Guarani recebe novo prazo e terá de explicar dívidas na recuperação

A determinação surgiu após a avaliação das informações encaminhadas pela Administradora Judicial

A documentação exigida inclui ainda o balanço de verificação e a demonstração do resultado correspondentes a abril de 2026

Guarani
Foto: @raphaelsilvestre27 / Guarani FC

Campinas, SP , 08 (AFI) – O Guarani voltou a ser cobrado pela Justiça dentro do processo de recuperação judicial. Em decisão assinada em 5 de agosto de 2026, o juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas, estabeleceu prazo de 15 dias para que o clube apresente uma série de documentos e esclareça pontos financeiros que ainda estão em aberto.

A determinação surgiu após a avaliação das informações encaminhadas pela Administradora Judicial. Embora o clube tenha regularizado parte das questões apontadas anteriormente, a Justiça entendeu que ainda faltam dados necessários para o acompanhamento da situação financeira e administrativa da instituição.

O Guarani deverá demonstrar que realizou os recolhimentos de FGTS e INSS relativos a abril deste ano. Também terá de detalhar a existência de obrigações previdenciárias e tributárias geradas depois do ingresso no processo de recuperação judicial.

A documentação exigida inclui ainda o balanço de verificação e a demonstração do resultado correspondentes a abril de 2026. O clube precisará apresentar, igualmente, comprovantes relacionados às verbas rescisórias de funcionários que foram desligados e aos pagamentos da folha salarial de empregados citados no levantamento realizado pela Administradora Judicial.

A Justiça também solicitou informações adicionais sobre IPTU, APSEC, contingências financeiras, movimentação de caixa e os valores registrados como contas a pagar e a receber.

R$ 120 mil em remuneração ainda pendente

A situação financeira da própria Administradora Judicial também entrou na análise do magistrado. Conforme consta no processo, a Capital Administradora Judicial Ltda. não recebe sua remuneração desde novembro de 2025.

O montante pendente é de R$ 120 mil e corresponde aos serviços prestados entre novembro de 2025 e junho de 2026. Por determinação judicial, o Guarani deverá comprovar que efetuou o pagamento ou apresentar uma alternativa concreta para quitar o valor devido.

Outro dado que chamou a atenção no processo está relacionado às obrigações assumidas pelo clube depois do início da recuperação judicial. Uma declaração apresentada em maio aponta R$ 12,34 milhões em dívidas vencidas e que ainda não foram pagas.

Esses compromissos não estão incluídos no plano de recuperação, justamente por terem surgido após o ajuizamento do pedido. Por esse motivo, a Justiça determinou que o Guarani esclareça a origem e a situação desses valores.

Descumprimento pode gerar consequência para dirigentes

A decisão também reforçou uma advertência que já havia sido feita anteriormente aos responsáveis pela administração do clube.

Neste momento, não houve determinação para retirada da diretoria. O magistrado considerou que a entrega de parte dos documentos, mesmo ocorrendo de maneira tardia, demonstra que existe uma tentativa de regularização das pendências. Assim, não foi reconhecida, até agora, uma recusa injustificada em fornecer as informações solicitadas.

O cenário, porém, pode mudar caso as novas determinações não sejam cumpridas. A advertência sobre uma possível destituição dos administradores continua em vigor.

Segundo o entendimento registrado na decisão, a falta injustificada de informações poderá ser interpretada como recusa em colaborar com o auxiliar do juízo. Nessa situação, os administradores do Guarani poderão sofrer a destituição prevista na legislação que regulamenta os processos de recuperação judicial.

Próximo relatório será acompanhado pela Justiça

A Administradora Judicial também recebeu uma determinação específica. No próximo relatório apresentado ao processo, deverá fazer uma avaliação objetiva da documentação referente ao primeiro trimestre de 2026.

O levantamento deverá mostrar quais documentos e pendências, referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março, foram solucionados pelo clube e quais ainda necessitam de providências.

Com a nova decisão, o Guarani permanece sob acompanhamento da Justiça e terá 15 dias para atender às solicitações. A determinação não representa, neste momento, o afastamento dos dirigentes, mas reforça que o cumprimento das obrigações documentais será fundamental para a continuidade do processo de recuperação judicial.