Por que voltar sem receber? Os bastidores da decisão que encerrou a greve na Ponte
Advogado atribui retorno ao respeito pelo clube e pela torcida; Kleina participou das conversas
Os jogadores da Ponte Preta decidiram retomar as atividades sem que os pagamentos cobrados fossem realizados
Campinas, SP, 02 (AFI) – O dinheiro não chegou, mas os jogadores decidiram voltar. Depois de seis dias de paralisação, o elenco da Ponte Preta optou por retomar as atividades sem receber os valores que motivaram o protesto. Segundo o advogado Filipe Rino, representante dos atletas, a decisão foi tomada em respeito à instituição e à torcida — não porque a diretoria tivesse solucionado as pendências.
O retorno muda a rotina do futebol, mas mantém o problema que provocou a greve. Ao Estadão, Rino afirmou que o grupo esperava pagamentos, esclarecimentos e a presença dos dirigentes. Na avaliação do advogado, essas expectativas não foram atendidas.
“Em respeito à instituição, mesmo com a diretoria permanecendo inerte, eles resolveram voltar e continuar o campeonato, respeitando a instituição e a torcida”, declarou.
O que mudou desde o início da greve
Quando suspenderam as atividades, em 26 de agosto, os jogadores haviam condicionado o retorno à regularização dos pagamentos. A manifestação citava atrasos de salários e direitos de imagem que chegavam a seis meses em alguns casos, além da falta de respostas da gestão.
A mudança, portanto, foi na posição do elenco sobre continuar competindo, não na situação financeira. Segundo o ge, o grupo permanece insatisfeito, especialmente com o presidente Luiz Torrano, que, conforme a reportagem, não apareceu para conversar com os atletas. Também não havia prazo para regularizar os atrasados.
Kleina entrou na conversa
O ge aponta que Gilson Kleina teve participação importante nas tratativas com as lideranças do elenco. Parte dos jogadores compareceu ao CT do Jardim Eulina na terça-feira (1º), e uma conversa com o treinador estava prevista para a manhã de quarta-feira (2).
A tentativa de aproximação já havia sido anunciada pelo técnico após a derrota para o América-MG, no domingo (30). Na ocasião, Kleina disse que pretendia ouvir os profissionais paralisados e buscar um entendimento para concluir a competição.
“A minha ideia é me reunir com eles a partir de amanhã para entender o lado deles e tentar encontrar um consenso”, afirmou naquele dia.
A base segurou a responsabilidade
Sem o elenco principal, a Ponte precisou recorrer aos jogadores formados no clube para enfrentar o América-MG e evitar um W.O. Os jovens sustentaram o empate no primeiro tempo, mas a equipe acabou derrotada por 2 a 0 no Independência. Kleina elogiou a entrega e reconheceu a diferença de ritmo e experiência na etapa final.
A volta dos profissionais oferece ao treinador a possibilidade de reorganizar o grupo para enfrentar o São Bernardo, domingo (6), às 18h30, no Moisés Lucarelli. O desafio imediato é recuperar a preparação; o pagamento dos trabalhadores, porém, continua sendo uma pendência da direção.





































































































































