Mato-Grossense: Crise ameaça estadual de 2027
Arbitragem do estado sofre com as mazelas dos mandatários da entidade responsável pelas competições
Somente este ano, cinco árbitros já solicitaram desligamento do quadro de arbitragem, em meio a um cenário de insatisfação
Por: Oliveira Júnior para o Futebol Interior
Cuiabá, MT, 28 (AFI) Eles ainda não tiveram a profissão regulamentada em Mato Grosso, trabalham em outras funções no dia a dia, se revezam entre gramados esburacados, estádios sem segurança, vestiários vulneráveis e ainda são obrigados a ouvir xingamentos de torcedores, dirigentes e atletas durante jogos das mais variadas competições.
Sem vínculo empregatício com a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), dependem do pagamento das taxas (cachês por partida) para reforçar o orçamento familiar; mas quando esse dinheiro não chega, atrasa e ainda tem que pagar para trabalhar, a situação se torna insustentável.
ENTENDA

Esta é a atual situação da arbitragem em Mato Grosso, que sofre com as mazelas dos mandatários da entidade responsável pelas competições. Como a FMF não tem um patrocinador para custear as despesas, falta dinheiro para pagar os árbitros e assistentes, e, novamente, o atraso pode gerar o caos no futebol regional.
Conforme o jornal “A Gazeta”, de Cuiabá, apurou ao longo dessa semana, o atraso das taxas e diárias, inclusive de viagens, pode engessar a FMF e até paralisar o calendário de 2027, com início previsto para o dia 9 de janeiro, com a largada do Mato-Grossense.
Somente este ano, cinco árbitros já solicitaram desligamento do quadro de arbitragem, em meio a um cenário de insatisfação com as condições de trabalho e a condução administrativa da entidade.
MAIS DETALHES
O Campeonato Mato-grossense de 2027 está cada vez mais próximo, e a saída de árbitros levanta questionamentos sobre o planejamento da arbitragem, a valorização dos profissionais e as medidas que serão adotadas pela FMF para evitar novas baixas.
A Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) mantém sem seus quadros 26 árbitros e apenas 19 assistentes que se revezam entre as competições oficiais, como o Campeonato Mato-grossense, Estadual da Segunda Divisão, Estadual Feminino, as diversas divisões de base, além da Copa FMF, que encerra o calendário no próximo dia 10 de novembro.
No ano passado, o presidente eleito, Diogo Pécora, já enfrentou dificuldades semelhantes. Até agora já deixaram o quadro Rodrigo Fonseca, Luiz Paulo de Moura Pinheiro, Geovanio de Lima, Jean Latorraca e Rafael Odilio.
ÁRBITROS PAGAM PARA VIAJAR
A dívida da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) para com os árbitros que integram o quadro da entidade é superior a R$ 250 mil. Mas a dívida pode ser maior já que a Federação de Mato Grosso está inadimplente por não prestar contas de um convênio com a SECEL, no valor de R$ 400 mil.
Segundo apurado pela imprensa do Mato Grosso, foram mais de 250 jogos que ultrapassam o valor de R$ 250 mil em pendências, com os árbitros e assistentes ainda tendo que custear as viagens do próprio bolso para se deslocarem entre as cidades.
O comum, mas não legal, é que há anos os árbitros adotaram uma regra de bancar as despesas da viagem e em seguida serem reembolsados. Mas a devolução não vem ocorrendo.
Os árbitros, que não têm vínculo empregatício com a federação, recebem por quilometragem para viajar com o próprio veículo. Uma pessoa que dirige o próprio carro recebe por exemplo R$ 1,80 a cada quilômetro rodado.
O valor a ser pago é proporcional à distância percorrida. Uma viagem entre Cuiabá e Sorriso, por exemplo, de 860 Km, pode custar até R$ 1.548,00. A partir de julho deste ano o valor foi reduzido para R$ 1,00/Km. Com o mesmo carro com mais pessoas a taxa sobe para R$ 1,50 Km.
ATRASO MOTIVA DESISTÊNCIAS
Por conta dos atrasos no pagamento de taxas e diárias, muitos árbitros estão abandonando a FMF. A competição seletiva que termina no próximo dia 10, só não corre o risco de ser paralisada porque outros árbitros decidiram trabalhar em meio à crise institucional instalada na entidade, com a promessa de que ‘um dia vão receber o lhes é devido’.
Engrossam essa lista árbitros da nova safra de apitadores do quadro como Luiz Paulo de Moura Pinheiro e Eleniel Benedito da Silva, que decidiram não trabalhar mais sem receber.
A Portaria nº 025/2026, assinada no dia 23 de julho deste ano pelo presidente da FMF, Diogo Pécora, estabeleceu os valores das taxas e diárias a serem pagos a árbitros e assistentes da FMF.
Segundo o documento a taxa de arbitragem é de R$ 300 por jogo (para árbitro), R$ 180 para cada assistente, R$ 150 para o quarto árbitro e mais R$ 100 para o supervisor de jogo, totalizando R$ 730 por partida.
As diárias para hospedagem e alimentação variam de R$ 100 (locais mais próximos) a R$ 390 (mais distantes).
*Oliveira Júnior é um dos principais cronistas esportivos do Mato Grosso atuando na coordenação da “Equipe de Ouro” da Rádio Cultura FM de Cuiabá e colaborador do Portal Futebol Interior





































































































































