Perto da Ponte, Kleina reencontra fantasma de missão que fracassou no Palmeiras

Treinador não conseguiu impedir a queda alviverde em 2012 e pode assumir uma Macaca em situação esportiva e administrativa ainda mais grave

Gilson Kleina negocia a sexta passagem pela Ponte Preta e pode enfrentar novamente uma missão contra o rebaixamento

Palmeiras 2
Gilson Kleina

Campinas, SP, 27 (aFI) – A possível volta de Gilson Kleina à Ponte Preta coloca o treinador diante de uma missão semelhante à enfrentada no Palmeiras em 2012. Naquela temporada, ele assumiu uma equipe mergulhada na zona de rebaixamento, conseguiu uma reação inicial, mas não impediu a queda para a Série B.

Agora, 14 anos depois, Kleina negocia para comandar a Macaca em uma situação ainda mais dramática. O time ocupa a lanterna da segunda divisão, está 19 pontos atrás da primeira equipe fora da zona de rebaixamento e não vence há 18 rodadas.

A comparação começa justamente na Ponte. Em setembro de 2012, Kleina deixou o clube campineiro para substituir Luiz Felipe Scolari no Palmeiras. O treinador havia conquistado o acesso à Série A com a Macaca no ano anterior e vivia um dos melhores momentos da carreira.

Quando chegou ao clube alviverde, o Palmeiras ocupava a penúltima posição do Campeonato Brasileiro, com 20 pontos depois de 25 rodadas. Kleina estreou com uma vitória por 3 a 1 sobre o Figueirense e, na sequência, derrotou a própria Ponte Preta por 3 a 0.

O começo alimentou a esperança de uma recuperação, mas a reação perdeu força. O Palmeiras voltou a acumular derrotas, permaneceu durante todo o trabalho de Kleina na zona de rebaixamento e teve a queda confirmada após um empate por 1 a 1 com o Flamengo.

Sob o comando do treinador, o time conquistou quatro vitórias, dois empates e sofreu sete derrotas nas 13 rodadas finais. Foram 14 pontos em 39 possíveis, rendimento insuficiente para evitar o segundo rebaixamento da história palmeirense.

Apesar do fracasso na tentativa de salvação, Kleina foi mantido para a temporada seguinte. Em 2013, conduziu o Palmeiras ao título da Série B e ao retorno imediato à elite, transformando a reconstrução posterior à queda em uma das marcas de sua passagem pelo clube.

Situação da Ponte é ainda mais extrema

Na Ponte, o desafio ultrapassa os resultados dentro de campo. Além dos dez pontos conquistados em 24 rodadas, Kleina poderá encontrar um elenco em greve por atrasos de salários e direitos de imagem que chegam a seis meses.

Os jogadores suspenderam treinos e ameaçam não enfrentar o América-MG no domingo. Márcio Zanardi pediu demissão e afirmou que a crise financeira e administrativa já não permitia a continuidade do trabalho.

A Ponte também possui três punições que impedem o registro de atletas. Onze jogadores contratados durante a janela deixaram o clube sem sequer estrear porque a diretoria não conseguiu regularizá-los.

Enquanto o Palmeiras de 2012 tinha um elenco treinando normalmente e condições estruturais para tentar a reação, a Macaca ainda precisa descobrir quais jogadores aceitarão entrar em campo. A diretoria tenta convencer parte dos profissionais a interromper a greve e considera completar a equipe com jovens da base.

A ligação de Kleina com a Ponte pesou para que ele aceitasse conversar mesmo diante do cenário. O treinador soma 232 partidas em cinco passagens pelo clube, conquistou o acesso à Série A em 2011 e levou a equipe ao vice-campeonato paulista de 2017.

Caso o acordo seja concluído, esta será sua sexta passagem pelo Majestoso. A primeira tarefa talvez nem seja tentar uma recuperação na tabela, mas ajudar o clube a montar um time para cumprir seu próximo compromisso.

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