Ponte Preta vota SAF em meio a crise e divisão interna
A reunião acontece nesta segunda-feira (24), no Salão Nobre do Moisés Lucarelli, com primeira chamada às 17h e segunda convocação às 17h30
A discussão acontece em um dos momentos mais delicados da história recente da Ponte Preta dentro e fora de campo
Campinas, SP, 24 (AFI) – A Ponte Preta enfrenta nesta segunda-feira (24) uma decisão que pode mudar os rumos do clube nos próximos anos. Em meio à crise financeira, salários atrasados e uma série de disputas internas, os associados participam de uma Assembleia Geral Extraordinária para decidir se autorizam a constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A reunião acontece no Salão Nobre do Moisés Lucarelli, com primeira chamada às 17h e segunda convocação às 17h30. Para a aprovação, são necessários dois terços dos associados presentes. Apesar da importância da votação, a diretoria alvinegra reforça que os associados não irão decidir nesta segunda-feira pela venda do futebol a um investidor específico.
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“A Assembleia Geral dos associados foi convocada para autorizar que a Ponte Preta possa criar sua SAF futuramente. Eventuais propostas somente poderão ser avaliadas futuramente. Nenhuma proposta nesse momento será votada”, explicou o diretor jurídico José Henrique Specie.
O presidente Luiz Torrano segue a mesma linha e afirma que a votação trata apenas da mudança do modelo administrativo.
“A reunião vai autorizar a mudança de modelo administrativo. Não estará se autorizando a venda de nada. A Ponte, a partir da aprovação, estará aberta a novos investimentos.”
O QUE ESTÁ EM JOGO?
O edital permite que os associados autorizem a criação da SAF por dois caminhos: a transformação completa da associação ou a cisão do departamento de futebol.
No segundo modelo, a associação manteria as atividades sociais, enquanto o futebol profissional e as categorias de base seriam transferidos para a SAF. Segundo Specie, patrimônio como o Moisés Lucarelli, o Clube das Paineiras e o CT do Jardim Eulina permaneceriam vinculados à associação.
“A transformação altera totalmente o clube do modelo de associação para se tornar integralmente uma Sociedade Anônima do Futebol. Com a cisão ocorre uma separação de áreas do clube, mantendo na associação as atividades sociais e de lazer para os associados, e somente o departamento de futebol profissional e de base fica aos cuidados da SAF criada para esse fim.”
PROPOSTA BILIONÁRIA
Um dos principais pontos de discussão nos bastidores é a proposta de investimento que teria valor próximo de R$ 1 bilhão. A diretoria, entretanto, garante que nenhum projeto específico será submetido aos associados nesta segunda.
“O estatuto exige que qualquer proposta, eventuais contratos e seus detalhes deverão ser avaliados e aprovados posteriormente pelo Conselho Deliberativo. Antes de qualquer avaliação de eventual proposta a Assembleia Geral de associados precisa autorizar o clube a futuramente a constituir uma SAF.”
Caso uma proposta seja apresentada posteriormente, o Conselho Deliberativo ainda terá participação no processo de aprovação.
OPOSIÇÃO EM PESO
Embora não se declare contrária à SAF, parte da oposição da Ponte entende que os associados precisam conhecer melhor as consequências da autorização antes de votar.
O conselheiro Gustavo Garcia Valio, que acionou a Justiça para pedir esclarecimentos, afirma que a intenção não é impedir a assembleia, mas garantir que a decisão seja tomada com todas as informações disponíveis.
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“A intenção da ação não é suspender, de forma nenhuma, a Assembleia de segunda-feira. Não é anular nem impedir absolutamente nada. A intenção dessa ação é justamente que a Assembleia ocorra, mas de forma consciente, com cem por cento das informações necessárias aos seus conselheiros para que eles possam votar de forma consciente, sabendo o que estão fazendo.”
Valio também ressalta que não é contrário ao modelo SAF, mas questiona a condução do processo pela atual administração. “Não sou contra a SAF. Porém, sou contra a SAF estar sendo negociada, administrada e conduzida pela atual gestão.”
O conselheiro ainda chama atenção para o que poderá acontecer depois da eventual aprovação. “Não basta dizer: ‘segunda-feira ninguém vai vender nada’. Isso pode até ser verdadeiro em sentido estritamente temporal. A questão é: o que a aprovação de segunda-feira autoriza que seja feito depois?”
CRISE NA MACACA
A discussão acontece em um dos momentos mais delicados da história recente da Ponte Preta. O clube enfrenta problemas financeiros, enquanto o elenco profissional relata meses de salários atrasados. Na última semana, os jogadores publicaram um comunicado cobrando uma solução e defenderam a SAF como alternativa para reorganizar as contas.
“É fundamental que a SAF avance e seja apoiada como uma alternativa para colocar as contas em ordem, garantir os salários e dar condições dignas de trabalho aos atletas e funcionários.”
O elenco também estabeleceu prazo para a regularização das pendências, com ameaça de paralisação a partir desta terça-feira (25), caso os pagamentos não sejam realizados. O técnico Márcio Zanardi também já havia se manifestado sobre a situação financeira e foi direto ao avaliar o futuro do clube: “A Ponte precisa virar SAF, senão vai fechar.”





































































































































