SAF ou W.O.? Ultimato dos jogadores coloca futuro da Ponte Preta em risco

Com salários atrasados há cerca de seis meses, elenco promete interromper o futebol a partir de terça-feira caso clube não apresente uma solução financeira

O ultimato aumenta a pressão pela aprovação da SAF e abre a possibilidade de a Macaca não entrar em campo

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Ponte Preta

Campinas, SP, 21 (AFI) – A maior goleada sofrida pela Ponte Preta em 31 anos pode ter sido apenas o início de uma semana ainda mais dramática. Com salários atrasados há aproximadamente seis meses, os jogadores deram um ultimato à diretoria e ameaçaram interromper as atividades do futebol a partir de terça-feira (25).

Caso a paralisação seja confirmada e o clube não consiga escalar uma equipe alternativa, a crise poderá chegar ao ponto mais extremo: a Ponte corre o risco de não entrar em campo e perder uma partida por W.O. na Série B do Campeonato Brasileiro.

O manifesto foi publicado pelos atletas nas redes sociais horas antes da derrota por 6 a 0 para o Vila Nova, em Goiânia. A goleada, que ampliou para 17 partidas o jejum de vitórias, aumentou a repercussão da cobrança.

“A partir do dia 25 de agosto, se nada mudar, iremos tomar medidas amparadas pela lei, que é parar o futebol até que atletas e funcionários recebam seus salários”, informou o elenco.

Assembleia será decisiva

O prazo estabelecido pelos jogadores começa um dia depois da Assembleia Geral Extraordinária marcada para segunda-feira (24), no Moisés Lucarelli. Os associados vão decidir se autorizam a constituição da Sociedade Anônima do Futebol da Ponte Preta.

A votação não representa, por si só, a venda imediata do futebol. Ela abre o caminho jurídico para que o clube se transforme em SAF e avance nas negociações com o grupo interessado em investir aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

O projeto prevê recursos para o pagamento das dívidas, investimentos no futebol e modernização do Moisés Lucarelli. Os jogadores tratam a SAF como a principal alternativa para que a Ponte volte a cumprir seus compromissos.

“Neste momento, é fundamental que a SAF avance e seja apoiada como uma alternativa para colocar as contas em ordem, garantir os salários e dar condições dignas de trabalho aos atletas e funcionários”, afirma outro trecho da nota.

A diretoria prometeu iniciar o pagamento de parte dos vencimentos atrasados a partir de terça-feira. A expectativa do elenco é que a aprovação da SAF permita a liberação dos recursos necessários. Entretanto, ainda não existe confirmação pública de que todos os débitos serão quitados imediatamente.

Quando poderia ocorrer o W.O.?

A Ponte ainda deve entrar em campo normalmente contra o Avaí neste domingo (23), às 16h, no Moisés Lucarelli. O prazo dado pelos atletas começa dois dias depois da partida.

Se a paralisação for mantida, o primeiro compromisso ameaçado será contra o América-MG, no domingo seguinte (30), fora de casa. Para evitar o W.O., a Ponte poderia recorrer a outros atletas regularmente inscritos, incluindo jogadores das categorias de base.

Pelas regras do futebol, uma equipe precisa começar a partida com pelo menos sete jogadores. Portanto, a greve do elenco profissional não provoca um W.O. automaticamente. O resultado administrativo somente ocorreria se o clube não comparecesse ou não reunisse o número mínimo exigido.

A possibilidade, no entanto, deixou de ser apenas uma hipótese distante depois de os jogadores afirmarem que pretendem “parar o futebol”, expressão que pode alcançar não apenas o time principal, mas toda a estrutura esportiva do clube.

Crise dentro e fora de campo

A Ponte ocupa a última colocação da Série B, com dez pontos em 23 rodadas. São duas vitórias, quatro empates e 17 derrotas, além de um saldo negativo de 32 gols.

O clube não vence desde 24 de abril e está a duas partidas de igualar o maior jejum sem triunfos da história da Série B. O recorde pertence ao ABC, que passou 19 jogos consecutivos sem ganhar em 2015.