Invicto em finais, Noroeste busca a terceira decisão na Copa Paulista RIVALO

Bicampeão do torneio, o Norusca volta a disputar uma semifinal neste domingo (27), quando recebe o São José, às 10h, no Estádio Alfredo de Castilho

Em 2005, a equipe bateu o Rio Claro duas vezes e venceu por 7 a 4 no placar agragado. Já em 2012, mesmo roteiro e título sobre o Audax por 3 a 1

Primavera x Noroeste Quartas de Final Copa Paulista
Norusca tem tradição no torneio - Foto: Douglas Moreti e Audelei Alves de Lima / Noroeste SAF

Bauru, SP, 23 (AFI) – O Noroeste está novamente a dois jogos de uma decisão da Copa Paulista RIVALO. Bicampeão do torneio, o Norusca volta a disputar uma semifinal neste domingo (27), quando recebe o São José, às 10h, no Estádio Alfredo de Castilho, pelo primeiro confronto por uma vaga na grande final.

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Mais do que a oportunidade de retornar à decisão, o time comandado por Vaguinho Santos tenta preservar uma marca construída ao longo de duas décadas: nas duas vezes em que chegou à final da Copa Paulista, o Noroeste saiu de campo campeão. Foi assim em 2005, quando a competição ainda se chamava Copa Federação Paulista de Futebol, e novamente em 2012, já com a nomenclatura atual.

É justamente essa história que o Alvirrubro tenta revisitar em 2026, agora com a possibilidade de escrever um terceiro capítulo.

2005: o título que encerrou um jejum de dez anos

A primeira conquista veio em uma temporada que marcou uma transformação importante na história recente do Noroeste. Em 2005, o clube voltou à elite do futebol paulista e, no segundo semestre, encontrou na Copa FPF a oportunidade de colocar fim a um jejum de dez anos sem títulos.

A campanha terminou com 20 partidas, 11 vitórias, cinco empates e apenas quatro derrotas. Na decisão, o adversário foi o Rio Claro, dono da melhor campanha da competição e considerado favorito antes da disputa. O Noroeste, porém, venceu os dois jogos e levantou a taça com autoridade.

No primeiro confronto, em Bauru, vitória por 3 a 2. Felipe abriu o placar de pênalti, Marcelo Santos apareceu na bola aérea para ampliar – embora o gol tenha sido inicialmente atribuído a ele – e Buiú aproveitou rebote após uma jogada de Otacílio Neto para marcar o terceiro. O Rio Claro ainda reagiu com dois gols de Vinícius, mas não conseguiu buscar o empate.

A vantagem, entretanto, não significava tranquilidade. O Rio Claro precisava de uma vitória simples no segundo jogo, disputado no Estádio Augusto Schmidt Filho, para ficar com o título.

E foi justamente em território adversário que o Noroeste produziu uma das atuações mais marcantes de sua história recente.

O Rio Claro saiu na frente, mas o Norusca reagiu ainda no primeiro tempo. Aos 11 minutos, Cristiano marcou contra para os donos da casa, mas Luciano Bebê deixou tudo igual aos 40, em cobrança de falta, mantendo o Noroeste em vantagem no placar agregado.

Logo no começo da segunda etapa, Otacílio Neto virou o jogo em outra cobrança de falta. O atacante cearense, que havia retornado ao Noroeste naquele ano e posteriormente se tornaria um dos nomes de destaque do clube no Paulistão, já dava naquele momento uma amostra da importância que teria na história recente do Alvirrubro.

O Rio Claro ainda encontrou forças para empatar aos nove minutos, com Vágner, deixando a decisão novamente aberta. Foi então que apareceu um personagem que simbolizava aquela equipe: Marcelinho.

Revelado pelo próprio Noroeste e com apenas 18 anos, o polivalente atuava originalmente como zagueiro, mas também já havia desempenhado funções na lateral esquerda. Na final, escalado mais avançado pelo lado do campo, carregou a bola e acertou um chute cruzado aos 28 minutos para recolocar o Norusca na frente. O gol teve peso enorme, já que uma vitória do Rio Claro por qualquer placar daria o título ao time da casa.

Quando a torcida bauruense já começava a comemorar, Buiú tratou de transformar a festa em realidade. O atacante recebeu em velocidade, cortou para o meio e bateu forte para fazer o quarto gol, nos minutos finais. O Noroeste vencia por 4 a 2, fechava a decisão em 7 a 4 no placar agregado e finalmente colocava uma taça novamente em sua sala de troféus.

A conquista encerrou um jejum que durava desde o título da Série A3 de 1995 e garantiu ao Noroeste uma vaga inédita na Copa do Brasil de 2006. Cerca de 500 torcedores acompanharam a decisão em Rio Claro e invadiram o gramado após o apito final para comemorar com os jogadores. O capitão Bonfim foi quem ergueu a taça de uma conquista que se tornaria um dos símbolos da chamada Era Damião Garcia.

2012: uma nova taça e outro herói na decisão

Sete anos depois, o Noroeste voltou a chegar à final. O cenário era diferente, mas o desfecho acabou sendo o mesmo.

Em 2012, o clube não conseguiu alcançar o acesso na Série A2 do Campeonato Paulista e terminou a primeira metade da temporada convivendo com a frustração. A Copa Paulista, então, ganhou importância ainda maior. A equipe encontrou estabilidade na reta final e, sob o comando de Moisés Egert, construiu a reação que terminaria com o bicampeonato.

No mata-mata, o Noroeste eliminou o Capivariano nas quartas de final e o Velo Clube na semifinal. Na decisão, o adversário foi o Audax, equipe que vinha de uma campanha consistente e chegava à final com um estilo de jogo que exigia atenção do time bauruense.

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No primeiro jogo, em Bauru, o Noroeste venceu por 2 a 1. Hélio Batista abriu o placar aos 36 minutos, Kasado ampliou na segunda etapa e Rafinha descontou para os visitantes. A vantagem era importante, mas deixava o título em aberto para o segundo confronto.

A partida de volta aconteceu no Estádio Nicolau Alayon, em São Paulo. O Audax precisava vencer para levar a decisão, enquanto o Noroeste tinha a vantagem construída em casa.

O Audax teve boas oportunidades, principalmente depois dos primeiros 25 minutos, e obrigou o goleiro Walter a trabalhar. Aos 38 minutos do primeiro tempo, Francis recebeu, limpou a marcação e bateu forte, mas Walter fez grande defesa. Na etapa final, Ingro também teve uma oportunidade perigosa, mas novamente o goleiro noroestino apareceu.

Enquanto o adversário precisava se lançar ao ataque, o Noroeste encontrou espaço para contra-atacar. E, aos 21 minutos do segundo tempo, surgiu o gol que definiu o campeonato.

Diogo Pereira recebeu a bola, avançou pela linha de fundo e, mesmo praticamente sem ângulo, bateu forte para vencer Sidão e fazer 1 a 0. O atacante, que havia participado de outros momentos importantes daquela campanha, marcou justamente o gol que transformou a vantagem parcial em título.

O gol obrigava o Audax a marcar duas vezes para virar a decisão. A equipe paulistana ainda tentou pressionar nos minutos finais, mas o Noroeste conseguiu controlar as investidas e confirmou a vitória.

Quando o árbitro apitou o fim da partida, veio novamente a festa alvirrubra. Com duas vitórias na final – 2 a 1 em Bauru e 1 a 0 em São Paulo -, o Noroeste fechou a decisão com 3 a 1 no agregado e conquistou o segundo título da competição. Mais uma vez, a taça veio acompanhada de uma vaga na Copa do Brasil, desta vez para a edição de 2013.

O título também marcou uma recuperação importante depois de um primeiro semestre abaixo das expectativas. Moisés Egert havia assumido o comando em setembro e foi apontado, na retrospectiva daquele ano, como peça fundamental na reação da equipe.

Duas finais, dois títulos

Desde então, o Noroeste passou por diferentes momentos no futebol paulista. Viveu acessos, rebaixamentos, mudanças administrativas e períodos de maior e menor protagonismo. A Copa Paulista, entretanto, permaneceu como uma competição especialmente favorável ao clube.

A história é simples e, ao mesmo tempo, expressiva: duas finais disputadas e dois títulos conquistados.

Agora, 14 anos depois da segunda taça, o Norusca tem novamente a possibilidade de voltar a uma decisão.

Atual campanha

O caminho até a semifinal, porém, começou de maneira pouco promissora. O Noroeste estreou com derrota por 2 a 0 para o Comercial, em Ribeirão Preto. O resultado provocou a saída do técnico Henrique Barcellos e abriu espaço para Vaguinho Santos, que já integrava a comissão técnica.

A mudança alterou o rumo da campanha. Sob o comando de Vaguinho, o Norusca terminou a primeira fase invicto, com duas vitórias e três empates. Na última rodada, venceu justamente o Comercial por 4 a 3, resultado que garantiu a liderança do Grupo 2 e uma vaga direta nas quartas de final.

A equipe precisou novamente mostrar força em um confronto eliminatório diante do Primavera. No primeiro jogo, em Indaiatuba, empate por 2 a 2. Na volta, em Bauru, novo empate, desta vez sem gols. A classificação foi decidida nos pênaltis, e o Noroeste levou a melhor por 2 a 1.

Mais uma vez, o clube encontrou uma maneira de sobreviver a um mata-mata e avançar. E, depois da classificação, Vaguinho resumiu o próximo objetivo do grupo.

“Agora buscar o título, que é muito importante”, afirmou o treinador.

De olho na 3ª taça

O próximo obstáculo será o São José. O primeiro encontro acontece neste domingo, em Bauru, enquanto o duelo de volta está marcado para 3 de outubro, às 19h, no Estádio Martins Pereira, em São José dos Campos.

O time joseense terá o mando da segunda partida por ter apresentado a melhor campanha acumulada entre os semifinalistas.

Além da vaga na decisão, a semifinal também vale uma oportunidade de disputar uma competição nacional em 2027. Os dois finalistas garantem vagas nacionais, com o campeão podendo optar entre a Copa do Brasil e a Série D do Campeonato Brasileiro, enquanto o vice fica com a vaga remanescente.

Para o Noroeste, entretanto, existe ainda um componente histórico.

A semifinal representa a chance de transformar uma tradição em um novo capítulo. Em 2005, o clube encerrou um jejum de dez anos e levantou sua primeira Copa Paulista. Em 2012, voltou à decisão e conquistou o bicampeonato. Nas duas ocasiões, venceu os dois jogos da final.

Em 2026, o Norusca está novamente entre os quatro melhores. O caminho até a terceira decisão passa agora pela Águia do Vale. Se conseguir superar o adversário, o Noroeste terá a oportunidade de disputar sua terceira final de Copa Paulista e manter viva uma história construída com duas taças, duas decisões e nenhuma derrota em finais.

Agenda das semifinais

O Noroeste enfrenta o São José neste domingo (27), às 10h, no Estádio Alfredo de Castilho, em Bauru, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Paulista RIVALO. A partida de volta será disputada no dia 3 de outubro, às 19h, no Estádio Martins Pereira, em São José dos Campos. Em caso de empate no placar agregado, a vaga na final será definida nos pênaltis.

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