MG e Sport. Os dois já tiveram quatro comandantes diferentes durante a competição.

O América iniciou a Série B com Alberto Valentim, passou por Roger Silva e Umberto Louzer e chegou à 29ª rodada sob o comando interino de Douglas Leite. Foram três alterações em pouco mais de cinco meses. A instabilidade à beira do campo acompanhou o desempenho do time, que entrou na reta final do campeonato mergulhado na zona de rebaixamento.

O Sport também realizou três mudanças. Roger Silva comandou a equipe na estreia, mas caiu logo depois da primeira rodada. Márcio Goiano assumiu inicialmente como interino, foi efetivado e posteriormente substituído por Gilmar Dal Pozzo. Em setembro, Mariano Soso tornou-se o quarto treinador rubro-negro na Série B.

Ponte Preta chega ao terceiro técnico efetivo

Entre os paulistas, a Ponte Preta é o único clube que realizou mais de uma troca. Rodrigo Santana começou a competição, mas deixou o cargo após a quarta derrota consecutiva. Édson Boaro dirigiu a equipe interinamente por duas rodadas até a chegada de Márcio Zanardi.

Zanardi pediu demissão em agosto, em meio à crise financeira, aos atrasos salariais e à paralisação do elenco. Gilson Kleina aceitou retornar ao Majestoso e tornou-se o terceiro treinador efetivo da Macaca na Série B — e o quarto nome a ocupar o banco quando o período de Boaro é incluído.

Botafogo-SP e Novorizontino seguiram pelo caminho oposto. Cláudio Tencati e Enderson Moreira atravessaram as oscilações do campeonato sem perder o cargo. O São Bernardo fez uma mudança: Ricardo Catalá saiu depois da 20ª rodada e abriu espaço para Vinícius Bergantin.

Trocas entre adversários

A dança das cadeiras também provocou reencontros curiosos. Roger Silva começou o campeonato no Sport, assumiu o América-MG e depois chegou ao Atlético-GO. Daniel Paulista deixou o Goiás e foi contratado pelo Ceará, enquanto Mozart fez o caminho inverso: saiu do clube cearense e assumiu o Esmeraldino.

O Fortaleza realizou outra mudança mesmo estando na disputa pelo acesso. Thiago Carpini deixou o cargo depois da 19ª rodada, quando a equipe ocupava a quinta posição, e Paulo Autuori assumiu após uma partida sob o comando interino de Reinan Santos.

A lista de clubes que trocaram de treinador ainda inclui Avaí, CRB, Londrina e Vila Nova. Ao todo, 60% dos participantes alteraram o comando, enquanto apenas 40% preservaram o treinador da estreia.

O raio-X dos 20 clubes

ClubeTécnico na estreiaCaminho durante a Série BAtualTrocas
América-MGAlberto ValentimRoger Silva → Umberto Louzer → Douglas LeiteDouglas Leite (interino)3
AthleticAlexAlex0
Atlético-GOEduardo SouzaRoger SilvaRoger Silva1
AvaíCauan de AlmeidaAllan AalAllan Aal1
Botafogo-SPCláudio TencatiCláudio Tencati0
CearáMozartDaniel PaulistaDaniel Paulista1
CRBEduardo BarrocaFábio MatiasFábio Matias1
CriciúmaEduardo BaptistaEduardo Baptista0
CuiabáEduardo BarrosEduardo Barros0
FortalezaThiago CarpiniPaulo AutuoriPaulo Autuori1
GoiásDaniel PaulistaMozartMozart1
JuventudeMaurício BarbieriMaurício Barbieri0
LondrinaAllan AalRogério MicaleRogério Micale1
NáuticoHélio dos AnjosHélio dos Anjos0
NovorizontinoEnderson MoreiraEnderson Moreira0
Operário-PRLuizinho LopesLuizinho Lopes0
Ponte PretaRodrigo SantanaMárcio Zanardi → Gilson KleinaGilson Kleina2
São BernardoRicardo CataláVinícius BergantinVinícius Bergantin1
SportRoger SilvaMárcio Goiano → Gilmar Dal Pozzo → Mariano SosoMariano Soso3
Vila NovaAriel Mamede (interino)Guto FerreiraGuto Ferreira1

Total: 17 trocas em 29 rodadas.

A conta segue o critério de não transformar passagens provisórias entre uma demissão e uma contratação em novas trocas. Édson Boaro, Anderson Batatais, Renan Brito, Leandro Campos e Reinan Santos, por exemplo, comandaram suas equipes temporariamente, mas não foram tratados como treinadores efetivos no total.