SAF coloca Guarani e Ponte em caminhos opostos para escapar do colapso

Enquanto o Bugre se prepara para votar uma proposta de R$ 1,075 bilhão, a Macaca rejeitou a autorização para criar sua empresa e terá de recomeçar o processo

Rivais convivem com dívidas gigantescas e enxergaram na SAF uma saída para a crise.

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Campinas, SP, 29 (AFI) – Separados por poucos quilômetros e unidos por crises financeiras profundas, Guarani e Ponte Preta chegaram ao momento mais delicado de suas histórias recentes seguindo direções opostas.

O Bugre se prepara para votar uma proposta que pode entregar 90% do futebol ao grupo de Roberto Graziano. A Macaca, por outro lado, não conseguiu nem sequer a autorização necessária para constituir sua SAF.

A diferença não significa que um projeto esteja garantido e o outro definitivamente enterrado. Mostra, porém, que os rivais alcançaram estágios completamente diferentes na tentativa de usar o investimento privado como saída para dívidas gigantescas.

Guarani tem investidor, contrato e data

O Guarani analisa um contrato de 83 páginas. A proposta prevê investimentos de até R$ 1,075 bilhão, construção de estádio e centro de treinamento, aportes no futebol e recursos para enfrentar o passivo incluído na recuperação judicial.

O grupo de Roberto Graziano ficaria com 90% da SAF, enquanto o clube associativo manteria 10%. A votação definitiva está marcada para 2 de outubro.

Isso não significa que o negócio esteja fechado. Conselheiros ainda discutem garantias, prazos e mecanismos de proteção do patrimônio. A diferença é que o Guarani conhece quem pretende assumir o controle, quanto promete investir e qual participação ficará com cada lado.

Ponte parou na primeira porta

Na Ponte, a votação realizada em 19 de setembro não tratava da venda do futebol nem da aceitação de um investidor específico. O que estava em discussão era apenas a autorização para criar a SAF.

Dos 384 associados presentes, 234 votaram a favor e 150 foram contrários. A aprovação teve maioria simples, mas não alcançou os dois terços exigidos pelo estatuto. Faltaram 22 votos.

Com a derrota, uma eventual proposta próxima de R$ 1 bilhão, mencionada pela diretoria sem a apresentação pública do investidor, nem sequer chegou à fase oficial de avaliação pelos associados.

Para retomar o assunto, a Ponte precisará reconstruir o processo: formação de comissão, elaboração de pareceres, análise nos conselhos e convocação de uma nova assembleia. Na prática, voltou à estaca zero.

O peso das crises

A dívida da Ponte é estimada em cerca de R$ 380 milhões. O clube enfrenta atrasos, saída de jogadores, protestos e dificuldades até em despesas do cotidiano.

O Guarani também convive com um passivo pesado, uma recuperação judicial complexa e a necessidade de encontrar recursos para voltar a competir em nível mais alto. A diferença está na velocidade do processo político.

RAIO-X DAS SAFs

GuaraniPonte Preta
Investidor identificadoInvestidor não apresentado oficialmente
Proposta de até R$ 1,075 bilhãoProposta mencionada na casa de R$ 1 bilhão
90% para o grupo investidorDivisão acionária não submetida aos associados
Contrato com 83 páginasVotação tratou somente da criação da SAF
Decisão marcada para 2 de outubroAutorização rejeitada por não atingir dois terços

A SAF não representa automaticamente a salvação de qualquer clube. Pode trazer capital, profissionalização e capacidade de investimento, mas também transfere poder e impõe riscos de longo prazo.

Guarani e Ponte chegaram ao mesmo cruzamento pressionados pelo colapso financeiro. O Bugre decidiu avançar e está prestes a escolher se entrega o volante. A Macaca pisou no freio antes mesmo de conhecer oficialmente quem pretendia dirigir.