'Melhor goleiro do mundo em Copas', Ochoa disputa seu quinto Mundial no Catar

O guarda redes sempre aparece jogando muito bem de quatro em quatro anos

'Melhor goleiro do mundo em Copas', Ochoa disputa seu quinto Mundial no Catar. (Reuters)

São Paulo, SP, 22 (AFI) – Assim como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, dois dos melhores jogadores da história do futebol, o goleiro Guillermo Ochoa, da seleção do México, chega ao Catar para a quinta Copa do Mundo da carreira.

Ele e os mexicanos estreiam no Mundial nesta terça-feira, às 13h, contra a Polônia, em jogo válido pelo Grupo C, o mesmo de Argentina e Arábia Saudita. A partida será disputada no estádio 974, em Doha.

2018 06 17t170034z 21858516 rc156db6a820 rtrmadp 3 soccer worldcup ger
‘Melhor goleiro do mundo em Copas’, Ochoa disputa seu quinto Mundial no Catar. (Reuters)

Aos 37 anos, o jogador de volumosa cabeleira, faixa na cabeça e vestindo a tradicional camisa 13, virou um célebre personagem recente das Copas graças ao ótimo desempenho sob as traves mexicanas, principalmente em jogos contra seleções de peso, como Brasil, Alemanha e Holanda.

Nesta primeira fase no Catar, terá a missão de jogar contra Messi e Robert Lewandowski. Porém, diferentemente do que muitos imaginam e suspeitam, Ochoa não joga e nunca jogou por um grande clube da Europa, e construiu uma carreira internacional em times de pouca expressão, como Ajaccio e Granada.

Esse contraste entre o que Ochoa já mostrou ser capaz de fazer e a falta de oportunidades nas principais equipes do mundo acabaram transformando o goleiro mexicano em uma espécie de atleta folclórico. Pelas mãos dos brasileiros, que tiveram que sofrer com a habilidade do rival por duas vezes, não demorou para o jogador logo ser alvo de memes e piadas.

E eles logo voltaram a pipocar nas redes quando o técnico do México, Tata Martino, divulgou a lista dos nomes para a Copa com a presença de Ochoa entre os convocados. “Vão descongelá-lo depois de quatro anos para sumir depois”, escreveu um. “Chegou o momento em que ele aparece para virar o melhor goleiro do mundo”, postou outro. “Vamos ver de novo o goleiro-camisinha: protege e não deixa passar nada”, publicou um terceiro internauta.

Nas quatro Copas em que jogou até agora, Ochoa foi titular em duas: 2014 e 2018. Foi no Brasil que o mexicano ganhou a tal fama quando conseguiu segurar um 0 a 0 contra os donos da casa na primeira fase. Uma das várias defesas, de tão precisa e milimétrica, precisou ser checada para se certificar de que a bola não tinha cruzado a linha do gol. O goleiro foi eleito o melhor jogador da partida.

Naquele mesmo Mundial, ele voltaria a se destacar no jogo contra a Holanda nas oitavas de final. Apesar de fazer algumas outras boas defesas, como em um chute à queima-roupa do zagueiro De Vrij, o mexicano não impediu a eliminação para a equipe de Robben, Van Persie e Sneijder, de virada, nos minutos finais do jogo.

Quatro anos depois, na Rússia, Ochoa voltava a defender o gol do México em uma Copa do Mundo. Logo na estreia, contra a poderosa Alemanha, o goleiro mostrou de novo do que era capaz. Com ótimas defesas, ajudou sua seleção a vencer por 1 a 0 a então campeã mundial, que seria eliminada ainda na fase de grupos.

O triunfo foi fundamental para a classificação mexicana às oitavas, fase que reservou um novo confronto com o Brasil. Apesar de o México perder o jogo por 2 a 0 e ser eliminado, Ochoa foi, mais uma vez, um dos destaques da partida com uma ótima atuação.

De acordo com o site Footstats, especialista em estatísticas de futebol, nos oito jogos que Ochoa fez em Copas do Mundo, o goleiro realizou 28 defesas, sendo oito consideradas difíceis. A própria Fifa, em seus canais de comunicação, trata o jogador como um dos personagens que merecem atenção no Mundial do Catar, seja pela 5ª participação no torneio, como também pelas defesas e atuações nas partidas contra equipes tradicionais.

CARREIRA DE OCHOA

Entretanto, na sequência dos elogios a Ochoa, uma pergunta também costuma ser feita com frequência nas Copas: “Por que um dos goleiros de maior destaque nos Mundiais não joga em um time de ponta da Europa?”.

Ochoa, de fato, nunca chegou a vestir a camisa de um gigante europeu e acabou construindo sua carreira em clubes de maneira mais discreta, embora seja muito respeitado no México. Na Europa, sua passagem se resume a equipes de pouca expressão, como Ajaccio, na França; Málaga e Granada, na Espanha; e Standard Liège, da Bélgica.

Revelado pelo América-MEX, o goleiro construiu uma carreira de prestígio no futebol local. Aos 20 anos, já era titular absoluto da equipe e se tornou, em 2005, o goleiro mais jovem do país a ser convocado para a seleção nacional, aos 20 anos e 5 meses. Em 2006, ele foi um dos três goleiros convocados para a Copa do Mundo na Alemanha.

Ochoa permaneceu na equipe que o formou até 2011. Depois de uma trajetória sólida de nove anos defendendo o América-MEX e conquistar títulos coletivos e individuais – ele estava na histórica derrota do Flamengo para América-MEX por 3 a 0, no Maracanã, pela Copa Libertadores em 2008 -, o goleiro se transferiu para a França para jogar no modesto Ajaccio.

Porém, o destino que se esperava para o jogador mexicano era o Paris Saint-Germain, que desistiu de última hora da contratação porque, na época, Ochoa havia testado positivo em um exame antidoping. Mais tarde, seria descoberto que a substância proibida foi consumida em uma carne contaminada.

Fato é que, no Ajaccio, apesar de jogar em um time que tinha como objetivo fugir do rebaixamento, Ochoa conseguiu ser titular por três temporadas seguidas e ter uma sequência de jogos que lhe garantiram mais convocações para a seleção mexicana.

Depois de escapar do rebaixamento por dois anos, o Ajaccio não resistiu e terminou o Campeonato Francês da temporada 2013/2014 na última posição e caiu para a segunda divisão da liga nacional. O mesmo goleiro que terminou a temporada sofrendo 71 gols no Campeonato Francês em 37 jogos seria o mesmo que, semanas depois, espantaria o mundo ao fechar o gol contra o Brasil na Copa de 2014.

Apesar da queda com o Ajaccio, as boas aparições no Mundial levaram Ochoa a se transferir para o Málaga da Espanha. Mas, na equipe espanhola, o mexicano não chegou a se firmar como titular e pouco atuou. Depois de 19 partidas em dois anos, o goleiro foi emprestado ao Granada, também da Espanha, no começo da temporada 16/17.

O cenário era parecido com o do Ajaccio: uma equipe modesta que tinha a permanência na primeira divisão como principal objetivo. Mas a meta não foi cumprida. Depois de um ano jogando no Granada como titular, Ochoa foi rebaixado e não teria seu empréstimo estendido nem o contrato com o Málaga renovado.

Sem clube, ele assinou com o Standard Liège, da Bélgica, por onde jogou por três temporadas até voltar ao time de formação, o América-MEX, na temporada 19/20, onde permanece até hoje e joga como capitão da equipe. Anos depois, o empresário do atleta chegou a dizer em entrevista que o jogador despertou interesse do Flamengo e foi procurado para defender o time carioca. Mas não houve acordo na época.

Por clubes, Ochoa foi campeão do torneio Clausura em 04/05, da Liga dos Campeões da Concacaf em 05/06, e da Copa da Bélgica na temporada 17/18. Pela seleção do México, venceu quatro vezes a Taça de Ouro da Concacaf, e além de participar de cinco Mundiais, também já representou o país nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, onde conquistou a medalha de bronze.

Com 131 jogos, Ochoa é o goleiro que mais jogou pela seleção mexicana na história e está entre os seis que mais representaram o país asteca. Antes do amistoso contra o Iraque, no começo do mês, o jogador foi homenageado pela Federação Mexicana de Futebol por conta dos serviços prestados ao México e pela história de 18 anos defendendo as traves da seleção.

CRÍTICAS


Apesar dos elogios, Ochoa também não está isento de críticas e cornetadas da torcida. Em junho deste ano, o ex-atacante Jesus Mendoza, que foi companheiro do goleiro no América, foi às redes sociais depois do time empatar em 1 a 1 contra o Pachuca, sofrendo um gol de pênalti nos minutos finais do jogo: “Algum dia Memo (em referência a Guilhermo Ochoa) vai defender um pênalti?”, escreveu Mendoza no Twitter.

Pelas estatísticas, o goleiro mexicano, de fato, mostra uma deficiência no quesito. Apesar de ter defendido uma penalidade em agosto, depois das críticas do ex-colega, Ochoa agarrou apenas 16 pênaltis e sofreu 72 em uma carreira que já soma mais de 800 jogos no profissional, entre clubes e seleção – estatísticas consideram apenas cobranças no tempo normal de jogo.

Considerando que o goleiro atua como profissional com certa regularidade desde 2004, trata-se de uma média de menos de um pênalti defendido por temporada.

MALDIÇÃO DAS OITAVAS

Apesar das ótimas atuações em Copas, Ochoa não conseguiu, ainda, ajudar o México a quebrar uma marca negativa que faz parte da história do time em mundiais. Desde 1994, os mexicanos são eliminados nas oitavas de final da Copa do Mundo e não conseguem terminar a competição entre as oito melhores equipes do torneio.

Nos Estados Unidos, há 28 anos, os astecas foram eliminados pela Bulgária; em 1998, caíram para a Alemanha. Em 2002, perderam para os Estados Unidos na Copa disputada na Coreia do Sul e no Japão. Em 2006 e 2010 foram superados pela Argentina; em 2014, tomaram a virada contra a Holanda e, em 2018, foram derrotados pelo Brasil por 2 a 0, na Rússia.

O bom futebol apresentado pelos mexicanos, mas carregado de vacilos e uma carga de azar nos jogos decisivos, levou o time a ficar com a fama de ser uma seleção que “joga como nunca, mas perde como sempre”. Caberá a Ochoa, capitão do time, liderar o México na missão de fazer o time ir o mais longe possível no Catar. E ela começa nesta terça-feira, contra a Polônia.

Confira também: