Quem são os meninos lançados no caos para salvar a Ponte de vexame histórico

Com idades entre 17 e 23 anos, jogadores formados no clube foram convocados às pressas durante a greve do elenco profissional

A crise financeira obrigou a Ponte Preta a enfrentar o América-MG somente com jogadores revelados pelas categorias de base.

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Jogadores da base da Ponte enfrentaram o América

Campinas, SP, 31 (AFI) – A responsabilidade de impedir um dos maiores vexames da história da Ponte Preta caiu sobre jogadores que ainda estão no início da carreira. Com o elenco profissional em greve por causa dos salários atrasados, jovens de 17 a 23 anos foram convocados às pressas para enfrentar o América-MG e evitar uma derrota por W.O. na Série B.

Alguns já frequentavam o time principal diante do desmonte do elenco. Outros foram retirados das categorias de base durante a semana e viajaram para Belo Horizonte depois de poucos treinamentos com Gilson Kleina, contratado para iniciar a sexta passagem pelo clube justamente no auge da crise.

O grupo não conseguiu evitar a derrota por 2 a 0, mas sustentou o empate durante todo o primeiro tempo. Vinícius Ferrari fez grandes defesas e terminou como um dos destaques da partida. A Ponte ainda chegou a balançar a rede com Matheus Souza, mas o gol foi anulado por toque de mão.

A resistência terminou no início da etapa final. Willian Bigode abriu o placar logo no primeiro minuto, e Rodrigo Piñeiro ampliou aos 13. Mesmo em desvantagem, os jovens mantiveram a organização e impediram que a partida terminasse em uma goleada.

Quem assumiu a missão

A delegação formada no Jardim Eulina reuniu jogadores de seis posições:

  • Goleiros: Guilherme Viana e Vinícius Ferrari, ambos de 23 anos;
  • Zagueiros: Gustavo Almeida, de 20, e Diego Leão, de 21;
  • Laterais: Júlio, de 19; Matheus Souza, de 17; Gabriel Cicala, de 18; e Kawann, de 21;
  • Volantes: Gustavo Telles, de 21; Juan, de 20; Ryan Andrade e Caio Vinícius, ambos de 18; e Guilherme Martins, de 21;
  • Meias: Miguel, de 21, e Cauã Felipe, o Cacá, de 20;
  • Atacantes: Damião, de 17; Nicolas, de 20; e Thevyn, também de 20.

Vinícius Ferrari; Júlio, Diego Leão, Gustavo Almeida e Matheus Souza; Gustavo Telles, Juan e Ryan Andrade; Nicolas, Damião e Miguel formaram o time titular. Gabriel Cicala, Thevyn, Caio Vinícius e Cacá também foram utilizados durante a partida.

O contraste ficou evidente. Enquanto os dirigentes não apresentavam uma solução para os atrasos que, em casos específicos, se aproximam de um ano, os atletas mais jovens do clube foram enviados para preservar a participação da Ponte no campeonato.

Jogadores emprestados por outras equipes chegaram a ser procurados para completar a delegação, mas decidiram manifestar solidariedade aos companheiros em greve. Coube, então, exclusivamente aos formados no clube representar a camisa alvinegra no Independência.

A derrota entrou na classificação, mas o comportamento dos jovens evitou que o clube sofresse as consequências esportivas e institucionais de um W.O. Em uma das páginas mais constrangedoras da história recente da Ponte, a base não resolveu a crise — apenas impediu que ela produzisse uma vergonha ainda maior.

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