Guarani pode enfrentar multa de R$ 75 milhões se SAF não for aprovada; entenda
Penalidade de 10% consta na minuta inicial apresentada pelo Grupo Magnum, mas cláusula enfrenta resistência e será renegociada antes da votação.
A primeira versão da proposta para a SAF do Guarani previa uma multa de 10% sobre uma operação estimada em R$ 750 milhões
Campinas, SP, 14 (AFI) – Uma cláusula incluída na proposta de transformação do Guarani em Sociedade Anônima do Futebol provocou preocupação nos bastidores do clube. A minuta inicial previa uma multa de 10% sobre o valor da operação caso o acordo não fosse aprovado até 4 de setembro.
Como o negócio foi estimado em R$ 750 milhões, a penalidade poderia alcançar R$ 75 milhões.
A existência da cláusula foi divulgada por diferentes veículos que tiveram acesso a informações discutidas no Conselho Deliberativo. O documento completo não foi publicado oficialmente porque a negociação está protegida por um acordo de confidencialidade.
A multa, porém, ainda não pode ser tratada como uma obrigação definitiva do Guarani. A primeira versão do contrato não recebeu aprovação imediata dos conselheiros e será submetida a uma nova rodada de negociações.
Representantes do Conselho decidiram formar uma comissão com integrantes das três chapas eleitas. O grupo terá a responsabilidade de discutir alterações diretamente com Roberto Graziano, proprietário do Grupo Magnum e interessado em controlar a futura SAF.
Cláusula provocou resistência
Conselheiros entenderam que a previsão de uma multa milionária poderia exercer pressão sobre a análise da proposta. O prazo indicado no documento coincide com a data prevista para a votação final entre os associados.
Além da penalidade, outros pontos causaram dúvidas. Entre eles estão o prazo da operação, a distribuição dos investimentos, o percentual que permanecerá com o Guarani e a inclusão de compromissos antigos relacionados ao Brinco de Ouro.
A proposta estabelece que o Grupo Magnum ficaria com 90% das ações da SAF. A associação manteria os 10% restantes do futebol.
O negócio prevê R$ 400 milhões em investimentos esportivos ao longo de 20 anos, média aproximada de R$ 20 milhões por temporada. Outros R$ 350 milhões seriam destinados ao pagamento das dívidas do clube.
Com incentivos vinculados ao cumprimento de metas, a operação poderia alcançar R$ 1,075 bilhão. Esses números foram apurados pela imprensa, mas não foram oficialmente confirmados pelo Guarani ou pelo investidor.
Brinco de Ouro também está no centro da discussão
Outro impasse envolve compromissos assumidos pelo Grupo Magnum quando adquiriu o Brinco de Ouro em um leilão judicial realizado em 2015.
Na época, o grupo se comprometeu com investimentos que incluíam a construção de uma nova arena, um centro de treinamento e uma estrutura para o clube social. Uma das obrigações era estimada em R$ 105 milhões.
Parte dos conselheiros contesta a possibilidade de esses compromissos anteriores serem contabilizados como novos aportes da SAF. Para esse grupo, valores vinculados à compra do estádio não deveriam integrar a conta do investimento futuro no futebol.
Proposta será renegociada
A criação da comissão não encerra as tratativas. O objetivo é modificar os pontos considerados desfavoráveis e apresentar aos associados uma nova versão do acordo.
O calendário inicial prevê reuniões de esclarecimento nos dias 1º, 2 e 3 de setembro. A votação da constituição da SAF e da proposta de investimento está marcada para 4 de setembro.
Até lá, a cláusula da multa poderá ser retirada, reduzida ou reformulada. Por esse motivo, o cenário correto é dizer que a primeira minuta previa uma penalidade de R$ 75 milhões — e não que o Guarani já esteja sujeito ao pagamento.





































































































































