Há 10 anos, Neymar quebrava a última maldição da Seleção no Maracanã

ra 20 de agosto de 2016. Naquele instante, o Brasil finalmente se tornava campeão olímpico no futebol masculino.

O empate por 1 a 1 após 120 minutos levou a disputa para os pênaltis. O Brasil venceu por 5 a 4 e conquistou a medalha de ouro

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Neymar

São Paulo, SP, 20 (AFI) – Neymar colocou a bola na marca do pênalti, recuou alguns passos e ficou diante da cobrança mais importante de sua carreira pela Seleção. Quando o chute entrou no canto de Timo Horn, o camisa 10 caiu de joelhos no gramado do Maracanã. Era 20 de agosto de 2016. Naquele instante, o Brasil finalmente se tornava campeão olímpico no futebol masculino.

Dez anos depois, a final contra a Alemanha permanece como uma das noites mais marcantes da história recente da Seleção. O empate por 1 a 1 após 120 minutos levou a disputa para os pênaltis. O Brasil venceu por 5 a 4 e conquistou o único título que ainda faltava em sua coleção.

A campanha, no entanto, esteve perto de terminar prematuramente. Comandada por Rogério Micale, a Seleção começou os Jogos do Rio sob forte pressão. Empatou sem gols com África do Sul e Iraque nas duas primeiras rodadas e chegou à última partida da fase de grupos ameaçada de eliminação.

A reação começou contra a Dinamarca. Com uma formação mais ofensiva, o Brasil venceu por 4 a 0 e avançou na liderança do grupo. Depois, eliminou a Colômbia com uma vitória por 2 a 0 e atropelou Honduras por 6 a 0 na semifinal. Neymar abriu aquela goleada aos 15 segundos, no gol mais rápido da história do futebol olímpico.

Velho conhecido na final olímpica

A decisão reservava um adversário carregado de simbolismo. Dois anos antes, a Alemanha havia derrotado o Brasil por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo e conquistado o título mundial justamente no Maracanã. Embora as equipes olímpicas fossem diferentes, a lembrança do Mineirão tornava o confronto ainda mais pesado.

Diante de mais de 60 mil torcedores, Neymar abriu o placar aos 27 minutos. Em uma cobrança de falta da entrada da área, acertou o ângulo de Timo Horn e fez o Maracanã explodir. A bola ainda tocou no travessão antes de entrar.

A Alemanha reagiu no segundo tempo. Max Meyer apareceu livre na área e empatou aos 14 minutos. O equilíbrio permaneceu até o fim do tempo regulamentar e atravessou a prorrogação, empurrando a decisão para os pênaltis.

Os primeiros quatro cobradores de cada seleção converteram suas tentativas. Na quinta cobrança alemã, o goleiro Weverton defendeu o chute de Nils Petersen e deixou o Brasil a um gol do título inédito.

A responsabilidade ficou com Neymar. O capitão respirou fundo, correu para a bola e bateu no canto direito do goleiro. Horn escolheu o outro lado. Antes mesmo de os companheiros chegarem para abraçá-lo, o camisa 10 já estava ajoelhado e chorando no gramado.

A conquista encerrou uma espera iniciada na primeira participação brasileira no futebol olímpico, em 1952. Antes do título no Rio, a Seleção havia perdido três finais: para a França, em 1984; para a União Soviética, em 1988; e para o México, em 2012 — esta última também disputada por Neymar.

O ouro transformou uma campanha que começou sob vaias em uma celebração nacional. Neymar terminou o torneio com quatro gols e três assistências, além de ter participado diretamente dos dois momentos decisivos da final.

Na noite de 20 de agosto de 2016, o futebol brasileiro não apagou as dores do passado. Mas encontrou no Maracanã, contra a Alemanha e nos pés de Neymar, o desfecho que esperou durante 64 anos.

Ficha técnica da final

BRASIL 1 (5) x (4) 1 ALEMANHA

Competição: Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro — final do futebol masculino
Data: 20 de agosto de 2016
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Público: 63.707 torcedores
Árbitro: Alireza Faghani, do Irã
Assistentes: Reza Sokhandan e Mohammadreza Mansouri, ambos do Irã

Gols: Neymar, aos 27 minutos do primeiro tempo; Max Meyer, aos 14 minutos do segundo tempo.

Brasil: Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Walace, Renato Augusto e Luan; Gabriel Jesus (Rafinha), Neymar e Gabriel Barbosa (Felipe Anderson).
Técnico: Rogério Micale.

Alemanha: Timo Horn; Jeremy Toljan, Matthias Ginter, Lukas Klostermann e Sven Bender; Niklas Süle, Lars Bender (Grischa Prömel) e Max Meyer; Julian Brandt, Serge Gnabry e Davie Selke (Nils Petersen).
Técnico: Horst Hrubesch.

Pênaltis do Brasil: Renato Augusto, Marquinhos, Rafinha, Luan e Neymar converteram.

Pênaltis da Alemanha: Ginter, Gnabry, Brandt e Süle converteram; Weverton defendeu a cobrança de Petersen.