Sem depender de bet, por que a Ponte Preta entrou na guerra que abala o futebol?
Macaca não tem uma casa de apostas como patrocinadora máster, mas teme que a proibição provoque perdas em contratos
Em crise e com dívida estimada em R$ 380 milhões, a Ponte participou de uma reunião emergencial na FPF para discutir a proibição das apostas esportivas
Campinas, SP, 29 (AFI) – A Ponte Preta não tem atualmente uma casa de apostas como patrocinadora máster. Mesmo assim, o clube entrou na mobilização do futebol paulista contra a medida que proíbe a operação e a publicidade das bets no país.
A presença da Macaca na reunião promovida pela Federação Paulista de Futebol pode parecer contraditória, mas existe uma explicação: as casas de apostas não colocam dinheiro somente na camisa dos clubes. Elas também sustentam propriedades comerciais de campeonatos, transmissões, placas publicitárias, conteúdos digitais e projetos coletivos.
Em um clube financeiramente saudável, uma retração desse mercado já provocaria preocupação. Para a Ponte, que enfrenta atrasos, redução de receitas e uma dívida estimada em aproximadamente R$ 380 milhões, qualquer perda adicional pode agravar uma situação que já beira o limite.
Ponte já teve uma bet como máster
A GingaBet foi anunciada como patrocinadora máster da Ponte em 2025, em um contrato que girava em torno de R$ 3,2 milhões por ano. A parceria, porém, não representa a realidade atual do uniforme alvinegro.
Em 2026, a Mansão Maromba ocupou brevemente o espaço principal da camisa, antes da chegada da Crear Empreendimentos. Portanto, não é correto dizer que a nova regra elimina imediatamente o atual contrato máster da Ponte.
O temor está no efeito indireto. Com a retirada das casas de apostas, o mercado esportivo perderia um de seus maiores compradores de publicidade. A diminuição da concorrência pode reduzir o valor de futuras propriedades comerciais e dificultar a busca por patrocinadores.
Uma crise que já chegou ao cotidiano
A situação financeira da Ponte deixou de ser apenas um número registrado no balanço. Salários e direitos ficaram atrasados, jogadores realizaram protestos e o elenco passou por uma debandada.
Até a alimentação de atletas e funcionários virou motivo de preocupação. Depois de relatos sobre restrições no fornecimento de pães, torcedores organizaram uma vaquinha e arrecadaram dinheiro para a compra de cestas e mantimentos.
É nesse cenário que a discussão sobre as bets ganha outra dimensão. A Ponte não perderia apenas um logotipo inexistente na parte principal da camisa. Poderia sofrer com a desvalorização de campeonatos, redução das cotas comerciais e retração de empresas que movimentam uma parcela relevante do dinheiro do futebol brasileiro.
O que os clubes discutem
A medida estabelece a retirada das propagandas e o encerramento das plataformas, mas depende de aprovação do Congresso para continuar válida. Os clubes passaram a avaliar caminhos jurídicos e comerciais para enfrentar a mudança.
Entre os pontos debatidos estão a suspensão de contratos, o congelamento de obrigações, possíveis renegociações e mecanismos de compensação. O setor calcula que as casas de apostas movimentam perto de R$ 1 bilhão por ano somente em patrocínios diretos ao futebol.
Também surgiu a possibilidade de uma linha bilionária de crédito e refinanciamento para clubes. A operação, caso avance, não significaria perdão de dívidas e teria regras para o uso dos recursos.
A Ponte entrou na discussão porque não pode assistir de longe a um movimento capaz de reduzir ainda mais o dinheiro disponível no futebol. Para um clube que já luta para pagar despesas básicas, até um impacto indireto pode virar uma nova emergência.





































































































































