Sem bets, Clubes das Séries A e B negociam linha de crédito com o Governo
Proposta ainda está em negociação e prevê condições diferenciadas de financiamento para equipes que enfrentam dificuldades econômicas
Endividados, clubes discutem com o Governo Federal e a CBF uma possível linha de crédito do BNDES para quitar dívidas e investir em infraestrutura.
São Paulo, SP, 24 (AFI) – Clubes brasileiros das Séries A e B discutem com o Governo Federal a criação de uma alternativa de crédito para enfrentar o cenário de endividamento do futebol nacional. A possibilidade envolve uma linha do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), enquanto a CBF participa das tratativas como articuladora.
A proposta ainda não foi definida e não há, neste momento, um valor estabelecido para os eventuais empréstimos. A ideia em discussão prevê condições de financiamento mais favoráveis que as encontradas normalmente no mercado, com utilização direcionada principalmente para a reorganização das dívidas dos clubes.
PROPOSTA VAI ALÉM DE DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS
O modelo estudado teria uma diferença em relação aos programas de recuperação fiscal adotados anteriormente no futebol. Em vez de contemplar exclusivamente débitos tributários, a linha poderia alcançar outras obrigações financeiras acumuladas pelas equipes.
Também existe a discussão sobre destinar parte dos recursos para obras e melhorias estruturais. Nesse formato, clubes com situação financeira menos grave poderiam utilizar o financiamento para modernizar suas instalações.
Ainda não foram estabelecidos os critérios que determinariam quais equipes poderiam contratar o crédito, tampouco as condições e garantias exigidas. As conversas, segundo reportagem do ge, ocorrem desde agosto.
CBF PARTICIPA DA ARTICULAÇÃO
A Confederação Brasileira de Futebol participa das discussões, mas não aparece como responsável pelo financiamento. O regulamento de Fair Play Financeiro, que entrou em vigor em 2026, também é citado nas conversas como parte da justificativa para a criação de uma eventual linha específica.
O argumento apresentado pelos clubes é que as novas regras de controle financeiro criaram um ambiente de maior acompanhamento sobre as contas das equipes. A expectativa é que eventuais recursos sejam utilizados dentro de parâmetros previamente estabelecidos.
As negociações são lideradas por Corinthians e Internacional, que atravessam dificuldades financeiras e estão submetidos a transfer bans da Fifa. Os presidentes Osmar Stabile e Alessandro Barcellos buscaram apoio de Pedro Daniel, atual CEO do Atlético-MG e ex-diretor executivo da EY.
Um estudo elaborado pela consultoria serviu de base para as conversas com representantes do Ministério do Esporte e da CBF.
BETS ENTRAM NO DEBATE
A discussão financeira acontece paralelamente ao debate sobre o futuro do mercado de apostas esportivas no Brasil. Segundo a reportagem, os clubes avaliam que eventuais restrições às bets poderiam reduzir uma importante fonte de receita comercial.
O setor se tornou um dos principais segmentos de patrocínio do futebol brasileiro nos últimos anos, com presença frequente nas camisas e em propriedades comerciais das equipes.
Estimativas citadas nas discussões apontam que as empresas de apostas movimentam aproximadamente R$ 1 bilhão por ano em contratos para exibição de marcas nas camisas dos clubes da Série A.
Na semana passada, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa do setor de apostas e alertaram para possíveis impactos econômicos de novas restrições.
BNDES JÁ ESTUDA O FUTEBOL
A possibilidade de participação do BNDES no debate ocorre após o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, afirmar neste mês que o banco pretende estudar modelos de gestão do futebol brasileiro. Segundo Mercadante, o alto nível de endividamento dos clubes é um dos pontos que motivam a análise.
O BNDES, porém, possui atualmente restrições gerais para financiamento de clubes em determinadas linhas, o que significa que uma eventual operação específica para o futebol dependeria de regras e estrutura próprias.
Por enquanto, portanto, não existe uma linha de crédito aprovada para os clubes. O que há é uma negociação envolvendo equipes das duas principais divisões nacionais, Governo Federal e CBF em busca de um modelo que possa ajudar na reorganização financeira do setor.
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